Crítica | The Walking Dead 8×04: Some Guy – cai o rei e surge o cara comum

Chegamos na metade da primeira parte da oitava temporada de The Walking Dead. Mais uma vez escondendo Negan e focando grande parte do episódio no Reino, Some Guy apresentou algumas inconsistências em seu roteiro. Entretanto, aqui tivemos as consequências mais sérias da temporada, por conta do planejamento feito por Ezekiel nos episódios anteriores.

O foco dado ao rei permitiu vermos, através de um flashback do início da guerra, sua preparação para o dia em que eles partem para o conflito. Da mesma forma como nos instantes finais de Shiva (RIP), onde ele diz a Jerry ser um homem comum, visualizamos um Ezekiel que vai se caracterizando para ser o personagem que inspira seus súditos e os faz acreditar na vitória.

Se ao longo do episódio a montagem se perde e não é bem executada, confesso que a transição desta cena inicial (que inclui mais um discurso) para o momento em que todos estão abatidos no chão agradou bastante. Há uma quebra de expectativas e o choque de realidade é sentido. Não havia como se proteger em céu aberto e a coerência foi bem estabelecida para que as consequências trouxessem corpos mutilados e apenas um sobrevivente, que foi protegido pelos demais no final do episódio Monsters.

No entanto, se há algo que está ocorrendo com frequência desde o episódio passado são as conveniências do roteiro. Some Guy foi escrito por David Leslie Johnson, mesmo roteirista de filmes como A Orfã e Invocação do Mal 2. Seu último roteiro para a série foi no episódio Swear, aquele filler onde a Tara encontra a comunidade de mulheres na 7º temporada. Curiosamente, aqui temos praticamente um capítulo a parte, com o peso dramático da morte de Shiva (última conexão de Ezekiel com o passado) e que nos momentos cruciais estabeleceu soluções que surgiram de última hora. É o famoso recurso Deus ex-machina.

Tanto os surgimentos de Alvaro e Jerry, quanto a chegada de Carol e o aparecimento da tigresa foram acontecimentos que não tiveram outro propósito que não fosse uma solução de última hora sendo aplicada.  Em quatro oportunidades Ezekiel foi salvo através de situações forçadas. Já aquela que poderia ser uma grande sequência de perseguição tornou-se um momento digno de filme de ação dos anos 80, onde não há consequência alguma e sobram clichés. Estamos falando de cenas onde Rick não leva nenhum tiro em um carro conversível contra um cara com uma metralhadora ponto 50. Além disso, o que foi aquele pulo do Rick para o carro do lado? Só não perde para o momento em que Daryl surge atrás do carro que Rick desvia para o lado, digno de uma abertura brega de seriado sobre duplas policiais. O diretor estreante Dan Liu não se saiu bem nesse aspecto.

Entretanto, retratar a ascensão e a queda de Ezekiel e dar peso as mortes dos seu “cavaleiros” foi um dos momentos onde The Walking Dead fez o que sabe de melhor, que é focar no lado humano. Em um primeiro momento, há o destaque para como aquele lugar aceita a figura de seu líder e sua aceitação é expressa quando eles o cercam, no fim do discurso inicial. O final de Some Guy é um contraponto, onde ele retorna sem sua melhor arma e companheira, com apenas mais duas pessoas. Como o Reino irá recebê-lo e aceitar novamente essa liderança é um bom vislumbre para os próximos episódios.

Além do peso dos acontecimentos, The Walking Dead apresentou Carol em ação novamente. Ao longo de todas as temporadas, poucas personagens evoluíram tanto e Melissa McBride é parte fundamental para carisma que a personagem possui em tela. Sua participação na série foi se modificando tanto que a partir de agora, com o questionamento do próprio Ezekiel quando ele se pergunta se ela mudou desde o início, seja natural que uma possível liderança possa surgir por parte dela.

No fim das contas, além de retratar a queda de Ezekiel, Some Guy cumpriu três propósitos: deu fim ao núcleo de soldados do Reino para fazer surgir uma nova perspectiva, fez com que Rick pudesse recuperar as armas que iriam para o Santuário e trouxe um fim trágico à Shiva. Esta última de forma sofrível, tanto pela mal execução da cena e o pouco senso de perigo apresentado. Entretanto, não é um episódio em que a trama deixa de avançar e a guerra continua sendo vista, com consequências que começam a aparecer para os dois lados.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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