Crítica | The Walking Dead 8×03: Monsters

Dando continuidade a Guerra Total, o episódio Monsters deu uma pausa na ação desenfreada dos dois primeiros episódios da oitava temporada de The Walking Dead. A trama continuou a se mover mas houve tempo para o desenvolvimento de certas situações e personagens, mesmo que isso não tenha ocorrido de forma totalmente satisfatória.

Outro fator importante aqui é a percepção do tempo e espaço em relação ao que está acontecendo. Se nos dois primeiros episódios, o caos gerado pelos tiroteios e a falta de uma orientação espacial podem ter trazido confusão ao espectador, em Monsters esta impressão melhorou e podemos nos situar melhor nos núcleos e suas ações. Assim compreendemos que após o ataque ao Santuário, Maggie retornou a Hilltop e os demais seguiram em missões nos postos avançados, nos quais situações diferentes se apresentam.

Assim como em Mercy, primeiro episódio desta temporada, a direção fica por conta de Greg Nicotero. E desta vez, bem menos inspirada. As cenas que envolvem tiroteios são confusas, os zumbis que rolam através de um penhasco são risíveis e a tensão que deveria existir entre Morgan e Jesus é diminuída pela falta de expressividade de Lennie James (este principalmente) e Tom Payne. Além da chata e desnecessária cena de luta, especialmente pela forma como ela ocorre. 

O roteiro escrito por Channing Powell  e Matthew Negrete não é de todo ruim, apresentando um bom diálogo entre Rick e Morales, no qual o protagonista mais uma vez tem a oportunidade de fazer uma reflexão acerca de si mesmo. Em determinado momento, o ex-sobrevivente de Atlanta que retorna para morrer através das flechas de Daryl cumpre o propósito de seu retorno, ao lembrar o ex-policial bonzinho (como ele mesmo diz) que eles não são mais os mesmos. E a constatação vem através das próprias atitudes de Daryl, que executa qualquer um a sangue frio e não exita em matá-lo. Este também é um daqueles que estavam lá desde o início mas ele simplesmente não se importa.

No entanto, muitas conveniências do roteiro mostram que o cuidado com a história contada não foi o melhor aqui. Por que Morales, aparentemente com um cargo de liderança, tendo em seu poder o homem mais importante dentre os inimigos de Negan, simplesmente o mantém refém com a porta aberta e de costas para ela? Da mesma forma, não faz sentido que o homem rendido no fim do episódio, já escondido, atire apenas para que seja encontrado e possamos saber a localização das armas.

O mesmo pode ser dito do subaproveitamento do relacionamento entre Aaron e Eric, com o episódio destacando alguns minutos de tela em algo com imenso potencial mas que não foi desenvolvido antes na série. O momento poderia representar algo com que nós pudéssemos nos importar mais e que no final das contas, não teve o mesmo peso que poderia alcançar. Se ao menos ele tivesse aparecido transformado…

No entanto, há uma importante constatação em relação a separação de Morgan do grupo liderado por Jesus e Tara. Além de evidenciar que o protagonista realmente possui algum transtorno mental que poderia prejudicar o seu grupo em algum momento (o que é obvio), The Walking Dead utiliza esse afastamento como uma forma de estabelecer um possível retorno do personagem no futuro, para salvar o dia ou sendo capturado. Veremos qual o caminho irá ser seguido nos próximos capítulos.

Sobre a emboscada sofrida pelo Reino, o perigo real pelo qual eles irão passar nada mais é que fruto de atitudes extremamente mal calculadas. Afinal de contas, não são apenas discursos shakespearianos que vencem uma guerra, não é Ezekiel? Adentrar um perímetro totalmente aberto, sem vasculhar o local, é no mínimo falta de inteligência, mesmo que você não seja um militar treinado. Alguns momentos antes do ataque a tiros, Carol deixa o local para fazer a varredura, o que é certamente uma forma de escondê-la do perigo. A série ainda não está preocupada em matar seus heróis neste momento da temporada, e se isso ocorrer, deve ser de forma mais impactante e catártica.

Outra coisa precisa ser dita. Há um caráter destoante em relação aos Salvadores. Tidos como grande ameaça da série até então, ora eles são mortos por membros de Alexandria que até pouco tempo mal sabiam empunhar uma arma, ora são exímios estrategistas que encurralam seus oponentes. Mas o simples fato de que em uma guerra existem batalhas, assim como vitórias e derrotas, amenizam um pouco a situação. A manutenção de salvadores como prisioneiros por Jesus, além do retorno de Greg a Hilltop também trazem assuntos que lidam com o pós-guerra, que é para onde The Walking Dead irá quando Negan finalmente for aniquilado. Falando nisso, já está na hora do retorno do vilão a série, assim como de Eugene, Simon e Dwight.

Há um ponto positivo nesse emaranhado de coisas boas e ruins em Monsters. A narrativa, que é a maneira como a história está sendo contada, foi mais equilibrada. Embora existam erros em profusão e também acertos, o equilíbrio encontrado aqui não torna o episódio cansativo e seu ritmo é bom. Note como 40 minutos de ação apenas pela ação pode ser tão cansativo quando aqueles episódios da temporada passada, onde acontecia muito pouco ou quase nada. Diálogos, discussão dos temas centrais e ação, quando dosados de forma correta, fazem uma trama avançar sem que haja excessos. Quando há uma boa direção e um bom roteiro (não foi o caso desta vez), as coisas melhoram ainda mais, diga-se.

Apresentando em seu desfecho o primeiro momento de real perigo para o grupo de Rick durante a guerra, The Walking Dead continua se saindo melhor neste oitavo ano, tentando recuperar o fôlego nesta guerra que exige inevitavelmente um bom ritmo. Dentro das possibilidade e do universo estabelecido até aqui, as coisas ainda estão controladas, mesmo que Monsters tenha nos mostrado que a guerra precisa trazer consequências maiores para que as atenções realmente recaiam sobre a série, da forma como ela merece.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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