Crítica | The Walking Dead 8×01: ‘Mercy’ inicia a oitava temporada de forma promissora

Provavelmente você já deve ter ouvido que o primeiro episódio de uma temporada de The Walking Dead foi promissor. Tomemos como exemplo o chocante início da 7º temporada, onde curiosamente os grupos deste novo ciclo se encontravam em situação bem diferente. O que veio depois não é assunto para agora mas de fato, Mercy iniciou a jornada desta oitava temporada como não poderia deixar de ser. Com muita ação e objetividade, o contra-ataque de Rick foi intenso, assim como deverá ser a grande guerra.

O centésimo episódio de The Walking Dead cumpriu com eficiência o seu papel em situar novamente uma nova realidade para o espectador. Abandonando de vez a resignação de Rick e dando sequência a batalha ocorrida no ultimo episódio da temporada anterior, Alexandria, Hilltop e o Reino se uniram para uma investida contra o grupo de Negan. A cena que abre o episódio desemboca em um discurso inflamado sobre esperança e luta, onde Andrew Lincoln desempenha um bom papel. Curiosamente, boa parte dos acontecimentos se desenvolveram de maneira silenciosa, com o desenrolar do plano ficando visível apenas aos nosso olhos.

Dirigido por  Greg Nicotero, que também foi o diretor do episódio de estreia da última temporada, Mercy teve como roteirista outro veterano da série, o showrunner Scott M. Gimple, que também assinou o roteiro do fatídico dia em que Negan matou Abraham e Glenn. Naquela ocasião, os eventos definiram como seria a temporada 7, com uma mudança completa de status dos núcleos e personagens. Aqui eles também pontuam bem qual o tom da oitava temporada mas conseguem alternar momentos distintos: o presente com a guerra acontecendo, um possível futuro com ares de sonho e um outro momento, onde Rick recita o verso do alcorão “minha misericórdia prevalece sobre minha ira”, que já havíamos ouvido de um personagem misterioso encontrado por Carl.

Se por um lado a saraivada de tiros que não matou nenhum Salvador, incluindo Negan, pode ter parecido uma bela conveniência de roteiro, a misericórdia do Padre Gabriel (que não prevaleceu sobre sua ira) soa como uma rima interessante e pode desvendar um dos momentos intrigantes do episódio, em que vemos o líder de Alexandria com seu conhecido olhar que caracteriza aflição. Isso nos leva ao fato de que o destino de Gabriel não deverá ser animador.

O desenrolar do plano, com todos os núcleos atuando em conjunto, possibilitou o aparecimento de diversos personagens, embora a figura central tenha sido Rick. Nas cenas onde ele aparece de bengala e com uma barba maior e branca, a direção de arte entrega um visual mais clean, dando uma sensação fantasiosa e utópica àquela realidade. Uma vez que assumimos isso como evento futuro, podemos até cair em uma armadilha, quando o próprio Rick diz a Maggie em determinado momento do episódio que “o futuro é agora”. Ainda é cedo, porém, para saber o que a série quer nos dizer com isso.

A participação de Dwight nos planos de invasão à sede dos Salvadores também foi algo essencial para o planejamento. O desenvolvimento dessa virada do personagem se deu ao longo da 7º temporada e ter um infiltrado sempre confere uma certa vantagem. Era natural e esperado que isso acontecesse em algum momento e se teve alguma construção que a longo prazo funcionou, na temporada passada, foi esta.

Novamente voltamos a ver uma grande horda e um número considerável de mortos. No entanto, somente nos momentos finais isso aconteceu através de um plano mais aberto visto de cima, quando Negan se vê encurralado com Gabriel no que parece ser um contêiner, e podemos ver a grandiosidade do grupo. Quanto aos zumbis que são mostrados durante o episódio, a criatividade da equipe de efeitos práticos e especiais continua evidente, embora não seja algo que cause mais espanto. The Walking Dead já chegou em um ponto de sua trama em que os vivos causam mais arrepios que os mortos. A não ser que você não tenha pelo menos uma faca, é claro.

É também interessante notar a inversão de posição que acontece entre Negan e Rick. Se de um lado temos o sempre carismático e líder do Santuário que não perde a pose sendo acuado, do outro vemos Rick pela primeira vez batendo de frente e se impondo, com alguns trejeitos que zombam de forma irônica seu oponente. É justamente no momento de maior tensão que o episódio ganhou seu momento mais engraçado mas que funcionou surpreendentemente bem, pelo que conhecemos dos personagens até aqui.

Preparando o terreno para aquela que em tese deve ser a temporada mais explosiva em The Walking Dead, Mercy apresentou o início de um conflito e agora não haverá espaço para subtramas adjacentes ao objetivo principal estabelecido. Como um episódio único funciona bem e como introdução de um novo arco, é um animador cenário plantado para os novos rumos da série.

Se The Walking Dead já não parece ter um objetivo bem definido após 8 anos de idas e vindas por ai, na base da ação calcada na guerra, há possibilidade de equilibrar o drama e a angústia de um mudo cada vez mais povoado por mortos cambaleantes, além dos vivos, não menos assustadores.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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