Crítica | The Walking Dead 8×06: O Rei, a Viúva e Rick (e todos os outros)

Com a promessa de explorar os desdobramentos de seus acontecimentos sob a perspectiva de três personagens, The Walking Dead foi além em The King, the Widow and Rick e mostrou muitos núcleos, colocou algumas peças de volta no tabuleiro mas avançou pouco a trama da 8º temporada.

O grande destaque aqui é a presença de Maggie, que se impõe cada vez mais como a líder de Hilltop. Tendo que lidar com a decisão de Jesus, que fez vários Salvadores de reféns, a viúva precisou tomar resoluções importantes e essa foi a grande questão para a personagem no episódio. Não por piedade mas por interesses de guerra, ela demonstra a frieza necessária para não desagradar os mais descontentes, como Aaron, ao passo que, em uma decisão ousada e mais do que justa impõe a Gregory um castigo merecido. Afinal de contas, seria uma sabotagem para a própria personagem isso não acontecer.

O roteiro de Angela Kang e Corey Reed foi econômico, porém eficiente nos acontecimentos que deram a Rick uma nova estadia na base do grupo liderado por Jadis. No “lixão” não há nenhum tipo de acordo e que tipo de pessoa vai para o covil dos lobos desarmado, apenas com fotos e promessas? Isto não é necessariamente algo ruim. A julgar pela calma de Rick, preso nu em um contêiner, tudo pode indicar que este seja mais passo no planejamento. Ou então a confiança voltou de forma plena, apenas.

No entanto, há um certo desiquilíbrio que poderá afetar os planos do líder de Alexandria. A ida de Michonne até o Santuário já seria, por si só, uma conveniência de roteiro absurda, com uma motivação rasa demais, apenas para inserir novamente a personagem na trama. A compania de Rosita não representou nada além de formar uma dupla para que ambas não estivessem sozinhas. A chegada de Daryl e Tara em um caminhão no momento exato da fuga do Salvador também foi extremamente conveniente, assim como toda essa subtrama que de bom teve apenas o momento em que Rosita explode aquela mulher.

Porém, não há somente críticas às subtramas e a sequência que envolve a ida de Carl ao encontro de Siddiq é bem construída. Há um interessante diálogo onde inclusive Lori é referenciada, quando eles falam sobre os pais e o papel dos filhos a partir da visão de mundo por eles construída. As cenas foram boas para gerar empatia com o público e criar uma química entre os personagens. Entretanto, se a aproximação é boa, a decisão de colocar um personagem experiente como Carl em perigo para estes zumbis frágeis soa apenas como uma forma de criar tensão. Não era necessário mas o episódio parece ter sido inflado para durar mais do que deveria ter, com algumas cenas dispensáveis.

No Reino, é notado claramente o impacto dos acontecimentos recentes da guerra, onde somente Carol, Jerry e Ezekiel retornaram. O Rei se recusa a seguir em frente, enquanto Carol tenta encorajá-lo, sem sucesso. Sabemos porém que tal situação irá mudar e isto serve mesmo como aproximação para os personagens e auxilia na possível construção de uma jornada heróica de Ezekiel. A cena entre eles mostra uma Carol exposta e entregue aos seus sentimentos, em uma boa atuação de Melissa McBride, que pode dar uma carga dramática à sua personagem que poucas vezes temos a chance de ver.

Deixando mais uma vez Negan de lado e mostrando um panorama de todas as comunidades (Alexandria, Hilltop e Reino), The Walking Dead pisou no freio, falou sobre personagens, trouxe boas interações mas investiu em algumas subtramas desnecessárias. O que realmente importou daria para ser feito em menos tempo mas por outro lado, há uma inevitável virada sendo construída para os dois próximos episódios.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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