Crítica | Em Ritmo de Fuga (Baby Driver) é um filmaço!

Logo na primeira cena de Em Ritmo de Fuga (Baby Driver), a sensação de que boa coisa virá pela frente é inevitável. Durante as quase duas horas de filme isto se concretiza, através de uma ação frenética e a música que pulsa a todo instante, sendo uma experiência cinematográfica completa.

O filme acompanha Baby (Ansel Elgort), um rapaz que precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos. Motorista de uma gangue de criminosos, ele cai na estrada em fuga após um assalto a banco não sair como planejado. Como assistimos ao filme sob o ponto de vista do protagonista, tudo o que ele ouve se conecta com a história e conversa constantemente com o longa.

A direção é de Edgar Wright , que também assina o roteiro e mantém sua leva bons e divertidos filmes, como os mais recentes Heróis de Ressaca (2013)Scott Pilgrim Contra o Mundo  (2010)Em Ritmo de Fuga não deixa a peteca cair em nenhum minuto. Entretanto, mesmo sendo um filme alucinado em boa parte, permite-se respirar nos momentos certos para retomar sua ação logo em seguida. O trabalho de montagem e edição de som também faz saltar os olhos, com insanas sequências de ação que formam um casamento perfeito entre o que se ouve e vê em tela. As tomadas são pensadas de maneira inteligente e mesmo havendo perseguições em alta velocidade, tudo o que está acontecendo é visto com clareza. Além disso, há vários momentos bacanas que incluem um plano-sequência muito divertido no início, assim que a ação dá a sua primeira freada.

E pensar que Homem-Formiga quase teve a direção de Wright, que se afastou do projeto por diferenças criativas. É no mínimo curioso pensar como seria um filme da Marvel fora de sua zona de conforto…

A trama em Em Ritmo de Fuga não é elaborada e vai direto ao ponto. Isso nos leva diretamente a diversos personagens, sendo Doc (Kevin Spacey) o elemento central que faz as coisas acontecerem. O veterano ator conserva alguns trejeitos de Frank Underwood de House of Cards, mas convenhamos, isso não é ruim. Líder da organização criminosa, é ele quem organiza os assaltos, gerencia as equipes e controla toda a logística do grupo. Optando por nunca trabalhar com a mesma equipe por mais de uma vez, somos apresentados a vários personagens que com muito ou pouco tempo de tela, não decepcionam. Isso também nos permite conhece a dinâmica destes personagens em grupos distintos, o que aumenta a imprevisibilidade das reações de cada um.

O elenco de apoio desempenha um ótimo papel, com nomes como Jamie Foxx, Jon HammEiza González, Jon BernthalLanny Joon e Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers, se revezando nos trabalhos que são designados. Cada um deles possui uma personalidade diferente e embora não tenham mais que uma camada a oferecer, com exceção de um ou outro momento, o filme não exige isso e o que é apresentado é o necessário. Como elementos que apoiam a trama do personagem principal, isto torna-se suficiente.

O protagonista Baby é interpretado de maneira muito competente por Ansel Elgort. Em uma mistura de introspecção com um tom meio blasé que o papel exige, há momentos mais explosivos que envolvem dança, corridas, saltos e principalmente uma atuação crível ao volante, e ele dá conta. O carisma do ator também é fundamental para que sua presença em tela seja louvável mas isso se eleva quando seu par romântico (Lily James) também está em cena. A química do casal é nítida e o carisma da moça também contribui para a fluidez da trama de Baby e Debora.

Quanto a trilha sonora, isto é um show a parte. Artistas como Simon & Garfunkel , Barry White , Focus , Blur, Queen, Beck e The Beach Boys entre outros, ajudam a formar uma imensa e deliciosa playlist que casa de forma certeira com as cenas e ocasiões. Um deles, ao som de Easy do The Commodores, é um exemplo exato de como a trama desacelera e ainda assim, continua combinando perfeitamente seus elementos. Neste momento, uma câmera lenta segue o personagem e o acompanha até um determinado ponto onde o recurso não fica cansativo e serve muito bem à narrativa.

Você pode até se perguntar se Em Ritmo de Fuga oferece uma visão do crime que é glamourizada. De fato o filme é muito divertido, os personagens são carismáticos mas são bandidos e isso não deixa de gerar um certo desconforto. Tanto é que, tanto no segundo quanto  no terceiro ato, a trama assume contornos que trazem consequências reais aos atos cometidos, fazendo com que o roteiro não banalize o que se propõe a contar.

Mais do que as perseguições e os trabalhos que Baby precisa realizar, existem as motivações que são exploradas ao longo do filme. Tudo é explicado e não ficam pontas soltas. Nada disso, é claro, justifica dirigir para um criminoso mas o arco de desenvolvimento do personagem se justifica e sua evolução é notada. É neste ponto que Em Ritmo de Fuga mantém o pé sua coerência com o universo proposto.

Mais do que boas impressões, o longa de Edgar Wright é uma prova de que o cinema  blockbuster pode ser bom sem ser esquecível ou mal executado. Com um elenco que marca presença, ótimas cenas de ação e uma direção impecável, Em Ritmo de Fuga é um dos melhores filmes do ano até o momento. É difícil que o público não saia empolgado do cinema, mas se for dirigir, por favor, não pise fundo. Você vai querer fazer isso.

Avaliação:  


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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