Crítica | The Walking Dead 7×15: Something They Need

Se fosse necessário definir o tema central deste episódio, mais do que a parte 1 do encerramento da temporada, Something They Need trouxe a traição como elemento central de sua narrativa. Em pouco mais de 40 minutos, The Walking Dead voltou a mostrar vários núcleos de personagens e mudanças de lado, em prol da sobrevivência.

Quando Tara deixou Oceanside e jurou não retornar, foi um pouco difícil acreditar que isso pudesse de fato acontecer. O retorno ao local foi menos difícil do que poderia aparentar a princípio. Ao invés de uma brava resistência, uma rendição tranquila deu pouco trabalho ao grupo de Rick, buscando as armas que eram necessárias, com algumas cenas de ação contra uns zumbis que serviram para cortar o anti-clímax. Mesmo assim, ainda há o que observar. Algumas personagens podem crescer no andamento da trama como Cyndie e Beatrice. Outro ponto interessante é o comportamento da líder Natania, que age de forma muito semelhante ao rei Ezekiel.

No Santuário, não poderíamos esperar nada além de, no mínimo, uma captura para Sasha. A surpresa ficou por conta do comportamento de Negan, exibindo seu código moral  e sendo, como sempre, uma presença marcante em tela. No entanto, ao invés de uma atitude mais exagerada, pareceu menos espalhafatoso o seu arco neste episódio. A melhor cena, no entanto, fica por conta de Sasha. Aliás, não me recordo de uma atuação significativamente boa de Sonequa Martin-Green em toda a série. Seu diálogo com Eugene é muito bem dirigido, o que nos faz constatar que Josh McDermitt tambem entregou uma boa interpretação.

Ainda teve espaço para Hilltop. Com Maggie e Gregory em cena, fica clara a diferença gritante que existe entre os dois. O primeiro não passa de um líder que só dá as ordens do outro lado do muro e não é capaz de matar um zumbi. Cabe então a grávida exercer o papel corajoso, que desperta ciúme e raiva. Não foi crível, de forma alguma, que Greg pudesse ter coragem de apunhalar pelas costas. Mas uma traição é esperada e é do seu feitio. Isso nós podemos aguardar.

Em Something They Need, voltamos a ter o desenvolvimento de vários núcleos simultaneamente, o que deu dinamismo e preencheu de forma mais uniforme a trama. Não foi necessariamente um episódio com ação, mas o ritmo foi constante, com um bom trabalho de direção de Michael Slovis e um roteiro simples porém eficiente de Corey Reed. Ambos já haviam feito poucos mas bons trabalhos anteriormente na série. A equação torna-se simples quando os elementos se combinam de maneira ponderada.

Outro ponto a destacar foi o plot twist no fim. As suspeitas de que Dwight fosse a pessoa com a besta no fim do episódio passado se confirmaram. Entretanto, sua rendição em Alexandria é uma daquelas reviravoltas que, embora já tivesse sido desenhada a algum tempo, não deixa de surpreender. As traições, ou as tentações, estiveram por toda parte: Eugene, Sasha, Gregory e Dwight. Agora veremos como cada um irá se alinhar. A guerra está a beira de acontecer.

Em entrevista recente ao Fox News, o produtor executivo Scott Gimple prometeu um desfecho épico para a temporada. A conclusão de um arco e a deixa para a guerra deverão ser exploradas. Sabemos que na reta final, The Walking Dead sempre entrega bons finais. Isso pode aliviar um pouco a irregular temporada e preparar o terreno para um memorável (ou não) oitava temporada. Veremos…

Confira o promo e uma pequena amostra do próximo episódio The First Day of the Rest of Your Life, o 16º e último da 7º temporada:

Promo:

Sneak Peek:


 

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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