Primeiras impressões | Legion

Até hoje ainda não houve uma unanimidade quanto ao tratamento dado aos mutantes nos cinemas. Ao longo de nove filmes, caminhando para o décimo (Logan em Março), a fórmula da Fox parece não explorar a capacidade do material em sua plenitude. Eis que a FX, com uma estupenda bagagem recente, decide exibir na televisão Legion, apresentando o envolvente e promissor piloto Chapter 1.

A trama é uma adaptação dos quadrinhos da Marvel. Criada por Chris Claremont e Bill Sienkiewicz, a história acompanha David Haller (Dan Stevens), um jovem problemático, diagnosticado desde criança como esquizofrênico. Desde então, David frequenta hospitais psiquiátricos e segue todo um regime que inclui drogas controladas e terapia constante. A chegada de uma nova e linda paciente chamada Syd (Rachel Keller) provoca uma mudança drástica na rotina dele,  através de uma aproximação e um evento surpreendente.

A linha tênue entre a loucura e o paranormal é o ponto de partida em Legion. Assumindo um tom que prima pelo suspense, as vozes e as visões de David se confundem com realidade e projeção. Fica claro que muito daquilo que irá ser explorado provém da mente conturbada e dos poderes dele. Também há um que de conspiração governamental, elementos que sempre caminham de mãos dadas com as histórias dos X-Men nos cinemas. A grande diferença e o que pode beneficiar essa história na televisão, é o fato de que há uma possibilidade de trabalhar o tema sem a urgência da tela grande. Existe bastante coisa para ser resolvida depois dos 67 minutos deste primeiro episódio.

Criador da série, Noah Hawley já havia emplacado um excelente trabalho na emissora. Em Fargo, ele produziu e escreveu boa parte dos episódios, mas quase não esteve presente como diretor. Aqui ele se encarrega de imprimir sua marca logo de início, assinando o roteiro e dirigindo de maneira eficiente. O piloto ainda é beneficiado por uma bela fotografia, uma boa trilha sonora e um design de produção que se não é excelente, não fica devendo as grandes séries. A edição do episódio também se encarrega de envolver o espectador, com um vai e vém não linear que não confunde e instiga a curiosidade. Não será uma série de fácil compreensão, mas ao que parece os elementos estarão disponíveis para nosso entendimento.

O protagonista é um personagem apresentado de modo interessante. Apesar de seguir a linha “sou especial mas não sou maluco” que já conhecemos em tantos filmes e séries, David parece emanar um carisma imprescindível para um formato longo como uma série. Dan Stevens parece ter sido uma boa escolha e tem ao seu lado Rachel Keller. Se você deu crédito a série pelo fato de ter sido criada por Noah Hawley,  vai se lembrar dela em Fargo e aqui rola uma química importante com Stevens. A personagem Lenny (Aubrey Plaza) também merece uma menção, com uma loucura cômica. Outros personagens ainda serão mais apresentados ou introduzidos, mas a princípio, o que se viu foi a dinâmica entre os dois.

Um aspecto que despertou bastante curiosidade era a aplicação dos efeitos especiais. Em um primeiro momento, tudo é muito sugerido e eles aparecem apenas depois de um certo tempo. Tirando uma sequência no fim do episódio, onde a artificialidade fica aparente, o uso do recurso foi muito bem empregado. Por ser uma série de TV, imagina-se que isso não vá ocorrer sempre mas o que se viu deixou uma boa impressão.

Sem dúvida alguma, Legion é uma aposta ousada da FX, que sucessivamente tem roubado a cena pelo fato de produzir séries de qualidade. Se teremos uma primeira temporada que conte uma boa história, só o tempo dirá. Mas a primeira impressão é positiva e a série merece uma chance. Até daqueles que nunca leram quadrinhos ou perderam alguns (ou todos) os filmes dos mutante nos cinemas.


Se você gostou dessa publicação, deixe sua opinião, comente e participe. Para acompanhar as publicações do Quarta Parede, siga as redes sociais do blog e receba notificações de novos posts!

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

Deixe seu comentário: