Crítica | The Walking Dead 7×13: Bury Me Here

Se faltavam motivos para Ezekiel ir à guerra, agora não existem mais. Em Bury Me Here, um dos melhores episódios da 7º temporada de The Walking Dead, a tensão foi uma constante, deixando o cenário do conflito desenhado e modificando totalmente o status de dois personagens. Além disso, este foi um  bom exemplo para diferenciar os conceitos de episódio “lento” e “arrastado”. A construção foi lenta e muito eficiente aqui.

Desde a chegada de Morgan em Alexandria, no final da 5º temporada, o personagem nunca despertou muita empatia do público com sua filosofia de não matar. Não neste novo mundo. Mas talvez ele tenha sido aquele que mais se reinventou no apocalipse. Através dos conhecimentos passados por Eastman, homem que o treinou, o sobrevivente decidiu mudar por completo sua visão. No início da série foi ele quem salvou Rick e permaneceu no imaginário do público por muito tempo, através do rádio pelo qual o ex-xerife esperava se comunicar (isso nunca aconteceu). Já na terceira temporada, tivemos uma nova impressão. Ao contrário do bom homem que vivia com o filho, o que se viu foi uma pessoa desequilibrada e matando, que inclusive expulsou Rick, Carl e Michonne do bairro em que vivia. Ele permaneceu assim até andarilhar por ai e encontrar o seu mentor.

Os ecos do que aconteceu com Duane, seu filho, estiveram presentes de forma intensa aqui. Vale lembrar que ele não foi capaz de matar sua mulher, já transformada, e por isso o filho morreu. A paternidade foi inclusive tema recorrente no episódio e atribuído a vários personagens como Richard e Benjamin. Todos morrem, por sinal, assim como Morgan. Para ele, porém, não é uma morte física e sim de personalidade. O ato de afiar do bastão, já no fim, rompe completamente com o seu status atual e evidencia um novo traço de personalidade. A omissão das ações (matar) foi o que levou seu filho e o seu pupilo a morte. A última frase do garoto é “ferir seu oponente é ferir a si mesmo”. Através de uma reflexão, Morgan viu mais uma morte através da falta de ação e esse é o ponto de partida para sua reviravolta.

A morte de Benjamin foi um pouco previsível. O destaque dado ao personagem, logo no início, deixou claro que não haveria boa sorte para o garoto. Já o estrangulamento de Richard  foi uma surpresa chocante. A armação do desequilibrado cavaleiro do Reino também ficou evidente para o público, até mesmo os mais desatentos. O que representou a grande surpresa foi a atitude de Morgan, repetindo a mesma frase dita por ele em uma conversa. Além disso, ele nunca esteve tão certo ao dizer: “Mas é o seguinte Morgan, você tem de matar”. E ele matou. De certa forma, a morte serviu a dois propósitos: ressaltar a boa fé com os Salvadores e ajudar no despertar de Ezekiel, já abalado pela morte do Ben.

“Queria lhe mostrar…queria lhe mostrar que entendemos. Que entendemos o que precisamos fazer. Que sabemos como seguir em frente. ” Morgan Jones

Outro bom aspecto do episódio foram as atuações. Embora Melissa McBride ainda esteja no piloto automático devido a apatia de sua personagem, Lennie James e Karl Makinen entregaram ótimas interpretações e a cena do diálogo entre Morgan e Richard é muito boa. A propósito, a forma como a cena é construída, os planos utilizados e as sombras são muito bem aplicadas pelo diretor Alrick Riley. Na sequência, ele mostra breves passagens de Morgan refletindo no quarto com uma chama que se apaga, Ezekiel confortando o irmão pequeno de Benjamin e Morgan mais uma vez, agora tomado pela escuridão. Assistam novamente se puderem. Houve sem dúvidas um bom trabalho de direção nessa e nas demais sequências, como a abertura que evoca algo de ruim que ainda está por vir, por conta do derradeiro melão, ou ainda a metáfora com o jardim de Ezekiel, outra transformação que ocorre aqui.

Mais uma mudança veio em boa hora. Fugindo de todos a temporada inteira, Carol agora está de volta ao jogo. A rima de sua narrativa com a de Morgan se faz presente através da falta de ação e além disso, a fuga da realidade. Não é tarde demais para ela, após presenciar a morte de Benjamin, além de saber das mortes de Glenn, Abraham, Spencer e Olivia. Sem dúvida, esses foram elementos propulsores de sua virada. Veremos se ela retornará a Alexandria ou seguirá no Reino, liderando as frentes no combate contra os Salvadores, que por sua vez, mostraram ter uma gota de humanidade. Reparem que o líder das negociações, Gavin, se esforça para ter o mínimo de decência em alguns momentos, fato raro.

Outro ponto que devemos destacar é que, se na semana passada houve um CGI horroroso envolvendo um cervo, desta vez Shiva esteve muito bem representada. É um efeito perceptível mas que não incomoda e a única explicação para o deslize do último episódio é que o orçamento está sendo gasto na tigresa. Será?

O que The Walking Dead mostrou em Bury Me Here é que elementos, quando bem combinados, fazem um bom episódio acontecer sem que haja necessariamente ação. Uma boa carga dramática, roteiro bem amarrado, duração adequada e boas atuações garantiram o bom andamento da trama, que não será a mesma a partir desses acontecimentos. Que venha a parte final e de preferência, com uma narrativa bem construída como houve dessa vez.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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