Crítica | ‘Jogos Mortais: Jigsaw’ é apenas mais do mesmo

Se você decidiu investir tempo e dinheiro em Jogos Mortais: Jigsaw (Jigsaw), certamente já está ambientado com a franquia iniciada em 2004 sob o comando de James Wan, que depois assumiu a produção executiva dos demais filmes e despontou de vez como diretor com obras como Invocação do Mal 1 e 2. Aqui há um pouco de tudo que já se conhece: reviravoltas, mistérios, sangue e pessoas colocadas contra os seus crimes e pagando por eles.

Em Jigsaw, 10 anos após a morte de John Kramer, novos assassinatos voltam a acontecer. Todas as pistas apontam para o principal suspeito, o próprio Kramer, fato que intriga os investigadores e a opinião pública. Ao mesmo tempo, um grupo de pessoas luta pela vida em mais uma leva de jogos sangrentos.

Dirigido pelos irmãos MichaelPeter Spierig, diretores do bom O Predestinado (2014), Jigsaw certamente é um pouco de tudo o que a franquia apresentou até 2010, ano em estreou o até então último filme (o sétimo). Com a presença de Jon Kramer (Tobin Bell) fornecendo um mistério que consegue até ser instigante, o filme possui uma atmosfera que remete aos seus melhores antecessores – em ordem os três primeiros – e ainda consegue entregar uma virada interessante no fim do segundo ato, que é empobrecida por um novo e forçado plot twist no terceiro ato.

A direção se mantém presa ao estilo clássico da franquia, principalmente em termos de ambientação e não há nada de muito novo. Porém, a montagem é um pouco mais contida do que nos últimos filmes, principalmente na hora das armadilhas. Há também uma clara distinção dos locais onde o filme acontece. Quando a investigação se desenrola, as cores são mais frias e no decorrer dos jogos mortais, o senso de urgência é maior e as cores esquentam.

No entanto, Jigsaw possui um roteiro extremamente preguiçoso e direciona seus personagens para soluções fáceis, com diálogos expositivos ao extremo e não desafia o público na maior parte do tempo. Não há impacto para que as revelações e descobertas que acontecem. Não há desenvolvimento de personagem algum mas isso acaba sendo algo esperado para o que se viu ultimamente nos últimos filmes. No entanto, a julgar pelos responsáveis pelo roteiro, Pete Goldfinger e Josh Stolberg, que escreveram filmes como Piranha 3D (2010), não podia ser muito diferente do que se viu.

As atuações deixam a desejar, principalmente no núcleo investigativo. Não há nenhum ator de primeira linha e o texto não ajuda tanto. Mas Matt Passmore, Callum Keith Rennie, Clé Bennett e Hannah Emily Anderson dão pouca expressividade aos policiais e legistas, com momentos que beiram a canastrice. O núcleo que envolve os participantes do “jogo” faz aquilo que deles se espera e ai não há o que reclamar, com um pequeno destaque para Laura Vandervoort. No entanto, como já era anunciado, há uma participação de Tobin Bell e este é sem dúvida o ator mais crível e que melhor interpreta no filme – e na franquia. A propósito, a circunstância desenvolvida para que isso aconteça é um dos poucos bons momentos inventivos que o filme tem.

Há um aspecto interessante para se ressaltar. Mesmo não sendo um filme que reúna uma série de bons atributos que o levem a ser considerado bom, ou em poucas e simples palavras seja cinematograficamente ruim, Jigsaw tem o mérito de continuar a ter o potencial de agradar ao seu público. Afinal de contas, é um lugar comum dentro do próprio gênero construído, tal qual fazem Michael Bay com seus Transformers ou, em outra comparação, a franquia Velozes e Furiosos. Na melhor das hipóteses, da mesma forma que se busca um escapismo através de quebra de leis da física e robôs gigantes, o senso de justiça através de jogos sangrentos ainda pode encontrar sua demanda, mesmo que de forma decadente. No fim das contas, a discussão até que seria válida para os dias de hoje.

Trazendo de volta uma franquia que se iniciou de forma surpreendente e hoje se utiliza do degastado formato, Jigsaw não é o pior deles mas está longe de ser o melhor de todos os Jogos Mortais. Não há atuações que chamem a atenção, as invenções não são como em outras oportunidades e até o gore é mais contido. No entanto, há um argumento que instiga e sua duração é na medida, com apenas noventa minutos de projeção.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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