Crítica | The Walking Dead 8×05: The Big Scary U – coragem, confissões e um pouco de tensão

Depois de alguns episódios sem a presença de Negan, The Big Scary U nos mostrou o que aconteceu com padre Gabriel e o líder dos Salvadores, após serem encurralados por uma horda de zumbis. Desta forma, The Walking Dead utilizou de maneira intimista dois personagens para estabelecer, através de seus passados, uma dinâmica interessante ao episódio.

Em termos de importância para a trama da temporada, com relação a Negan e Gabriel, temos apenas o fato de que eles realmente sobreviveram, além de um vislumbre de passado do personagem. Até então não havia sido sequer mencionado algo para o público sobre isso. Assuntos como a fraqueza dos dois e como eles se tornaram o que são foram discutidos através de óticas diferentes. A abordagem do roteiro escrito por Angela Kang e David Leslie Johnson teve seus bons momentos, embora a sequência que envolve a saída dos dois cobertos de sangue tenha sido pouco inspirada. Principalmente se você já viu isso bem melhor representado na série ou até mesmo no spin-off Fear The Walking Dead.

A propósito, a direção de Michael E. Satrazemis não consegue transmitir uma real sensação de perigo nas cenas de maior ação e isto tem sido comum nesta temporada, com diretores de pouca expressão conduzindo os episódios. A briga entre Rick e Daryl, que até possui um certo tom proposital de comédia, é melhor coreografada do que outras que já vimos neste ano. Porém, há pouco para se vibrar em The Big Scary U, que em compensação, possui nas cenas em que Jeffrey Dean Morgan dá vida a Negan seus melhores momentos.

Se há um princípio de motim entre os trabalhadores do Santuário, que não chega a provocar tanta tensão, a conversa sobre a origem de um traidor entre os generais de Negan é bastante carregada e enervante. Neste cenário, outro destaque aqui é a relação entre Dwight e Eugene. Toda a construção das cenas para que o pseudo cientista pudesse descobrir quem é o traidor do grupo foi construída com calma e de forma bem eficiente. Resta saber agora qual será o posicionamento dos dois.

Eugene é claramente alguém que embora tenha comportamentos bizarros, possui inteligência e poder de observação, mas que não abre mão de ir para o lado em que sua pele possa ser salva. Já Dwight realmente mostra comprometimento em trair os Salvadores. Com o seu envolvimento com os ataques sendo comprometido, muitas situações podem surgir.

É uma pena que o final do episódio tenha apresentado uma situação que em nenhum momento tenha sido sugerida. Uma doença de Gabriel não era algo que havia sido plantado em momento algum. O reduzido tempo para a manifestação de sintomas também foi, aparentemente, curto. O que nos leva a imaginar uma possível mordida, mas que seria improvável por outro lado, devido ao fato dele querer ser levado ao médico. Afinal de contas, isto seria um desperdício de tempo, como já sabemos. A epifania de Gabriel soa mais como um artifício de roteiro para tirar o Dr. Carson de lá.

Investindo em menos ação e dando mais profundidade a Negan, The Walking Dead construiu um episódio tenso e que mesmo lento, não teve o ritmo prejudicado por conta das boas atuações de Jeffrey Dean Morgan e Seth Gilliam. No entanto, há uma necessidade de movimentar novamente a trama, já que há um nítido ciclo sendo fechado neste primeiro momento com todos os núcleos situados na guerra. Que haja equilíbrio nessa reconstrução.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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