Crítica | Kong: A Ilha da Caveira

Em uma atípica ilha no Pacífico Sul, há um verdadeiro oásis monstruoso que possui um Deus feroz e indomável. Sim, é um filme de monstros e em Kong: A Ilha da Caveira, eles estão por toda a parte, de várias maneiras.

A trama se passa em 1973, quando Bill Randa (John Goodman) consegue através de um político norte-americano a verba necessária para bancar uma expedição a uma ilha mítica no Pacífico Sul. Ele acredita que lá existam monstros, mas precisa de provas concretas. Ele coordena uma expedição que reúne militares, liderados pelo coronel Preston Packard (Samuel L. Jackson), o rastreador James Conrad (Tom Hiddleston) e a fotógrafa Mason Weaver (Brie Larson), além de outros especialistas e cientistas.

A direção fica por conta de Jordan Vogt-Roberts, que tem no currículo algumas comédias e curtas, e também séries e filmes para a televisão. Confesso não conhecer muito o trabalho desse diretor, ao contrário dos roteiristas. Habituados a fórmula do blockbuster, Dan Gilroy, Max Borenstein e Derek Connolly foram responsáveis pelos roteiros de produções como Gigantes de Aço (2011), Godzilla (2014) e Jurassic World (2015), respectivamente. Com isso, era de se esperar sequências recheadas de efeitos especiais e personagens aquém de um desenvolvimento mais profundo, em prol de uma narrativa que visa o entretenimento. E nem sempre isso é tão ruim, diga-se de passagem. 

Em Kong: A Ilha da Caveira, não há esforço para que haja um conteúdo que envolva motivações mais amplas dos personagens. Fica bem claro, desde o início, que a ilha é um personagem ativo e o motivo que une a equipe de exploradores rumo ao local, junto com os militares. Um dos méritos, portanto, é que o filme não almeja ser mais do que ele pretende parecer. Há sequências de aventura e ação, em dado momentos as coisas dão errado, os grupos se separam e acontece tudo aquilo que você já deve ter visto em filmes que se passam em ambientes selvagens e desconhecidos. Só que aqui, temos monstros e criaturas assustadoras, o que torna as consequências mais mortais. Até mais do que poderia se imaginar, a propósito. Há um número significativo de mortes, além do que se poderia prever e em virtude disso, o longa trás uma certa tensão em muitos momentos.

Como reza a cartilha do filme pipoca, há uma tentativa de desenvolver o humor através de algumas piadas e situações engraçadas. Muitas funcionam e outras se perdem em meio a falta de lógica que é rir dentro de um ambiente tão hostil e perigoso. Porém, não é algo que incomoda ao ponto de ser um fator negativo. Há algumas opções na escolha da direção de Vogt-Roberts que destoam um pouco da ação, como se fossem uma mera apresentação de técnicas. O uso da câmera lenta e os cortes rápidos na montagem, em muitos momentos, dão essa sensação.

A fotografia de Larry Fong (Batman vs Superman, Watchmen) opta por uma paleta que faz uso frequente de cores quentes, como laranja e o amarelo, além do verde, o que evoca um ar setentista e ainda por cima, em alguns momentos, trazem a tona memórias de Apocalipse Now (1979), em tom de homenagem. Em algumas sequências na mata, dá para sentir um que de O Predador (1987) e curiosamente em Predador, filme que está sendo rodado atualmente e estreia em 2018, a fotografia estará também a cargo de Fong.

No que diz respeito aos efeitos especiais, Kong: A Ilha da Caveira é muito eficiente, com exceção de uma ou duas cenas com certa artificialidade. No geral, os monstros estão ótimos, há uma grandiosidade não antes vista em Kong e só é uma pena que sua apresentação, ainda no prelúdio, tire um pouco da imponência da aparição do primata. Em compensação, há alguns problemas de escala de tamanho mas para o público em geral, isso pode passar batido. No entanto, aquela cena que você viu nos trailers, onde os helicópteros chegam até a ilha e são recepcionados de forma nada amigável, dá origem a sequências que prendem o espectador do início ao fim. Não há como negar que é um filme divertido em muitos aspectos e visualmente agrada bastante.

As atuações, por outro lado, não possuem muito destaque ou profundidade, como já fora citado antes. Não que Brie Larson e Samuel L. Jackson não sejam bons atores, e isso nem precisaria nem ser dito. Mas diante do que o roteiro oferece, em meio a mais de uma dezena de personagens, não é de se estranhar que o veterano e a atriz vencedora de Oscar em 2016, estejam em uma espécie de piloto automático. Já Tom Hiddleston esforça-se para entregar uma boa interpretação, que não é ruim mas tem momentos um pouco sisudos e canastrões. Outro nome conhecido, John Goodman acaba tendo um tempo de tela muito inferior ao que se imaginava, ao passo que John C. Reilly, desde o primeiro momento em que surge, torna-se o melhor personagem do longa, sendo cômico e roubando a cena muitas vezes. Os demais assumem papéis secundários, onde alguns morrem e outros conferem alívio cômico, sem acrescentar muito a trama.

No geral, Kong: A Ilha da Caveira cumpre seu papel, divertindo e trazendo ação, aventura e boas doses de humor. Apresentando seu Kong, Warner Bros. Pictures e Legendary Entertainment irão trazê-lo de volta em 2020, junto com Godzilla, que antes retorna em 2019 para um novo filme. O “monstroverso” está crescendo e veremos como isso irá se conectar lá na frente.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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