Crítica | Westworld 1×04: Dissonance Theory

Por meio do desajuste de alguns de seus personagens, Westworld expôs em Dissonance Theory uma das boas características da série até então, que é mover-se para frente, mesmo com o acúmulo de mistérios que existem em sua narrativa.

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O mundo no parque temático é como uma bomba relógio na iminência de explodir. Desde o trato negligente dos técnicos com os anfitriões, evidenciados pela bala no abdome de Maeve (Thandie Newton) no fim do episódio, até o despertar cada vez mais próximo dos deles, tudo parece convergir para um caos, muito em breve. Além disso, a divergência de opiniões e o choque de lideranças, através de conflito de interesses tem sido algo interessante de se acompanhar.

No episódio anterior, quando Dolores rompeu o seu ciclo narrativo, deu um passo importante rumo a tomada de consciência. São essas pequenas etapas que fazem essa jornada atraente. Primeiro os flashes, a arma escondida e as conversas com Bernard (Jeffrey Wright). Tudo vem contribuindo para que esse despertar ocorra.

Neste episódio, em um determinado momento ela diz achar que quer ser livre; sua mente é como um prédio, onde há muitas salas vazias, ainda não exploradas. O parque é repleto de locais não explorados por ela e a liberdade pode vir através de um labirinto, que já sabemos existir. Bernard parece ignorar o fato de que Dr. Ford está ciente de suas ações e o advertiu. A não ser que esta conversa entre eles tenha se passado antes disso. É importante dar destaque a este fator pois, uma coisa que também parece acontecer é a linha temporal da série, ainda não revelada, mas que parece se desenrolar em tempos distintos em alguns momentos.

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Neste processo, William (Jimmi Simpson) e Logan (Ben Barnes) a conduzem até um vilarejo e lá tivemos uma das cenas mais intrigantes mostradas, que foi a visão que Dolores tem da filha de Lawrence (Clifton Collins Jr.), com o labirinto. Em que momento ela esteve ali é uma questão importante a ser analisada. Seria um fragmento do código de Arnold? Além disso, quando um anfitrião a questiona e tenta levá-la de volta, há um enervante confronto entre eles e a forma como ela segura o braço é empoderada. Ainda sobre a dupla de cunhados, uma revelação interessante. A empresa da família de Logan tem participação no parque e para aqueles que especulam o fato do Homem de Preto ser um dos dois, em uma linha temporal passada, foi um prato cheio, ainda mais com a revelação de que este possui uma Fundação e aparentemente é uma pessoa conhecida lá fora.

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A propósito, o personagem de Ed Harris teve as cenas mais divertidas neste episódio. Suas conversas com Lawrence, a descoberta da serpente Armistice (Ingrid Bolsø Berdal) e o resgate de Hector (Rodrigo Santoro) foram ótimos momentos, culminando na grande revelação que nos leva agora a enxergar Wyatt como uma figura presente não somente nas novas memórias de Teddy (James Marsden) que a propósito, mais uma vez apenas sofre. É em Wyatt que precisaremos cada vez mais prestar atenção neste jogo. A interação entre o Homem de Preto e os bandidos também foi boa, e mais interessante ainda é notar a ausência da percepção dos robôs quando ele se refere ao parque como um jogo. Desde elementos espirituais até visões de um triste passado, isso é tudo que eles possuem como referência para as suas memórias. Mas nem todos as possuem e falaremos disso mais a frente.

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Outro ponto curioso neste personagem, além de um vislumbre de sua posição no mundo exterior, é o conhecimento que ele tem sobre quem é Arnold. Segundo ele, o homem que criou aquele mundo e morreu no parque tinha outra história para contar, por isso o interesse na tatuagem de Armistice. Será que Wyatt então é um personagem importante neste acontecimento obscuro do passado? A conferir. Também fica claro, e isso vem sendo explorado nos episódios anteriores, a sua posição de cliente vip quando ele utiliza os charutos que explodem um dos anfitriões e a cela da cadeia. Seu acesso parece ser quase que irrestrito por ali. A grande questão é saber se isso se dá por conta de sua condição financeira ou pelo tempo que ele frequenta o local.

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Algo que chama atenção em Westworld é ver como as peças se movem em ambientes distintos. Se dentro do jogo, as intenções ficam cada vez mais claras, nos bastidores isso se intensifica. Dentro desse contexto, duas cenas deram destaque a Theresa (Sidse Babett Knudsen). Num primeiro momento, ela aparece durante as investigações sobre aquele anfitrião que esmagou a própria cabeça, assumindo o caso e designando à Qualidade, sua equipe. Quando Bernard não se opõe, fazendo com que Elsie (Shannon Woodward) ficasse furiosa, está mais evidente que para ele é conveniente agradá-la e também deixar que isso não caia nas mãos de sua perspicaz subordinada.

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Depois, no ápice do episódio, ela vai conversar com Dr. Ford, e Bernard, com quem já havia aliviado a tensão no quarto, tinha lhe advertido sobre a abordagem e o fato de não aparentar nervosismo. A cena do diálogo entre os dois não somente é grandiosa, como extrai dos atores boas interpretações, em especial do sempre ótimo Anthony Hopkins. Ali, o peso que ele possui é evidenciado através do aparato utilizado para preparar o terreno para uma próxima aventura do parque e sua superioridade, através do controle quase que mental de seu “exército de anfitriões”. A cena não somente impacta quanto chega a assustar de certa forma.

Além disso, ele mais uma vez demonstra saber de tudo, quando menciona saber da relação dela com Bernard, algo que já havia feito com ele sobre suas conversas com Dolores. Isso com certeza dá um peso maior ao personagem, que nega a loucura mas flerta com a mesma constantemente. De quebra, o cenário onde eles conversam é o mesmo que Theresa visitou quando criança. Ele diz saber tudo sobre seus convidados. É espantoso saber o quanto ele sabe.

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Maeve emerge

Outra personagem que ganhou destaque, não pelo tempo de tela mas pelas ações, foi Maeve. Certa de que há alguma coisa de errada, no meio de uma conversa com Clementine (Angela Sarafyan) ela começou a ter flashes do passado, sobre um tiroteio que envolveu uma de suas “mortes”. Até ai nada demais, entretanto quando Hector chega na cidade para a narrativa do assalto, duas revelações importantes acontecem.

A primeira é sobre o boneco que um dos anfitriões nativos carregam, que o bandido explica ser uma espécie de ser que habita entre o céu e o inferno. Ele se parece com os funcionários que trabalham na manutenção, mas por qual motivo? Já se imaginava que a tomada do controle da consciência poderia acontecer, assim como um acidente como o de Maeve no segundo episódio? E por que nem todos os anfitriões sabem dessa história? O outro fato é a descoberta da bala que ela tira da barriga, que reforça a ideia de um certo desleixo dos funcionários, que pode ser para colocá-los no parque mais rapidamente.

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É fato que este foi um episódio com ritmo mais lento. Entretanto, é através dos detalhes e revelações que iremos descobrir, pouco a pouco, os segredos deste mundo. Nada que Jonathan Nolan e Lisa Joy nos oferecerão em Westworld será fácil, mas o grande mérito até agora é entregar sempre algo que mova a trama e nos situe. Desta forma, a toca de coelho que Dolores descobriu no episódio passado, e o mundo novo que ela começou a explorar irá crescer cada vez mais, e essa preparação até o momento não falhou e só aumenta nossa expectativa para entrar, junto com ela (e o Homem de Preto) neste labirinto.

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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...