Crítica | ‘Extraordinário’ é um filme obrigatório para toda a família

Sob a direção de Stephen Chbosky, Extradordinário (Wonder) tem a premissa de contar a história de Auggie Pullman (Jacob Tremlay), um garotinho que nasceu com má formação e mesmo após várias cirurgias de reconstrução facial, ainda apresenta uma grande deformação em sua face. Uma grande preocupação assola seus pais no momento em que eles decidem que ele deve substituir os estudos em casa para estudar em uma escola convencional juntamente com outras crianças, correndo o óbvio risco de ser vítima de bullying.

Essa história poderia ser contada de várias maneiras diferentes; a maneira mais fácil sendo a de forçar um melodrama para extrair o máximo de lágrimas possíveis por parte do expectador e por incrível que pareça, o filme não aposta nesse caminho. Pelo menos não em sua maior parte. Extraordinário tem sua narrativa dividida de acordo com o ponto de vista dos personagens principais, mostrando diversas facetas da história e este é um dos aspectos que mais agradam, uma vez que ao invés do melodrama, o longa investe no desenvolvimento de personagens mais próximos de pessoas reais. Isso acaba rendendo um filme bastante humano e prazeroso de assistir.

Com uma fotografia inspirada e abundância de cores, Extraordinário levanta importantes questões quando mostra a rotina de Auggie. O Filme mostra como é difícil sofrer com uma deformidade cada vez em que se olha no espelho e ainda ser lembrado dela quando caminha pela rua e é vítima dos olhares das pessoas ao redor. Como se não bastasse ele ainda tem que lidar com o fato de que o tratam como se ele fosse um monstro asqueroso que possui uma mácula contagiosa e que todos devem permanecer distantes. Para contar uma história de grande teor dramático como esse, são necessárias duas coisas importantíssimas: uma boa direção e atuação dos atores. E nessas duas coisas o filme se mostra extremamente competente.

Auxiliado por uma ótima direção e um roteiro competente, Jacob Tremblay mostra que sua incrível atuação em O Quarto de Jack (2015) não é acidental. Esse jovem ator demonstra uma performance de encher os olhos. Ele domina o personagem com tamanho afinco que não perde suas características nem mesmo quando interage com diferentes personagens e diferentes locais. Ele é Auggie o tempo todo.

Dentre as várias cenas memoráveis, vamos destacar aqui um momento específico em que ele e seu professor se comunicam apenas com olhares, um complexo diálogo sem palavras. E isso tudo Tremblay faz debaixo de uma espessa prótese que cobre praticamente todo o seu rosto. Aliás, fica registrada a maravilhosa maquiagem realizada no longa, que é extremamente convincente e em nenhum momento te faz pensar que o ator não é realmente deformado daquele jeito.

Mas não é apenas Jacob que apresenta uma ótima atuação. Owen Wilson e Julia Roberts entregam com perfeição os pais otimistas de Auggie, mas que também possuem bagagem de sofrimento suficientes para saber que o mundo não será agradável com seu filho. Porém, o destaque mesmo fica para Isabela Vidovic, que interpreta a irmã do protagonista. Sua performance é impressionante, apenas com os olhares a personagem demonstra seus sofrimentos e questões antes mesmo que a narrativa explique pelo quê ela está passando.

Mas nem tudo são flores em Extraordinário, pois em alguns momentos o roteiro aposta por caminhos mais fáceis para emocionar o público, como por exemplo no discurso ingênuo de uma personagem quando ela fala “…Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, seja gentil”, ou mesmo na finalização do terceiro ato, onde vemos que a estória não sabe ao certo como encerrar o que iniciou.

Mas nada disso atrapalha a experiência, pois Extraordinário é um filme extremamente sensível que emociona ao demonstrar os aspectos da amizade verdadeira, com o belíssimo ato de criar vínculo com um estranho, sem o interesse ou a reciprocidade de um relacionamento romântico. Com momentos divertidos e engraçados, paralelos a momentos emocionantes, onde ninguém, nem mesmo os ‘vilões’ são completamente vilões, este é um filme obrigatório para toda a família.

Avaliação: 


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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...