Crítica | ‘Jumanji: Bem-Vindo à Selva’ é a sessão da tarde que você respeita

Em uma época onde continuações e remakes parecem ser o pilar na qual Hollywood se apoia e o cinema independente costuma apresentar as histórias de maior valor, o aparecimento de um blockbuster que cumpre seu propósito é muito bem-vindo. Isto não quer dizer que em 2017 bons filmes pipoca não tenham aparecido. Mas a produção de um filme como Jumanji: Bem-Vindo à Selva mostra que o gênero, que geralmente se baseia na combinação e aventura e comédia, pode ser divertido e causar uma boa impressão.

Dirigido por Jake Kasdan, este Jumanji faz apenas uma referência ao jogo de tabuleiro mas investe em um novo conceito para explorar a sua aventura. A premissa é simples: quatro adolescentes de personalidades distintas são sugados para um jogo mágico de videogame e a única maneira para escapar é trabalhar juntos para terminarem o jogo. Uma vez que estão na selva, eles assumem novas formas e seus avatares são completamente diferentes de quem eles são.

O diretor procurar explorar ao máximo o que os atores tem para oferecer e compõe as cenas como se um game realmente estivesse acontecendo (com as devidas adaptações). A suspensão de descrença não incomoda, uma vez que o universo criado é bem estabelecido pelo simples e sólido roteiro escrito a quatro mãos por Chris McKenna, Erik Sommers, Scott Rosenberg e Jeff Pinkner.

Os roteiristas utilizam de maneira interessante o conceito do personagem não jogável (aquele que não interage além do roteiro do jogo) e não desenvolvem nenhum dos que aparecem em tela, a não ser os protagonistas. O vilão vivido por Bobby Cannavale é um exemplo disso. Ele é extremamente genérico e não tem profundidade alguma, mas atende a proposta do filme. A única inconsistência gritante no longa é justamente em um momento derradeiro no terceiro ato, onde o sentido do acontecimento parece não ter sido muito bem resolvido ou pensado.

Tecnicamente o longa atende as expectativas na maior parte do tempo. Conceitos de videogame como perder e ganhar vidas, consultar habilidades e utilizar as capacidades dos personagens são explorados de forma divertida e bem aplicada com o uso de efeitos visuais. Porém, nem sempre isso acontece e quando eles não são tão bons, isso é claramente perceptível. Felizmente, isso não faz com que a experiência seja comprometida.

As cenas de perseguição que Kasdan conduz são bem construídas e as piadas funcionam durante e fora delas. O senso de urgência do filme faz com que ele se mova constantemente e o ritmo nunca deixe a história desandar. Quando Jumanji precisa desacelerar para explorar a relação entre os personagens e utilizar o humor, percebe-se uma evolução acontecendo em cada um deles. Uma das premissas de um filme composto por três atos é justamente essa. É preciso que cada personagem chegue ao fim do longa de maneira diferente do início de sua jornada. Dentro da proposta e reconhecendo suas limitações, o filme consegue fazer isso.

Em relação ao elenco, ele é responsável pelo que há de melhor no longa. Há uma química muito boa entre o quarteto. Embora Dwayne Johnson tenha o carisma habitual e a presença de um protagonista, os demais atores possuem o seu espaço e funcionam individualmente ou juntos. Interpretando uma menina, Jack Black dá a sua peculiar atuação uma possibilidade diferente e isso funciona muito bem. Todos estão divertidos e seria difícil caracterizar alguém como alívio cômico. No entanto, Kevin Hart é responsável pelo humor mais espalhafatoso enquanto Karen Gillan assume um papel mais introspectivo que aos poucos vai ganhando novos contornos. A participação de Nick Jonas cumpre o seu propósito e vai de acordo com o tom do filme.

O elenco adolescente possui uma menor participação mas é responsável por estabelecer os traços de personalidade dos avatares do jogo. Durante o filme, a garota no corpo de Jack Black nunca deixa de ser menina, mas o filme encontra espaço para brincar com as descobertas que isso provoca (o que rende boas risadas). Da mesma forma, o nerd inseguro no corpo de Johnson agora possui uma força descomunal mas continua com seus medos. Tudo isso é trabalhado de forma simples mas bem organizada.

Ainda que não seja um blockbuster memorável, Jumanji não faz feio frente ao original de 1995, protagonizado por Robin Williams. A aventura é leve e se assume como um filme que tem a pretensão de entreter e divertir o público, estabelecendo um universo coerente, na maior parte do tempo, com a história que pretende mostrar. Este é o melhor exemplo de como ficar satisfeito com a expectativa baixa em relação a um filme.

Avaliação: 


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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...