Crítica | The Walking Dead 7×11: Hostiles and Calamities

Até aonde você iria para se adaptar e sobreviver? Em Hostiles and Calamities descobrimos que um cargo de prestígio, jogos de vídeo-game e um pote de picles podem garantir uma mudança de lado. Ou não. Além disso, o formato direcionado para um núcleo específico voltou a ser explorado em  The Walking Dead.

Após dois episódios que incluíram a apresentação de uma nova comunidade e a peregrinação de Rick em busca de ajuda, desta vez voltamos um pouco no tempo. Ao mostrar o Santuário depois da morte de Fat Joey e a fuga de Daryl, dois personagens foram explorados: Eugene e Dwight. Orbitando ao redor dos dois, Negan sempre confere importância as suas aparições. Entretanto, desta vez o roteiro não disponibilizou muita coisa para Jeffrey Dean Morgan além das habituais demonstrações de violência e sarcasmo. Portanto, mais do mesmo.

Quem dirige Hostiles and Calamities é Kari Skogland. Na última temporada, ela já havia conduzido o episódio The Next World, quando Jesus é introduzido na história sendo perseguido por Daryl e Rick. Bem diferente da ocasião citada, a ação aqui é quase nula e os 46 minutos da trama se baseiam nas relações entre o novo morador da comunidade e o antigo integrante que precisa demonstrar lealdade. O problema é que desta vez, a quebra do ritmo deixou a trama arrastada. É comum que isso se confunda com lentidão e é importante lembrar que uma narrativa mais devagar não implica em ausência de acontecimentos e interesse. Aqui o roteiro parece estender muitas situações sem necessidade, como as visitas das esposas de Negan ao quarto do pseudo-cientista.

Não se pode negar que há alguns detalhes interessantes aqui, como observar as pessoas que trabalham no Santuário como uma espécie de empresa. Há um sistema de pontos e uma aparente organização, com funções definidas e cargos. Um dos acerto deste episódio foi dar essa visão mais aprofundada por dentro deste universo criado por Negan e seu diferente jeito de operar e liderar.

O plot de Eugene foi um tanto quanto estendido mas teve contornos interessantes. Embora em muitas ocasiões o personagem seja irritante ao ponto de questionarmos sua idade mental, há um senso muito grande de adaptação nele. Não saber se ele de fato foi seduzido pelo lado negro da força é um curioso caminho que a série poderá explorar. A propósito, Eugene já ganhou a confiança de Abraham de forma semelhante. Nunca houve tanto tempo de tela para o personagem que ganha destaque em uma temporada marcada por episódios que vem dando espaço aos coadjuvantes da trama.

O episódio também insinua o começo de um arco diferente para Dwight. A forma como ele protege a ex-esposa e o que ele faz para que isso se sustente é arriscado. Parece claro que em algum momento haverá uma mudança de lado e isso pode ser interpretado na cena final onde ele e Eugene são eles mesmos e ao mesmo tempo Negan. Dwight não é o tipo de personagem querido ou que os fãs gostariam que se mantivesse vivo. Mesmo com uma tentativa de humanização e justificação das ações, jogar por conta própria e voltar a sua origem pós-apocalipse seria uma possibilidade para sair do Santuário. Por enquanto, ele continua o mesmo soldado dedicado.

Explorar situações de forma repetitiva é onde reside o maior problema em The Walking Dead. Há histórias e arcos interessantes sendo introduzidos e a série não precisa de ação constante para ser boa. Entretanto, investir um tempo excessivo em tramas especificas e explorar um núcleo apenas não parece um caminho que funcione mais.

De fato, Hostiles and Calamities é mais um exemplo de potencial desperdiçado e talvez seja um bom momento para os produtores reverem a quantidade de episódios por temporada. Condensar a trama e diminuir o número de capítulos seria um bom rumo para a próxima temporada mas é improvável que isso possa acontecer.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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