Crítica | Mr. Robot 3×01: eps3.0_power-saver-mode.h

Indo direto ao ponto e definindo de forma ágil as questões deixadas no último episódio da segunda temporada, Mr. Robot retornou para o seu terceiro ano entregando um episódio com o ritmo lento, mas com bons avanços em sua trama. A prometida tentativa de desintegração de Elliot (Rami Malek) nos deu visões distintas do protagonista e novas perspectivas para a série.

De forma geral, o episódio não direcionou sua narrativa para o mistério, algo que foi predominante em praticamente toda a trama da segunda temporada. Ao invés disso, a tensão entre os personagens foi explorada de maneira acertada. A interação entre eles, a confiança frágil em que se encontram essas relações e a manutenção da atmosfera densa mostram que há um vislumbre de uma nova fase para a série.

Um dos acertos de Mr. Robot foi iniciar a terceira temporada no mesmo ponto onde vimos os últimos instantes do ano anterior. Sob a ótica de Irving, personagem de Bobby Cannavale, sabemos que a nova adição ao elenco está ali com uma função importante: manter o controle para o Dark Army. Seu cartão de visitas é um aviso de que o personagem pode ser cômico mas também intimidador, portanto não se engane. E se o controle de Elliot era apenas uma ilusão na temporada anterior, aqui ele parece ser primordial para os planos da organização. É preciso manter o hacker nos trilhos, como aparentemente está acontecendo com Tyrell Wellick (Martin Wallström). Para isso, uma personagem será fundamental.

Firmando-se como uma das mais ambíguas e imprevisíveis personagens da série, Angela (Portia Doubleday) já demonstrou ter papel fundamental para esse novo arco. Sua presença tem como objetivo manter Elliot nos trilhos e assegurar que Mr. Robot faça o seu trabalho e conclua o que planejou.  O relacionamento de Elliot com Angela é absolutamente intrigante neste episódio. O mais interessante é que, mesmo se dividindo entre E Corp, Dark Army e Fsociety, ainda não sabemos exatamente qual é a real intenção da personagem, o que a torna uma das melhores coisas que poderemos ver este ano. E sim, é bem possível que em algum momento ela possa ceder a algum avanço amoroso para manter as rédeas. Veremos.

Agora não temos somente um Elliot que retoma a confiança com o espectador, mas que quebra a quarta parede. Mesmo que seja fruto de sua mente e não em uma ação concreta. Uma das melhores cenas é quando ele faz um monólogo de auto-indulgência, com criticas ao consumismo e à revolução. Mesmo sendo feito de uma forma que já experimentamos e que soa até como uma certa pretensão do diretor e roteirista do episódio Sam Esmail, criador da série. A sequência nos mostra, porém, que Rami Malek já está tão à vontade no papel que uma ideia reciclada ainda funciona. Os recortes de imagens e trechos que envolvem a política norte-americana também representam uma boa sacada.

O início de temporada continua a explorar as consequências da derrocada da Fsociety. O maior expoente disso é Darlene (Carly Chaikin), que carrega consigo uma angústia crescente, além das crises de pânico que cada vez mais se intensificam. Com Cisco morto e Mobley e Trenton fora do radar, sua paranoia continua sendo algo que ainda poderá ser destrutivo. Sua maior dúvida é sobre a fase 2 e se de um lado temos Angela trabalhando com o alter ego de Elliot, para dar continuidade ao plano, do outro teremos Darlene tentando impedir isso. Será interessante acompanhar esse antagonismo.


A sinopse da terceira temporada de Mr. Robot já apontava para a luta de Elliot contra o seu outro eu. O mais interessante agora é que após ser baleado, as coisas assumiram um novo caráter. Agora há mais autonomia pra Mr. Robot, e também para Elliot, pois os dois parecem ser cada vez mais distintos.

Neste momento vemos o Mr. Robot de Christian Slater – cada vez melhor diga-se – falando diretamente com outros personagens, algo que vimos apenas com Tyrell, lá na primeira temporada. Além disso, é possível ver cada vez mais Rami Malek sendo Mr. Robot, como por exemplo nas cenas com Angela e Irving. As personalidades estão cada vez mais antagônicas, em contraponto ao corpo que de forma inversa, enraíza as duas personalidades.

Em eps3.0_power-saver-mode.h, dá para notar um certo ar de ficção científica  retornando em Mr. Robot. Seja nas instalações onde Whiterose (BD Wong) fala sobre a importância de Elliot, seguido por uma abertura digna de filmes de exploração espacial, ou até mesmo na enigmática fala de Angela Moss, sobre a possibilidade de “resetar” todos os acontecimentos vividos por eles.  É bom lembrar: série já chegou a flertar com essa temática anteriormente, até mesmo nas entrelinhas pela maneira como o líder do Dark Army trata o tempo. No entanto, nada disso foi abordado.

A direção de Sam Esmail manteve alguns padrões estéticos da segunda temporada, demonstrando a desorientação das personagens através de seus enquadramentos deslocados. No entanto, houve uma quantidade surpeendente de cores, tanto no restaurante onde Irving é apresentado, ou no salão onde Elliot utiliza os computadores. Também tivemos belo plano longo quando Elliot chega ao local onde vários hackers estão reunidos, com a câmera passeando com os personagens.

Mantendo o pé no chão, o retorno de Mr. Robot nos deu uma boa visão do que iremos assistir nesta temporada. Há personagens que ainda precisamos ver, como Phillip PriceDominique DiPierro Joanna Wellick. No entanto, ao focar na breve mas eficiente volta de Elliot ao jogo, o episódio manteve o foco e mesmo contido, teve a capacidade de reposicionar as peças para um novo ciclo.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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