Crítica | The Walking Dead 7×16: The First Day of the Rest of Your Life

Ao longo de sete temporadas, algumas características básicas de The Walking Dead tornaram sua fórmula previsível. Uma delas é trazer um season finale cheio de tensão e com boas doses de ação. Em The First Day of the Rest of Your Life não foi diferente, com um episódio que inclusive lembrou, e muito, o desfecho da terceira temporada.

Um ótimo episódio final

Vários elementos contribuíram para a construção do tenso episódio. As traições de Jadis e Dwight, a quase execução de Carl e a batalha travada em Alexandria elevaram o nível de ação e nervosismo. A morte de Sasha era mais do que evidente. Os flashbacks trouxeram um pouco de saudosismo com a aparição de Abraham, em momentos até desnecessários mas que não foram incômodos. A partir de uma construção que focou, na maior parte do tempo no rosto da personagem, foi possível obter uma despedida honrada e surpreendente, com sua zumbificação. Por outro lado, enquanto sua lealdade foi tamanha ao ponto de não ajudar Negan, Eugene mostrou-se realmente adaptado ao novo posto no Santuário e parece que para ele não tem mais volta.

A primeira parte do episódio foi cuidadosamente construída com o intuito de mostrar os rumos de cada comunidade. Os 60 minutos desta vez não cansaram e foram necessários. Sendo assim, já sabíamos para onde cada grupo estaria indo e qual o seu papel. A grande surpresa – se você não leu nenhum spoiler – foi a traição de Jadis e sua turma do lixão. A personagem nunca pareceu confiável mas havia um acordo firmado. A morte de Sasha e o desejo de Dwight em matar Negan foram desenvolvidos de forma que havia como prever essas ações. Desta vez o roteiro mostrou uma boa coerência em trazer a reviravolta e manter os caminhos apresentados ao longo de vários capítulos.

O que até poderia ser considerado o grande deus ex machina do dia não teve ares de solução inesperada, pelo que tinha sido planejado anteriormente. A morte de Carl não foi algo a ser temido plenamente e a qualquer momento sabia-se que o Reino – a maravilhosa Shiva – e Hilltop chegariam para intervir. A propósito, você também lembrou da entrada dos Cavaleiros do Vale em Game of Thrones? A forma como isso aconteceu foi coerente e desencadeou um dos melhores momentos de ação da temporada, dando uma prévia de como poderá ser a guerra. Porém, para um conflito armado tão intenso, a quantidade mostrada de baixas pareceu muito irreal. Para a próxima temporada, este fator não poderá ser negligenciado pois poderá não soar como verdadeiro que hajam poucas mortes, de ambos os lados.

Sem dúvida alguma, ver o grupo de Negan encurralado e partindo em retirada foi um deleite para os fãs. Foi uma temporada sofrida, em diversos aspectos. Observar Rick em posição de submissão subverteu completamente o panorama das seis temporadas anteriores, quando o controle da situação sempre acontecia. A partir do momento em que o episódio 1 trouxe a tona uma chocante realidade, uma nova dinâmica se estabeleceu. É necessário destacar as boas atuações de Andrew Lincoln e Jeffrey Dean Morgan neste ano, o que rendeu cenas tensas de antagonismo. Porém, o que poderia conduzir a temporada por um caminho espetacular acabou sendo frustrante, a partir de decisões narrativas do show.

Os problemas da 7º temporada

É fato que, mediante uma realidade tão diferente e nunca antes vista, certos episódios seriam necessários. Apresentar uma nova comunidade como o Reino e dar uma visão geral de como é o Santuário de Negan foram decisões acertadas. Mas os caminhos narrativos levaram a temporada por uma trilha de muitos episódios com apenas um ou dois protagonistas, em muitas das vezes coadjuvantes e com extensão muito grande. As vezes é preciso desacelerar a trama em um seriado para contar algo e nem todo episódio precisa de ação para ser bom. Mas The Walking Dead perdeu a mão em não dosar de forma adequada esses fatores neste sétimo ano.

Desta forma, o ótimo The First Day of the Rest of Your Life deixa um gosto amargo no final, pois expõe todo o potencial subaproveitado da série, quando guardou o seu melhor para início e fim, e utilizou todos os demais atos apenas para anteceder algo. Esperava-se que a guerra pudesse ser travada ainda este ano e a quantidade extensa de episódios até deu a série essa possibilidade.

O encerramento poderia ser facilmente o midseason finale, sem comprometer o andamento e toda história que foi contada. É um final remete diretamente ao fim da terceira temporada, onde o Governador invade a prisão e a resolução deste arco se dá apenas na metade da temporada seguinte. Por outro lado, se formos analisar friamente, a guerra está iniciada e não haverá como fugir de uma temporada intensa no próximo ano. Do contrário, a credibilidade com a produção da série ficará ainda mais abalada.

Se o que 7º a temporada, no fim das contas se propôs a fazer foi preparar o terreno para a guerra, está feito. De maneira acertada ou não, as cartas estão na mesa. Em outubro veremos como o conflito será mostrado e há um amplo terreno a ser explorado, com invasões as comunidades de ambos os lados e muita ação. Não houve um grande gancho desta vez e a ansiedade se dará por conta do desenvolvimento da narrativa, que imploramos ser mais ágil. Sabemos o quanto The Walking Dead pode proporcionar em seus melhores dias. Que eles retornem daqui a seis meses.

Quer saber mais? Clique aqui para conferir as críticas de todos os episódios da temporada.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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