Crítica | Better Call Saul 3×02: Witness

Em algum momento, inevitavelmente alguns personagens iriam surgir em Better Call Saul.  O movimento que ocorre neste ponto da série vem juntando cada vez mais o universo da série com o de Breaking Bad, seja por meio de personagens que retornam em Witness e também de locais conhecidos.

Felizmente, não foram somente “antigas caras novas” que foram exploradas aqui. O estilo de Vinge Gilligan, que novamente dirige e escreve o episódio, esteve novamente demonstrado de forma plena. Desde os enquadramentos cuidadosamente planejados, passando pelas situações onde a percepção visual conta mais do que palavras, todo o empenho em evocar os inspirados dias da obra original pode ser notado. Em séries com esse viés isso não pode ser ignorado.

Do ponto de vista do conflito central, Jimmy mais uma vez assume o lado imprevisível, quando nos minutos finais destrói a prova de sua confissão. A revelação inusitada de Ernesto sobre a fita abriu o caminho para o  destempero. A invasão é feroz como poucas vezes vimos o advogado. Se há algo que é evidente nos irmãos McGill é o comportamento peculiar. Chuck cada vez mais está abraçando sua paranóia, que o faz ter um investigador de plantão e torna a visita de Howard sujeita a obstáculos, como muros que precisam ser pulados. O resultado disso não será bom para nenhum dos lados mas o que mais desperta curiosidade, neste momento, é como o ardiloso Chuck irá lidar com essa invasão. Boa coisa não podemos esperar.

Uma das personagens que (re)surgem no episódio é Francesca (Tina Parker). Com um papel secundário como secretária de Saul Goodman em Breaking Bad, aqui a conhecemos em seu primeiro dia, após uma estranha entrevista conduzida por Kim e Jimmy. Tais detalhes vão ajudando a moldar, ainda que de forma sutil, a personalidade que lá na frente irá transformar definitivamente o protagonista. Outro personagem que aparece bastante na série original é o capanga Victor (Jeremiah Bitsui), que reaparece graças ao retorno mais emblemático de todos aqui: Gus Fring (Giancarlo Esposito). A cena que marca seu retorno quase passa despercebida. A discrição é algo que ele preza então não haveria melhor maneira do que um retorno simples e nada triunfal. Aliás, isso é o que torna as obras de Gilligan apreciáveis em termos realísticos e narrativos.

Cada vez mais, também, Mike Ehrmantraut vai sendo levado para o lado de Gus. E foi particularmente muito inusitado ver todos os elementos se combinando. Los Pollos Hermanos (quase um personagem) Jimmy, Ehrmantraut. Todos ainda se conhecendo e estudando uns aos outros. A não ser que você esteja assistindo essa série primeiro, lá na frente sabe-se o que acontecerá mas isso nem é lembrado, tamanho envolvimento e atmosfera que é criada para retratar esses primeiros passos, que não soam gratuitos ou em nome de um simples fanservice. Fazer com que a audiência se preocupe com personagens que já possuem um final conhecido é um grande feito.

Desta forma, Better Call Saul apresenta seu segundo bom episódio na temporada, envolvendo o espectador dentro de uma narrativa simples porém eficiente. Mostrando o necessário e falando apenas o essencial, a série investe em criar situações pertinentes e com propósito. Pelo menos até agora, a transição McGill-Goodman é lenta mas cumpre seu propósito e avança de maneira considerável.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...