Crítica | Mr. Robot 3×05: ‘eps3.4_runtime-err0r.r00’ é o melhor episódio da série!

Em um dos melhores episódios exibidos na televisão em 2017 e possivelmente o melhor de Mr. Robot até aqui, eps3.4_runtime-error.r00 foi um divisor de águas. Com sua narrativa incomum através de um plano contínuo, montado a partir de vários planos-sequências, em pouco mais de quarenta minutos presenciamos em tempo real uma experiência tensa e inesperada, assim como a segunda-feira ordinária que se transformaria no um verdadeiro inferno que se tornou o edifício da E-Corp.

Não haveria, portanto, um cenário melhor para retratar a desorientação de Elliot. Afinal de contas, sua chegada na empresa já nos diz seu estado de confusão mental em relação ao fim de semana vivido como Mr. Robot. A decisão acertada de não passar por isso e ir direto ao ponto é um grande acerto da série. Se por um lado Mr. Robot pecou na segunda temporada em exaltar demais o mistério e deixou sua história avançar muito pouco, agora temos o senso de urgência como presença constante e que se refletiu neste ótimo capítulo.

O roteiro de Randolph Leon e Kor Adana divide a história em duas partes, onde primeiro temos Elliot tentando não ser descoberto, para depois dar o protagonismo à Angela, tentando fazer o oposto, que é dar continuidade a Fase 2. Aqui vemos não somente o plano sendo finalmente executado, mas as consequências das tensões sociais explodindo através da invasão. Além disso, há um espelhamento narrativo visto através das agendas distintas dos personagens.

Para a construção do suspense, o diretor Sam Esmail tem o imprescindível trabalho do diretor de fotografia Tod Campbell. Por muitas vezes os personagens são enquadrados de forma subjetiva e estamos realmente junto com eles pelas entranhas do edifício. Além disso, há uma direção cênica muito bem executada, com todos os figurantes que interpretam os funcionários fazendo com que a narrativa flua de forma orgânica e aquele ambiente pareça real. A organização de cena do episódio faz toda a diferença e o resultado é incrível.

É necessário destacar as brilhantes atuações de Rami Malek e Portia Doubleday. Ambos transmitem aos seus personagens sentimentos parecidos, que se manifestam de formas diferentes. Enquanto Elliot possui uma confessa fragilidade emocional ao não saber como lidar com sua ausência de memória, Angela faz o que precisa ser feito sem hesitar. O que não significa não ter medo, como ela demonstra nos momentos mais tensos em que ela fica presa. Da mesma forma, Elliot se vê em situações estranhas e com a necessidade de interação. Tudo pela sobrevivência e sustentação de sua missão.

A participação de Carly Chaikin é pequena mas marca os rumos da série e do episódio. É a partir da revelação de que Darlene estava trabalhando para o FBI, ela deve perder novamente a confiança do irmão, mesmo que ela tenha feito o que lhe fora solicitado, seguindo Elliot pelas ruas como Mr. Robot. Para o episódio, é a partir de sua aparição a invasão de fato acontece e encontramos Angela.

Outro fato que pode passar despercebido em eps3.4_runtime-err0r.r00 é que, ao dar protagonismo e conduzir um episódio de forma tão intima com Elliot e Angela, temos a real sensação de que os mesmos estão sendo na verdade conduzidos para a execução de planos maiores. Algumas deixas são dadas, como a televisão do elevador que fala da anexação do Congo à China, reforçando o sentido real de tudo isso. A Fase 2, Fsociety, Tyrell e os dois personagens principais aqui se esforçam para cumprir objetivos e desfazer planos, quando na verdade os grandes interesses permanecem nas sombras e as cordas estão sendo puxadas por trás dos panos.

De fato, aqui temos um divisor de águas não somente pela narrativa diferenciada ou estética, mas porque a história caminha para uma nova fase. Se a segunda for concluída, teremos um novo caminho para os personagens e se algo der errado, as consequências serão ruins para Elliot e Angela. Desta forma, eles terminam o episódio frente a frente, com objetivos distintos, porém, mais próximos e expostos do que se imagina.

Incomum na difícil execução e feito de maneira extremamente competente, eps3.4_runtime-error.r00 deixa a difícil tarefa para o próximo episódio, que é justamente dar segmento ao excelente resultado obtido aqui em Mr. Robot. Uma verdadeira experiência imersiva que resgata o brilhantismo da primeira temporada e acende ainda mais a chama deste terceiro ano, que vem sendo ótimo até aqui.

Nota: Não tivemos as análises dos episódios 3 e 4 desta temporada, os mesmos serão analisados com os demais no review final da temporada.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...