Crítica | Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Após cinco filmes e duas interpretações diferentes, um novo Homem-Aranha foi apresentado ao público em Capitão América: Guerra Civil. Porém, sendo apenas uma participação, somente um filme solo do herói poderia nos dar a dimensão exata de como essa versão se sairia. Acertando no tom e introduzindo o mais novo Peter Parker retratado até hoje, Homem-Aranha: De Volta ao Lar consegue inserir o amigão da vizinhança no Universo cinematográfico da Marvel sem deixar de contar uma história fechada.

Após a batalha entre alguns vingadores no aeroporto da Alemanha, entusiasmado por sua experiência e sob o olhar atento de seu novo mentor, Tony Stark (Robert Downey Jr.), Peter Parker (Tom Holland) retorna à casa onde vivia com sua Tia May (Marisa Tomei). Distraído por pensamentos de provar ser mais do que apenas o Homem-Aranha, ele tenta se readaptar à sua rotina diária de adolescente. Quando o Abutre (Michael Keaton) emerge como um novo vilão, tudo o que Peter considera mais importante em sua vida passa a ser ameaçado.

A direção do filme é de Jon Watts, em seu primeiro trabalho de tamanha repercussão. A responsabilidade neste tipo de filme não se resume apenas em contar uma história, mas também inseri-lo em meio a um universo cinematográfico com mais de uma dezena de filmes lançados. Ainda há o fator presente em todos os filmes da Marvel que é a chamada “fórmula”, com humor e aventura proporcionais. No entanto, o clima colegial e o próprio personagem, por si só, já fariam que isso fosse possível, independente de qualquer conexão.

Além da idade, o que difere o Peter Parker de Tom Holland de seus antecessores Tobey Maguire e Andrew Garfield é o fator tecnológico. Ter um padrinho como Tony Stark garante momentos em que este ar high-tech até pode garantir uma estranheza, porém, para os menos exigentes em relação a uma adaptação fiel aos quadrinhos, isto poderá agradar.  De fato, pouco se aborda sobre os poderes e habilidades que este Aranha parece já ter assimilado, diferente do primeiro longa do herói lançado em 2002. Muito do que vemos aqui gira em torno de como se adaptar ao traje tecnológico e qual o papel do herói e seu campo de atuação.

A participação de Stark é bem encaixada e as aparições de Robert Downey Jr., de longe o mais carismático ator desses filmes, servem como fio condutor para todos os arcos do filme. Em determinado momento, ele tenta situar o que é uma ameaça para os Vingadores e o que pode representar um perigo compatível com a atuação do Homem-Aranha. No entanto, se vemos muito Stark e pouco Homem-de-Ferro, isso é bom para não desequilibrar as ações e não provocar desvios de foco.

As cenas de ação em Homem-Aranha: De Volta ao Lar não são tão abundantes quanto se esperava, o que é compreensível para quem está iniciando uma nova fase, mas por outro lado, é algo que pode decepcionar um pouco. Muito do que vemos são perseguições e o descobrimento das novas habilidades, aprimoradas por um traje personalizado. O uso do CGI para reproduzir cenas como saltos em grandes alturas e umas sequência de ação em um navio são muito bem empregadas, mas o filme peca um pouco justamente, neste sentido, em seu ato final, que por sinal também destoa um pouco da aventura mais contida que dá lugar, neste momento, a algo mais grandioso.

Clima high school

O tom leve que o longa propõe desde o início em Homem-Aranha: De Volta ao Lar consegue jogar a favor da narrativa. O Homem-Aranha sempre foi um personagem atrapalhado, com dificuldades em lidar com sua dupla jornada. Ao retratar um jovem herói, que enfrenta os desafios do colegial em contraponto ao fato de combater o crime, é possível se preocupar quando ele persegue contrabandistas de armas alienígenas ou quando ele simplesmente precisa criar coragem para falar com seu flerte escolar, a bela Liz (Laura Harrier). Relacionamentos como amizade, namoro e até mesmo questões como bullyng e insegurança retratam bem, mas sem muita dose de realismo, esta fase da vida, sem se esquecer da figura materna presente através da Tia May, com Marisa Tomei muito bem no papel.

Como se não bastasse um “chefe” como Tony Stark, ainda há momentos em que a dinâmica entre Tom Holland e Jon Favreau, reprisando seu papel como Happy Hogan, torna-se especialmente hilária. Este também é um importante recurso que nos dá a dimensão exata de que este Homem-Aranha, lidando com adultos, ainda não é maduro o suficiente mas que está aprendendo e conhecendo os caminhos do heroísmo.

Um vilão que não decepciona

Algo que é bastante comum em observarmos nos filmes da Marvel  são os vilões que deixam a desejar. O Abutre, vivido por Michael Keaton, não é o melhor antagonista apresentado até hoje mas está longe de ser um personagem ruim. Tanto pela atuação e talento de Keaton, quanto pelo roteiro, o vilão tem um desenvolvimento que é motivado por um passado que é explicado de forma simples mas eficiente. O Abutre ainda é responsável por um grande momento do filme, e seu plot twist não é apenas surpreendente mas rende uma das melhores cenas do longa.

Apenas no último ato, as ações do Abutre parecem ser descoordenadas e um pouco incoerentes. Fosse mais bem trabalhado em alguns aspectos, poderíamos ter um vilão marcante neste Homem-Aranha: De Volta ao Lar, mas que passa longe de ser ruim. O fato dele ser fruto dos atos dos heróis, conforme vimos em Zemo, o antagonista de Guerra Civil, confere um status menos vilanesco e motivado apenas pela maldade, dando causas palpáveis, a partir de fatos e acontecimentos pessoais ligados ao passado dos próprios personagens.

De fato, Homem-Aranha: De Volta ao Lar não é um filme que ousa se arriscar e permanece em um lugar comum onde estão todos os filmes de seu universo. Quanto a isso, depois de tanto tempo, não poderíamos esperar algo diferente justamente agora, diga-se. Dentro de sua proposta, o longa consegue entreter e causar boa impressão, surpreendendo ao não infantilizar demais sua trama mas sem perder o tom proposto.

Quando cumpre seu propósito em inserir o herói de maneira acertada, trazendo uma boa aventura e um Homem-Aranha que é diferente mas não perde sua essência por completo, a Marvel executa com eficiência sua proposta, fazendo de Homem-Aranha: De Volta ao Lar um filme divertido, que embora possa tornar-se esquecível depois de alguns dias, introduz de maneira eficiente o herói no Universo Cinematográfico da Marvel.

Avaliação: 


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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