Crítica | ‘Atômica’: Charlize Theron bota pra f*der em um estiloso filme de ação e espionagem!

A sinopse de Atômica é a mais honesta possível e caracteriza o filme com os seguintes atributos: sensualidade, brutalidade e espionagem. Em um ano onde o cinema de ação tem tido boas surpresas como Em Ritmo de Fuga e John Wick: um Novo Dia para Matar, o estiloso longa surge como uma empolgante e envolvente história, com uma protagonista hipnotizante.

No longa, Lorraine Broughton (Charlize Theron) é uma agente britânica disposta a enfrentar qualquer desafio e a usar todas as suas habilidades para sobreviver à uma missão impossível. Dias antes da queda do muro de Berlim, a assassina mais brutal do MI6 é enviada a cidade para recuperar uma lista de agentes secretos e pegar um agente duplo britânico que trabalha na Alemanha Ocidental. Ela se une ao chefe da estação local, David Percival (James McAvoy) e se envolve em um jogo letal de espiões.

Quem dirige o longa é David Leitch. É curioso notar que sua carreira é extensa em Hollywood, com trabalhos creditados desde 1995. Seja coreografando cenas de ação ou atuando como diretor assistente e dublê, seu primeiro filme como diretor veio somente em 2014, no bom John Wick. O resultado lhe garantiu a direção de Deadpool 2, que estreia em 2018, além de Atômica. Aqui ele parece reforçar sua marca pessoal com ótimas cenas de luta e sequências de ação de tirar o fôlego, auxiliado pela fotografia azulada e fria de Jonathan Sela, presente em todos os projetos de Leitch como diretor.

O resultado de toda essa combinação não poderia ser outro. É fácil admitir que Atômica é um filme estiloso, que se move com elegância mesmo em meio ao caos gerado por muitas situações. A trama envolvente é baseada na graphic novel The Coldest City, escrita por Antony Johnston e desenhada por Sam Hart. O responsável pelo roteiro é Kurt Johnstad, que tem a difícil tarefa de entregar uma história que possa dar oportunidade em equilibrar uma intrincada trama de espionagem, ao mesmo tempo em que desenvolve a protagonista e entrega a ação necessária. Há um equilíbrio narrativo suficiente para mover o longa que em quase duas horas nunca perde o fôlego.

Charlize Theron é disparado o que há de melhor no filme, embora o conjunto por si só seja muito bom. A forma como ela se movimenta através de sua expressão corporal, seu olhar frio e sua atitude empoderada garantem o status de confiança que a personagem precisa, sem perder a humanidade. A câmera não se cansa de acompanhar a protagonista, ao passo em que a audiência certamente não se cansará do arsenal de possibilidades que a personagem possui, ora frágil em uma banheira de gelo após um conflito, ora segura de sua sexualidade e com uma força que a faz enfrentar qualquer um de igual para igual.

A determinação com que Lorraine lida com as situações que envolvem inteligência ou exigem o confronto físico são o diferencial para ficarmos vidrados nos passos da espiã. O conteúdo emocional atribuído à personagem nos fazem crer que não haveria melhor escalação. Charlize encarna, além de uma personagem feminina forte, uma mulher que precisa lidar com os conflitos em campo e ao mesmo tempo enfrentar as consequências de sua missão.

James McAvoy também aparece bem como um agente secreto, com meios poucos convencionais de trabalho e uma conduta duvidosa. É um papel que se encaixa bem para o ator que este ano já brilhou em Fragmentado. Embora o protagonismo de Charlize seja evidente, não há como negar que McAvoy tem um papel importantíssimo na trama, fazendo com que ela avance em todos os atos.

O elenco de apoio é bom e atende o que a história precisa. No entanto, não há profundidade alguma aos personagens de John Goodman, Toby Jones e James Faulkner, se encarregando apenas de nos inserir no contexto mais burocrático da história, durante o interrogatório de Lorraine que se alterna com a história de sua missão. Este recurso não é novo, diga-se, mas o envolvimento com a história não faz com que ele seja algo ruim. Na contramão dos demais, quem aparece muito bem é Sofia Boutella, uma agente francesa que além de possuir uma química muito boa com a protagonista, acrescenta à trama toques de mistério e sensualidade.

A trilha sonora do filme é um elemento muito importante em Atômica. É curioso notar que, a título de comparação, outro filme já citado nesse texto também possui este recurso como um dos melhores componentes de sua trama. No entanto, se Em Ritmo de Fuga Edgar Wright utiliza a música como algo essencial para contar a história, aqui temos uma trilha que evoca os anos 80 e situa bem a narrativa. É impossível não se empolgar com a sequência inicial ao som de New Order com Blue Monday 88 sendo tocada, ao passo em que em outros momentos Under Pressure (Queen and David Bowie) e Father Figure (George Michael) se unem a sucessos de outros artistas como Depeche Mode, The Clash, entre outros.

A história em si não oferece uma grande novidade ao seu público, é necessário dizer. Um espião na caça de uma lista ultra-secreta não é a mais inventiva das ideias, bem como reviravoltas e personagens não confiáveis. Mas a forma como o enredo se desenvolve acaba por não deixar esta impressão no ar, com personagens capazes de gerar envolvimento com a trama. Além disso, a construção dos cenários e toda a atmosfera é crível e imersiva, mesmo que nós nunca tenhamos ido a Alemanha no final dos anos 80.

Apostando em criar um clima que evoca uma época, se apoiando em uma boa trilha sonora e em uma protagonista que dá conta do recado, Atômica não possui seu diferencial no conteúdo e sim na forma. É um filme com estilo e identidade visual muito bem definidos, além de contar com Lorraine Broughton, uma protagonista “badass” que não seria o que é sem a ótima atuação de Charlize Theron.

Avaliação:


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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