Crítica | Guardiões da Galáxia Vol. 2

Aviso: crítica com spoilers do filme. Se você ainda não assistiu, corre lá que dá tempo!

Depois de uma agradável surpresa em 2014, os Guardiões da Galáxia estão de volta mais estabelecidos como heróis. Em Guardiões da Galáxia Vol. 2, vários elementos mostrados no primeiro filme retornam, sem o fator surpresa mas com um surpreendente desfecho emocional.

No primeiro filme, também escrito e dirigido por James Gunn, o conceito de aventura espacial foi bem desenvolvido. O uso das cores, os planetas mostrados e a própria estética dos personagens deram uma identidade visual totalmente distinta do Universo Marvel. Nesta continuação, há um aprimoramento notável e uma surpreendente boa aplicação do 3D, coisa que na maioria esmagadora dos casos não acontece. Isso torna a produção bastante valiosa neste sentido, com belas paisagens e um quê de Star Wars em alguns momentos, sem perder a personalidade que a mão do diretor confere.

Logo no início já estamos inseridos em uma cena de ação que dura alguns minutos e mostra bem o tom da aventura. A ameaça sendo retratada com humor confere um tom leve ao filme, que nunca se pretende levar a sério demais. Desta forma, vemos os integrantes do grupo se desdobrando para enfrentar uma monstruosa ameaça enquanto o incrivelmente cativante Baby Groot (Vin Diesel) dança e encanta em primeiro plano. Uma decisão divertida e diferenciada que o diretor emprega muito bem, assim como as cenas de ação com ângulos bem escolhidos e que nos colocam no centro da ação.

É lugar comum admitir que a Marvel não desenvolve bem seus vilões. Na maioria dos casos, as motivações são limitadas e a ameaça torna-se genérica. No entanto, neste filme temos várias jornadas que ocorrem em paralelo: Yondu (Michael Rooker), o anti-herói que se redime; Ayesha (Elizabeth Debicki), a vilã secundária que fornece apenas o motivo para o enredo se desenvolver; e o aliado que se torna a grande ameça, representado através de Ego (Kurt Russell). Cada ato do filme envolve cada um deles e apesar de uma previsível reviravolta, o roteiro trabalha bem as situações para separar e reunir os heróis.

A dinâmica do grupo é bem diferente neste filme. Após o primeiro combate onde os cinco atuam juntos, algumas duplas e trios se formam para dar corpo ao desenvolvimento dos personagens. Sendo assim, podemos ver as diferenças entre Gamora (Zoe Saldana) e Nebula (Karen Gillan) sendo resolvidas; Drax (Dave Bautista) e Mantis (Pom Klementieff) conferindo doses e mais doses de alívio cômico e nos ensinando mais sobre o passado dele; Rocket (Bradley Cooper), Baby Groot e Yondu escapando das mãos dos saqueadores e tendo uma conversa interessante sobre caráter; e por fim Peter Quill (Chris Pratt) e seu pai, no desenvolvimento do arco central que gira em torno da busca pela sua origem e estabelece a reviravolta em forma de ameaça. Esse desdobrar de camadas foi algo interessante, sem dúvidas.

Há muitas piadas no filme, o que não é novidade para os guardiões e para o universo criado pela Marvel nos cinemas. No entanto, filmes como Homem-Formiga, o futuro Homem-Aranha: de Volta ao Lar e o próprio Guardiões da Galáxia se mostram como os mais descompromissados com o senso de seriedade. Desta forma, quase toda cena ou sequência possui, invariavelmente, algum tipo de tirada cômica. Algumas são exageradas mas a grande maioria  funciona e de fato são engraçadas. Assistir esse tipo de filme remete, antes de tudo, a uma boa diversão.

Se há uma certa previsibilidade no filme, isso é rompido pelo seu desfecho. Ao matar um personagem que é carismático e ao mesmo tempo havia conquistado espaço entre os  personagens principais, James Gunn dá um toque de ousadia a sua história. Apenas soou anti-climática a mudança no tom e a demora em finalizar situação, estendendo além do necessário. Porém, em termos de perdas sentidas, talvez essa seja a mais significativa até agora, por ser um personagem com o qual nos importamos.

A ação não é predominante aqui e de fato o longa é mais lento que o seu antecessor. Mas isso não o torna menos interessante, do ponto de vista narrativo. Outro fato a destacar é o protagonismo, que fica menos evidenciado. Não pela atuação comum de Chris Pratt, mas pelo desenvolvimento múltiplo dos vários personagens. Isso é uma boa decisão pois dedicar mais tempo de tela para relação entre pai e filho poderia tornar o filme arrastado. As decisões bobas do Senhor das Estrelas podem soar um pouco incompreensíveis, mas sua questão familiar vem sendo trabalhada desde o primeiro filme, portanto fazendo sentido aqui seu lado emocional.

A participação de Sylvester Stallone como Stakar Ogord foi bem pontual e uma decisão acertada.  Não haveria muito o que fazer além do que é oferecido e seria algo exagerado um tempo de tela maior. Já a cena de Stan Lee não parece fazer muito sentido do ponto de vista cronológico, uma vez que ele cita já ter trabalhado como entregador, pois esse filme se passa antes de Capitão América: Guerra Civil. Mas isso não incomoda. Também da para ver brevemente Howard, o Pato, em uma breve cena que funciona mais como um fanservice bacana.

A trilha sonora do filme é bem empregada e embora as músicas sejam boas, não deixam aquela sensação do primeiro Guardiões. Ao sair do cinema em 2014, lembro de cantarolar por alguns dias  Hooked on a FeelingI Want You BackCome And Get Your Love. Desta vez há uma sensação de que a trilha tornou-se mais emocional, encaixando-se com momentos importantes mas bem menos pulsantes. Por outro lado, a trilha original pareceu bem mais destacada, mas nada muito impactante ainda para gerar uma forte associação à franquia.

É inegável dizer que Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um bom divertimento, mesmo com uma aventura menos impactante do que a estreia do grupo nos cinemas. No entanto, é um filme que mesmo com seu humor intrínseco tem arcos mais dramáticos que seu antecessor. É uma boa continuação que coloca o grupo no mesmo patamar, em termos de carisma, com os Vingadores.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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