Crítica | The Walking Dead 7×12: Say Yes

Em um episódio praticamente voltado para a dinâmica de um casal, The Walking Dead derrapou. De maneira geral, Say Yes não foi totalmente ruim mas algumas escolhas narrativas – e estéticas – não foram muito defensáveis. Se por um lado as intenções foram boas, a execução não foi muito condizente.

Desde que Michonne e Rick passaram ter um relacionamento amoroso, pouco havia sido explorado nesse sentido. Em uma série onde as relações humanas são valorizadas, isso ainda não tinha sido mostrado em forma mais plena. Neste episódio pudemos ver uma série de acontecimentos comuns em meio a uma missão por busca de armas. A negociação por uns dias a mais, sexo, jantar a dois e momentos mais íntimos foram retratados. Principalmente a maneira como eles se divertem um com o outro, mostrada dentre outras formas, em meio a matança de zumbis. É uma outra visão para este par e nesse ponto o episódio apresentou o seu acerto.

Outro elemento que já estava ausente da trama há algum tempo foi a ameaça em forma de zumbis. De algumas temporadas para cá, houve uma mudança gradual nesse sentido, pela diminuição de mortos-vivos, experiência no combate e organização de uma nova sociedade baseada na força, onde os mais fortes passam a ser as maiores ameças. Desta forma, Say Yes resgata um pouco da ameaça zumbi, conferindo ao walkers um pouco mais de perigo.

Há, porém, algo que foi utilizado como recurso para obtenção das armas mas que não soou de forma convincente. O parque de diversões, situado em uma extensa área em um local de acesso explorável, mais pareceu uma conveniência  de roteiro do que um achado. Em um mundo mais amplo onde os Salvadores dominam todo o território possível, fica difícil crer que esse oásis de comida enlatada e armas não tenha sido descoberto.

Já um fator que tem despertado reclamações pela ausência se fez presente. A ação é algo que não precisa existir sempre, mas a ausência dela por muito tempo é incômoda. Embora um pouco desajeitada e com uns cortes um pouco abruptos na edição, alguns momentos trouxeram ameaça e tensão. O principal deles consistiu na suposta morte de Rick. E aqui vai uma opinião sobre o que se pode até pensar ser uma tentativa de truque barato. Ao optar por este caminho, não creio que o diretor Greg Nicotero, além dos roteiristas, quiseram mentir como no episódio em que Glenn entra embaixo da lixeira. A interpretação mais evidente era mostrar o efeito devastador que a morte de Rick poderia provocar em Michonne. Afinal de contas você não caiu nessa, certo? Ok, seria melhor se a atuação de Danai Gurira fosse tão virtuosa para o drama como é quando ela faz cara de invocada.

Outras escolhas foram bem questionáveis. Não sei se por uma questão de orçamento (provavelmente) ou de gosto, mas o cervo no parque foi uma das piores coisas já vistas até hoje em The Walking Dead. Em uma série que prima por uma excelente trabalho de maquiagem e em muitos momentos CGI, já é o segundo episódio onde os efeitos especiais deixam muito a desejar (o outro foi aquele episódio do lixão). Outra coisa que nos faz precisar muito da suspensão de descrença e desafia as leis da continuidade foi o momento em que Rick joga a espada, que cai de maneira certeira nas mão de Michonne. Se fosse uma bola, seria um belo passe.

Outras duas personagens tiveram participação secundária. Desde o início da temporada, Rosita transformou-se de modo que a amargura e a impaciência tenham a tornado extremamente irritante e desagradável. É uma atitude que para a trama não é ruim, entretanto. A personagem deve claramente ter influência em algum acontecimento futuro e não é de se estranhar se suas ações ocasionarem a morte de Sasha. Alguns diálogos pareceram preencher  o tempo de tela, como no caso em que ela e o padre Gabriel trocam algumas palavras na igreja, sem nada a acrescentar.

Tara, que no episódio Swear havia descoberto um arsenal de armas na comunidade feminina Oceanside, deixou o trato de lado e procurou Rick para falar sobre o local. Eu duvido que os maiores fãs da série possam ter pensado que ela faria o contrário. Mas seria algo inesperado e corajoso, é bom que se diga. Nenhuma surpresa no entanto e completando uma série de momentos não necessários, o monólogo altamente expositivo com Judith serviu mais para vermos o quão fofinha é a atriz escolhida para o papel da filha de Rick.

Sem avançar muito a trama, The Walking Dead marchou a passos lentos rumo a guerra. Não houve falta de acontecimentos mas a narrativa aqui emperrou em mostrar coisas com as quais não estamos nos importando tanto. Há certamente uma ótima recompensa por vir, na guerra contra Negan. Porém, a estrada precisa ser prazerosa e não somente a chegada.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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