Crítica | Game of Thrones 7×01: Dragonstone e o começo do fim

Situando muitos personagens em seus núcleos distintos, além de lidar com as consequências diretas do final da sexta temporada, Game of Thrones exibiu no bom episódio Dragonstone vários elementos que prometem movimentar este penúltimo ano da série. Foi um retorno controlado porém eficiente em preparar o terreno para o que está por vir.

Promessa desde o início da série, o inverno (praticamente um personagem) já é realidade. Poucos parecem se dar conta disso quando vemos os diferentes objetivos traçados por aqueles que detém o comando neste momento. Na capital, Cersei Lannister planeja resistir a uma Daenerys Targaryen que retorna para conquistar aquilo que acha seu, por direito. Na espreita, Euron Greyjoy se aproxima para unir forças com a atual rainha enquanto no Norte, é Jon Snow quem se preocupa com a real ameaça.

Após a abertura de Game of Thrones, há uma sequência silenciosa que é suficiente para nos dar a dimensão do destino traçado para a série. Toda manobra política ou investida de guerra passa a ser meramente circunstancial, agora que o inimigo vem do extremo norte com um exército gelado e ameaçador. No entanto, antes que esta guerra tenebrosa possa se iniciar, a força dos personagens construídos através de 6 anos garantem a continuidade do interesse pelas tramas que se encaminham para resolução. Com apenas 6 episódios para concluir as tensões existente antes que se inicie o que tanto anuncia desde o início, David Benioff e D. B. Weiss parecem ter exata noção para aonde querem ir com essa história.

O inicio de Dragonstone é, de fato, surpreendente. Não somente pela morte de Walder Frey pelas mãos de Arya Stark, mas por acrescentar mais esta camada à personalidade da jovem Stark. A menina que decidiu retornar para honrar o nome de sua família parece ter assumido uma jornada de vingança, onde o perigo pode ser justamente tornar isto pessoal demais. É claro, extinguir a Casa Frey é uma cereja de respeito neste bolo. Mas não voltar ao Norte, como muitos assumiam ser o provável, indica uma surpreendente decisão, sobretudo se você esqueceu da lista que ela memorizava verbalmente.

Há ainda uma interessante cena envolvendo Arya. É claro, a bela canção entoada pelos soldados Lannisters (que possui uma outra aplicação nos livros) chamou a atenção, principalmente pela participação do cantor Ed Sheeran. Mas é na humanidade em que estes soldados se apresentam que Game of Thrones ganhou mais um ponto, ao mostrar jovens que, longe de suas famílias, apenas cumprem seu deveres. Cada vez mais se aproximando de seu lado fantástico, com mortos que caminham sobre o gelo e dragões que voam sob o mar, é interessante notar estes contrapontos.

Quando tenta ser justo e não punir os Kastarks e os Umber pela traição de seus patriarcas, Jon Snow mostra que sabe comandar. Encarando com firmeza a tensão com Sansa Stark, que admite o irmão como um líder nato, seu objetivo torna-se unicamente proteger o Norte daquilo que ele viu com os próprios olhos. É curioso a forma como a série estabelece isso em momentos distintos, sob pontos de vista diferentes.

Ao mostrar a chegada de Bran Stark à Muralha, fica claro que aquilo que ele relata é indiscutivelmente perigoso. Sem hesitar, Edd abre os portões para o agora Corvo de três olhos. No entanto, a série brinca com este elemento fantasioso, como se os White Walkers fossem apenas lendas de um longínquo passado. Quando Samwell Tarly – o estagiário – vê na Cidadela a informação crucial sobre o vidro de dragão, subitamente decide escrever para Jon. Ele sabe o que viu e para quase todos que não presenciaram, é quase loucura. Edd sabe o que enfrentou em Durolar, assim como Jon e Bran. Os Meistres, Sansa e o sorrateiro Mindinho parecem não estarem enxergando tão além, neste momento.

O que Dragonstone também estabelece com precisão é que não haverão duas rainhas até o fim festa temporada. Cersei e Jaime parecem permanecer como aliados, embora haja uma frequente tensão entre os dois que pode emergir a qualquer momento. A apressada chegada de Euron Greyjoy, que construiu sabe-se lá como os tais mil barcos, é um dos melhores momentos do episódio. Seu diálogo é repleto de sarcasmo, frases efeito e uma dose de humor e canastrice. Fica então o aviso: o presente para a rainha será algo muito importante e decisivo. Quem quer rir precisa fazer rir, afinal.

A chegada de Daenerys também é um momento que marcou positivamente Dragonstone. A sabia decisão do diretor Jeremy Podeswa fez com que, somente nos segundos finais pudéssemos ouvir algumas palavras. Em determinados momentos, o que vemos é suficiente para compreendermos os sentimentos de uma história e aqui isso acontece de forma precisa. Alias, há de se reconhecer o belo trabalho de direção empregado. A sequência de Sam na Cidadela é cômica e dinâmica, com rápidos cortes e planos que nos mostram sua situação repetitiva e nojenta.

O ritmo do episódio apenas sentiu um declínio ao investir tanto tempo em Sandor Clegane e a Irmandade sem Bandeiras. A visão no fogo foi um importante dado mas os longos minutos empregados ali parecem ter sido dispensáveis, embora não seja algo que possa se construir com rapidez. É engraçado admitir que, mesmo sendo uma criatura sem fé declarada, o Cão tenha tido mais sucesso na visão do que Melisandre.

Para quem conhece Game of Thrones como um história que se desenvolve gradualmente, com eventos pontualmente catárticos, não foi uma surpresa que este retorno tenha sido uma espécie de preparação das peças para um novo jogo. Porém, há algumas temporadas não havia um início tão imponente e não apenas burocrático, ao retratar tantos personagens sem que suas aparições fossem, em geral, gratuitas. Com poucos episódios para desenvolver seu fim, a série dá um bom primeiro passo em direção aos seus acontecimentos derradeiros.

Últimas palavras

* Aparentemente Jorah Mormomnt não conseguiu a cura do escaramagris e se realmente esta for a identidade do homem que assustou Sam, fica a expectativa para vermos como ele será retratado fora das sombras.

* Jeremy Podeswa também dirigiu o episódio The Red Woman, em que Melisandre revela sua verdadeira identidade. Não por acaso, ele retorna para um capítulo onde alguém aparenta  ser quem não é realmente, logo no início.

* O design de produção mostrando a imponência da Cidadela e Pedra do Dragão foram notáveis, assim como os efeitos visuais empregados na chegada dos dragões e nos caminhantes. Estes recursos, sem dúvida, tornam Game of Thrones uma produção única neste sentido, atualmente.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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