Crítica | Mr. Robot 3×07: não há esperanças para quase todos em “eps3.6_fredrick+tanya.chk”

Se levarmos em consideração o desenrolar dos acontecimentos desde o plano executado no prédio da E Corp, Sam Esmail praticamente contou a execução da fase 2 em uma trilogia de episódios tensos e imersivos. Desde a luta de Elliot até os instantes em que Dom observa o quadro com todos os suspeitos do FBI, a atmosfera de paranóia e incerteza tomou conta de vez da série. Desta forma, este é o episódio em que as consequências chegaram de forma mais impactante para os personagens.

O controle que na temporada passada era uma ilusão agora vai muito além do domínio de Elliot sobre seu alter-ego. Mr. Robot não é mais uma ameaça. A ameaça é invisível e puxa as cordas implacavelmente. O grande plano por trás de tudo elege poucos conhecedores da verdade. Aqueles que estão comprometidos com a causa estão presos ao Dark Army de várias maneiras. De Tyrell Wllick à Phillip Price, não há como fugir. Ainda há aqueles cuja causa vale a vida, o que ajuda a conduzir as ações da organização sob a escuridão.

A esperança dos personagens parece que se esvaiu. Desde aqueles que possuem tons mais escuros de cinza até os menos ambíguos. Veja o estado atual das coisas e isso será percebido aqui. Para lidar com a culpa, a angustiada Angela retrocede e avança o controle remoto. Não há nada o que possa ser feito. É o que Irving diz para Elliot sobre a festa dos ricos que estão alheios aos acontecimentos no país. O que ele diz? Não há nada que Elliot possa fazer, muito menos uma revolução.

O futuro de Tyrell também é obscuro e a julgar pela insinuação de seus advogados, ele continuará nas mãos dos chineses. Quanto a Dom, única figura moralmente distinta, resta colocar Whiterose em seu quadro como uma grande interrogação. Afinal de contas, quem pode parar o exército das trevas e quem poderá deter Whiterose? Essa ainda é uma pergunta sem resposta.

O diálogo entre Phillip Price e Whiterose talvez seja um dos mais importantes da temporada. Price nunca havia se descontrolado em Mr. Robot e neste episódio ele realmente está transtornado. É um espelhamento muito interessante pois, do outro lado da moeda, Whiterose nunca esteve tão soberano. A movimentação de sua planta e o pós 29/9 são importantes passos a serem conferidos.

A construção do mistério em torno de Mobley e Trenton foi resolvida de maneira ágil e eficiente. Sempre falando sobre séries de televisão (na segunda temporada sua fixação era Seinfield),  Leon retorna para uma sequência tragicômica pelo deserto, em um misto de psicopatia e carisma, muito por conta da atuação de Joey Bada$$. Vemos também a amplitude da atuação do Dark Army, com alguns de seus homens-chave (Irving, Grant, Santiago e Leon) atuando nas mais diferentes frentes, para que tudo permaneça em oculto.

É importante destacar também a boa atuação de Christian Slater. Neste episódio Mr. Robot assume o controle e permanece consciente desde o momento em que surge no escritório de Krista. A psiquiatra também está em um beco sem saída. Com suas obrigações profissionais falando mais alto, toda confissão de culpa que Mr. Robot faz precisa ser mantida em sigilo de médico e paciente. Mesmo ela sabendo que Elliot também acusou o golpe e deixou sua outra personalidade assumir as ações.

A narrativa foi muito bem executada mais uma vez . Há um dinamismo na alternância entre os núcleos do episódio e isso denota o senso de urgência que aos poucos vai dando lugar ao desenrolar dos fatos e ao surgimento das consequências. O roteiro de Adam Penn se encarrega de auxiliar este processo, ao passo em que a direção de Sam Esmail continua firme e inspirada, como em uma bela cena de abertura, onde a câmera se move com elegância e encontra reféns apavorados e um sarcástico Leon no meio.

Ainda há uma ótima sequência no final, com uma montagem que era de certa forma previsível, mas que da forma como é conduzida gera impacto na resolução. No entanto, o diálogo entre Phillip e Whiterose proporcionam momentos em que Mr. Robot retorna ao brilhantismo de seu ano de estreia. Com uma composição (e organização) de cena inspirada e ótimas atuações, ela é o inverso daquele flashback que vimos anteriormente no fim da primeira temporada e o grande ponto de partida para a nova fase que a terceira temporada construirá a partir de agora.

Sólido e mergulhando nas angústias de seus personagens, eps3.6_fredrick+tanya.chk encerra a execução da fase 2 e prepara o terreno para o que vem a seguir. Os próximos passos não são nada previsíveis e há um cenário de terra arrasada para todos os personagens envolvidos no hack da primeira temporada. Menos para o Dark Army, grande responsável por também nos manter em estado de alerta e desconfiança. Até aqui, temos uma ótima temporada.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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