Crítica | The Walking Dead 7×14: The Other Side

Fazendo uso da habitual forma de contar sua história nessa temporada, The Walking Dead elegeu Hilltop a comunidade da semana. Em The Other Side, algumas dinâmicas em duplas foram trabalhadas, assim como as emoções.

A abertura trouxe boas cenas, silenciosas e bem filmadas, que contextualizam o que vem se passando na colônia desde retorno da temporada. Algo aconteceu ali, é claro, e sabemos que Daryl está de volta e Maggie continua à frente dos planos que incluem treinar toda a comunidade. Porém, não demora muito para conectarmos o fim do episódio anterior através da cena que antecede a abertura.

A estranha – para não dizer forçada – parceria entre Sasha e Rosita até que não é de todo ruim. A possibilidade da personagem de Christian Serratos oferecer algo a mais do que umas caras feias e foras é uma boa tentativa de desenvolvê-la um pouco mais. Da mesma forma, Sonequa Martin-Green ganha um pouco mais de tempo sem precisar ficar sendo apenas uma pessoa aborrecida.

Porém, a intenção é melhor que a execução. Há até uma boa cena, com uma câmera que acompanha as duas em um extenso diálogo. Porém, o texto não ajuda, a química entre as duas é fraca e o desfecho dessa jornada é absolutamente anti-climático. Se lançar para a morte daquela maneira não parece algo muito lógico para Sasha, por mais que a série venha insinuando isso a alguns episódios. Ainda há a tentativa frustrada de resgatar Eugene, e se havia alguma chance dele estar tramando algo em favor de Alexandria, isso ficou para trás. No entanto, não há como descartar uma mudança de opinião para esse cara que sempre rema para o lado da sobrevivência.

Observar os movimentos em torno da liderança de Hilltop foi o que de mais interessante ocorreu. A já repetitiva visita de Simon e os Salvadores é algo batido. Até a cena de entrada na casa parece a mesma. Mas a insinuação de Gregory sobre um possível plano para tirarem o seu poder denota uma possível e iminente traição. Sua índole não é algo difícil de prever mas pode ser um componente para movimentar as coisas por ali. Porém, o destino não parece muito favorável a ele. Sempre questionável, ele observa os treinamentos a distância, trama por trás dos muros acordos traiçoeiros e é sem dúvida uma ameaça para Maggie, Daryl e Jesus. Eu e você (e todo mundo) esperamos que ele morra em breve, certo?

A melhor cena fica por conta do diálogo entre Daryl e Maggie. Aqui há um bom esforço para transmitir emoção e culpa, por parte de Norman Reedus, e o perdão, através de Lauren Cohan. Convenhamos, The Walking Dead não é o melhor dos dramas em termos de atuações mas as interpretações aqui são boas. Fruto de um investimento mais intimo da narrativa, dando mais espaço inclusive a personagens secundários. 

É interessante notar a ruptura com os elos que ainda haviam em relação aos dois mortos por Negan no início da temporada. A raiva entre Sasha e Rosita por causa de Abraham, e a culpa sentida por Daryl pela morte de Glenn, foram superadas. Neste sentido, há de se reconhecer que o episódio cumpre, em partes, seu propósito. O problema é realizar isso no alto de 14 episódios, precedidos por muitos capítulos onde pouca coisa aconteceu. Aqui, não há muito também o que acrescentar, a não ser a chegada de Sasha no Santuário.

Há uma quantidade grande de episódios nas temporadas da série. Como se não bastasse, alguns possuem uma longa duração. Até que isso diminuiu um pouco mas, mesmo com um grande elenco, ampliar tanto o leque e dar histórias a tantos personagens tornou-se penoso para o público. A sensação que se tem é que as vezes, muitos acontecimentos parecem não importar e isso joga contra o desenvolvimento da história como um todo.

De fato, a guerra é iminente e é provável que o próximo episódio de The Walking Dead explore isso. Há uma promessa de um desfecho épico por parte dos produtores, e de fato, já sabemos do que a série é capaz em seus melhores dias. O problema é que para chegar ao seu destino a viagem precise ser tão desgastante. Parece que essa frase já foi dita por aqui antes, mas quem se importa? Das narrativas repetitivas, a menor.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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