Crítica | Better Call Saul 3×04: Sabrosito

Enquanto uma dupla ensaia a aproximação que irá render frutos no futuro, outra firma uma parceria que já mostrou ser interessante em Better Call Saul. É a partir dessa dinâmica de duetos que Sabrosito estabelece, entre outros acontecimentos, duas grandes rivalidades que estarão presentes no restante da temporada.

Desde que foi anunciado para a terceira temporada, o retorno de Gus Fring (Giancarlo Esposito) já dava sinais de ir bem mais além do que uma simples participação. Aquele que se tornou um dos personagens mais icônicos surgidos na última década finalmente teve um tempo de tela maior, para ser quem ele é em todas as suas camadas e sendo o destaque da vez.

De caloroso e simpático empresário que colabora com as autoridades locais e é admirado pelos funcionários, ao frio homem de negócios escusos, Fring exerce o poder de forma metódica e cautelosa. E quem diria, seu modo “sofisticado” de empacotar dinheiro é o fio condutor para uma crise que irá culminar em uma cena onde vemos, frente a frente, Hector Salamanca (Mark Margolis) e ele. É apenas o começo, diga-se.

Mais um personagem conhecido, Don Eladio (Steven Bauer) retorna em uma cena pra lá de emblemática. Se lembrarmos que em Breaking Bad sua última aparição é exatamente dentro da piscina no episódio Salud (4×10),  aqui ele surge no mesmo local em sua plenitude, frente ao Cartel, com Gus cada vez mais em ascensão em seus negócios. Como o tio Salamanca acabará em sua cadeira de rodas e fazendo o famoso “ding-ding” ainda é uma imensa dúvida. Mas observar estes movimentos recheados de rivalidade trazendo o negócio da droga de forma mais ampla, é um interessante contorno que a história passa a assumir.

Em meio a isso tudo, Mike (Jonathan Banks) vem se firmando como o homem que irá conectar os núcleos ainda tão distintos da série. Desde a segunda temporada sua história desconectou-se da narrativa de Jimmy (Bob Odenkirk) e sua agenda passou a ser mais um evento a parte em Better Call Saul. Aos poucos isso está se movimentando de forma contrária, com sua aproximação com Gus Fring sendo considerada como possibilidade, e seus serviços prestados para Jimmy, o que no futuro será algo comum. Aliás, a cena em que Mike utiliza a furadeira na casa de Chuck (Michael McKean) é absolutamente impagável.

Ainda sobre essas diferentes histórias mostradas, quando a série sai do volumoso e tenso mundo da droga que nos dá aquele ar de tensão, nos voltamos para uma trama que envolve terno, gravata e tribunais. Seria enfadonho se não estivéssemos falando de personagens como Jimmy, o ardiloso Charles McGill, além daquela que tem se tornado uma das personagens mais interessantes da série: Kim Wexler (Rhea Seehorn).

Vejamos: Kim começa a série com um papel secundário na firma de Howard (Patrick Fabian), passa por idas e vindas em sua relação peculiar com Jimmy, até se transformar em uma personagem que vai trazendo um pouco de cinza para si. Ao se abster sobre a forma como o futuro Saul Goodman age com relação ao Mesa Verde, e principalmente, a julgar pelo seu modus operandi ao melhor estilo picareta neste episódio, seus caminhos, antes sempre destacadamente próximos mas separados, vão ficando cada vez mais alinhados com o do parceiro. Algo que, por sinal, foi muito bem captado na cena final pela direção de Thomas Schnauz.

Em meio a isso tudo, Better Call Saul se estabelece como uma história de origem que não pretende deixar nada esquecido, mas traça um caminho que irá unir vários caminhos muito em breve. O roteiro deste episódio, escrito por Jonathan Glatzer, é bem eficiente neste sentido e um bom exemplo disso. Conectando personagens de forma orgânica e sem muita pressa, cada situação apresentada possui uma razão e não apenas conveniência. Nesta terceira temporada, a personalidade que a série vem tomando eleva o seu patamar, tal qual sua série de origem, que ascendeu progressivamente até o seu ápice.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...