Crítica | Game of Thrones 7×05: Eastwatch

Quando a HBO anunciou que a 7º temporada de Game of Thrones teria apenas sete episódios, era de se supor que o andamento dos acontecimentos pudesse ter um ritmo mais acelerado. Muito do que a série construiu, embora tenham havido deslizes, foi de forma orgânica e dando tempo ao tempo. O aviso prévio soou até como uma tentativa de justificativa mas não podemos ignorar o fato de que Eastwatch, a despeito de bons acontecimentos, avançou como nunca a história para chegarmos a um determinado ponto.

Em quase uma hora de episódio, quase todos os núcleos puderam ser vistos. Em muitos casos Game of Thrones opta por deixar de fora alguns personagens para proporcionar o desenvolvimento de outros. Aqui nota-se uma tentativa de avançar a trama sob diversos pontos de vista e o dinamismo possibilita visualizarmos vários locais  e pessoas diferentes, em linhas de tempo distintas, o que pode passar despercebido e causa uma certa confusão temporal.

Iniciando-se a partir dos acontecimentos derradeiros na batalha contra os Lannisters, Eastwatch começa com um belo plano e uma cena que deixa claro o caráter que esta guerra tem para dois personagens. Jaime está vivo (mesmo com todo o peso) e Bronn preocupa-se apenas com seu ouro perdido. O regicida parece estar disposto a morrer nesta guerra mas não é bobo: ele sabe que não tem chance alguma. É no mínimo curioso, no entanto, que eles tenham conseguido nadar até o outro lado e se safar. É uma conveniência e tanto do roteiro, mas não a única aqui. E não para os dois se lembrarmos de como eles entraram e saíram de Dorne, na temporada passada.

O destino não foi muito feliz para os Tarlys, até porque eles não quiserem que assim fosse. Na decisão tomada por Daenerys de queimar vivo um lorde e seu herdeiro, duas coisas são passíveis de observação: a sua postura de ajoelhe-se o morra cada vez mais inflamada (sem trocadilhos) e a tentativa de Tyrion de demovê-la da ideia. A influência do anão já não parece ser a mesma, no entanto, ela ainda está parando para ouvi-lo.

Voltando a Pedrão do Dragão (sem muita demora), acontece uma das cenas mais bem executadas em termos visuais de Game of Thrones. É também uma das mais desencaixadas. Explico. O visual de Drogon nesta temporada tem sido incrível. O imponente dragão é sem dúvida alguma assustador e quando o vemos de perto, com seus enormes e afiados dentes, suas escamas grossas e a expressão de seus olhos, percebemos o quanto esta temporada tem sido cuidadosa com o aspecto técnico. Mas a cena em si parece apenas querer apenas reforçar que Jon é um Targaryen, por meio de um recurso visual bacana, plantando uma informação que já seria confirmada mais tarde na Cidadela. Mas sejamos justos, foi de arrepiar a recíproca familiar entre os dois.

Ainda no mesmo segmento, o retorno de Jorah trás mais um personagem de volta ao convívio de Daenerys. E que azar do nosso glorioso friendzone. Ele chega em um momento onde justamente as coisas estão ficando mais envolventes entre Jon e Danny. O quê? você não percebeu ainda? Certo é que sua estadia em Pedra do Dragão será curta. Ou ele pode ter ficado lá por um tempo, vai saber (linhas temporais). Mas no mesmo episódio, no fim,  já o vemos em um lugar bem distante.

Eles estão chegando

Quando Bran consegue ir ao extremo norte com sua visão, temos uma das melhores cenas do episódio. Em um magnífico plano aberto sob o ponto do visto do corvo que ele controla, uma multidão incontável de mortos é vista, incluindo ai o assustador Rei da Noite. O Corvo de Três Olhos decide então soar o alarme em todos os cantos, anunciando que a chegada dos white walkers está próxima, lá naquele castelo onde Tormund foi enviado no ínício da temporada. Os fatos que se desenrolam a seguir é que são um tanto inusitados.

O instinto de Jon em lutar é indiscutível. Ir para o Norte e combater a ameaça com sua gente é algo mais do que natural, mas voltamos àquele impasse sobre ajoelhar-se, ajuda e confiança. Mesmo sendo repetitivo, é coerente com o que vimos até aqui nesta temporada de Game of Thrones. Mas quando o plano de buscar um white walker para mostrar a Cersei que eles existem vem a tona, é demais. Jaime viu a cara da morte através de uma criatura bestial que cospe fogo. E pior, são três. Como esses personagens podem ainda duvidar da existência dos mortos, e pior, há necessidade de buscar um exemplar vivo para prova sua existência? Aliás, vivo. Não, morto. Deu tela azul por aqui. Mas duvidar até podemos pensar em relevar pois até os meistres da Cidadela não levam fé. Agora levar um deles em cativeiro…

Voltando a ser um personagem dominado, Jaime retorna à Porto Real. No entanto, desta vez ele é mais ousado, tentando convencer Cersei de que a derrota é certa, além de dizer a irmã que Olenna foi quem evenenou Joffrey. Sua reunião secreta com Tyrion também é uma das boas cenas do episódio, onde vemos em seus rostos a sinceridade das motivações de cada um. Jaime tem um turbilhão de informações para processar: o fato de que há uma possibilidade de cessar fogo, além do fato de que a irmã sabia de seu encontro e que será pai novamente. Se você quer ver a rainha morta (ou queimada), isso vai amolecer seu coração?

Na Baixada das Pulgas, Gendry está de volta, após três temporadas. O recrutamente do bastardo de Robert Baratheon indica que: teremos mais um personagem interessante na temporada (viram como ele usou aquele martelo?) e qualquer que seja a dupla que o Cavaleiro das Cebolas forme, esta será boa de se ver. A construção da cena onde eles deixam a praia também é outro ponto alto do episódio, com uma composição muito boa do diretor Matt Shakman, sobre usarem a força ou a inteligência.

Me dê motivos, pra ir embora

Sam tentou de todas as formas ser útil e aprender o que pudesse torná-lo alguém que pudesse fazer a diferença. Sabe quando você está estagiando em um emprego fazendo coisas chatas mas há uma expectativa de crescimento? Acho que Sam não viu isso por lá. A descrença dos meistres sobre os assuntos mais fantásticos são impressionantes. Reafirmo: estamos em um universo onde três dragões estão voando por ai, mas white walker, que absrudo. Agora reparem o seguinte: como foi dito no início do texto, o tempo está correndo rápido e em linhas do tempo distintas. Os meistres já sabiam da morte do pai e do irmão de Sam.

Mais tarde, o que parecia ser o momento do episódio para dar uma checada no celular acabou se transformando na revelação impactante sobre Jon Snow. Quer dizer, nem tanto, nós já desconfiávamos. O mais interessante é saber que isso fora registrado e mais ainda, constatar que passou batido por Sam e Gilly, que ao falar sobre a anulação de casamento foi interrompida pela revolta dele. A decisão em colocar o personagem fora dali é muito boa para a série, pois vai alterar sua perspectiva, além de já ter contribuído muito à distância. A forma como foi isso foi sendo construído também é um ponto positivo.

Intrigas no Norte

Se há uma tensão familiar (e conjugal) acontecendo em Porto Real, em Winterfell as coisas parecem ir para esse lado também. Primeiro com Sansa tentando apaziguar os ânimos dos lordes nortenhos, em uma tentativa de não perder apoio das casas, insatisfeitas com a demora de Jon. Sim, presume-se que ele está em Pedra do Dragão há alguns meses e não por um feriadão, como o andamento da temporada vem sugerindo. É preciso se atentar a estes detalhes.

A relação entre Arya e a irmã nunca foi das melhores. Aqui isto é reforçado através de diálogos sobre o requinte que Sansa gosta de ter e o questionamento sobre sua postura ao não defender Jon com mais veemência.

“Robb, estou lhe escrevendo de coração partido. Nosso bondoso Rei Robert está morto pelas feridas causadas em sua caçada. O pai foi acusado de traição. Ele conspirou junto com os irmãos de Robert contra o meu amado Joffrey e tentou roubar seu trono. Os Lannisters estão me tratando muito bem e providenciando todo conforto. Eu te imploro: venha à Porto Real, jure fidelidade ao Rei Joffrey e previna quaisquer conflitos entre as grandes casas Lannister e Stark.”

A carta plantada por Mindinho também é uma daquelas jogadas que nos fazem odiar ainda mais Petyr Baelish, mas o que ele tem a perder agora? Contextualizando, Sansa foi forçada por Cersei a escrever quando ela estava em Porto Real. A carta informava a Robb Stark que Ned era um traidor e pedia a ele que jurasse fidelidade a Joffrey. O que aconteceu depois disso, vocês devem se recordar. Se Arya não for mais esperta que isso, afinal, o quão safa ela realmente se tornou? A conferir.

Os Sete Samurais

Intencional ou não, veja a referência: em 1954, Akira Kurosawa contou em Os Sete Samurais a história de um samurai que atende a um pedido de proteção contra bandidos que ameaçam uma vila. A grande batalha se dá quando 40 bandidos atacam a vila, o que originou o clássico de faroeste Sete Homens e um Destino (1960), que por sua vez teve sua refilmagem em um longa lançado em 2016, de mesmo nome. Eis que aqui, temos os Sete Samurais de Jon Snow, em uma espécia de missão digna de Esquadrão Suicida.

Sumidos a alguns episódios, ver o Cão de Caça, Beric Dondarrion e Thoros presos até foi uma surpresa interessante. A falta de interesse de Jon (que já chegou em casa) em ver os irmãos também surpreende. Sua reação em Pedra do Dragão foi fria, é verdade. Até pela ameaça que se seguia. Mas ir direto ao ponto, mesmo sem uma escala em Winterfell pareceu um desleixo do roteiro. Até mesmo pelo fato dos próprios irmão estarem lá.

Voltando a missão, além da irmandade teremos Jon, Gendry, Jorah e Tormund. Game of Thrones tem pisado no freio em ceifar personagens e dada a natureza suicida da missão, é difícil que o grupo permaneça completo. Veremos como isso vai funcionar.

Últimas palavras

* Mais um diálogo interessante entre Varys e Tyrion, sobre os instintos de Daenerys. A Aranha sabe das coisas.

* Quando Tormund perguntou sobre a mulher grande,  foi impossível não rir.

* Outro momento engraçado sai da boca do gigante ruivo: “qual rainha eles devem convencer? A dos dragões ou a que fica com o irmão?”.

* Ausente mais uma vez, estará Euron Greyjoy construindo mais barcos?


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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