Crítica | The Walking Dead 7×01: The Day Will Come When You Won’t Be

Um novo mundo forjado através de sangue e brutalidade. É assim que The Walking Dead iniciou sua aguardada 7° temporada, resolvendo o mistério em torno do da vítima de Lucille e abalando o psicológico de todos, inclusive da audiência no nervoso episódio The Day Will Come When You Won’t Be.

Incômodo foi pouco para definir o episódio. Com uma construção baseada no terror psicológico de Negan, que já se apresenta até aqui como o maior vilão da série, é necessário destacar a magnífica atuação de Jeffrey Dean Morgan, que não passa do tom em momento algum e confere todo o ar sarcástico e brutal ao personagem. Com menos de 15 minutos no fim da temporada anterior, já dava para sentir sua presença ameaçadora, que convence. Pode-se dizer que ele é um vilão que certamente amaremos odiar. Fato é que The Walking Dead não será mais como antes e será preciso se adaptar e esta nova era, bem mais perigosa com todo esse horror estabelecido, orbitando ao redor dos protagonistas.

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A atuação mais destacada neste episódio  é a de Andrew Lincoln. Este Rick Grimes é totalmente diferente de tudo que já vimos até aqui. Ele não está somente quebrado mas despedaçado, sofrendo todo tipo de humilhação possível. Todas as nuances do personagem, passando pela ponta de orgulho que ainda restava na ameaça de morte a Negan, até o desesperador momento em que quase foi obrigado a mutilar o filho, foram sentidas e assimiladas de forma emocionante. Em vários momentos, os planos fechados, seja no protagonista é até mesmo nos demais personagens, enfatizaram toda angústia vivida por eles. Rick, em especial, tem o momento mais desolador no fim e o seu olhar reflete a audiência da série e sua liderança igualmente quebrada, rendida as pés do novo vilão. Não faltaram momentos em que os olhos de Andrew falaram mais do que palavras.

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Este foi um episódio que teve uma boa direção, atuações impactantes e sobretudo, uma montagem bem acertada. Alternando momentos na manhã seguinte às mortes, com o flashback da madrugada anterior, tudo pode ser contado de maneira eficiente e é necessário dizer que poucas vezes um intervalo comercial foi tão necessário para aliviar a tensão, impulsionada pelo recurso utilizado. Foi um episódio pesado para a audiência, com um ritmo intenso e esta não foi poupada em nenhum momento. Inclusive em um devaneio onde Rick visualizava, através das palavras de Negan, o jantar que nunca acontecerá.

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Desde a última temporada, as consequências dos atos do grupo de Rick impactaram o modo como eles continuaram sobrevivendo. A decisão de mover os zumbis na pedreira, a auto-suficiência em Hilltop e o ataque a base dos Salvadores, da mesma forma que o descontrole de Daryl (Norman Reedus) após a morte de Abraham, favoreceram as reações adversas que o grupo passará a enfrentar. Mais do que isso, o maior perigo hoje na série se configura através da própria existência humana, exposta a flor da pele, a partir de situações extremas. Em The Day Will Come When You Won’t Be, isso fica claro de forma devastadora. Cabe dizer que o apocalipse zumbi e os mortos vivos, passaram de perigo central para pano de fundo há tempos em The Walking Dead.

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Contrariando a expectativa de  muitos críticos  da série e fãs insatisfeitos, as mortes foram além de visualmente chocantes, corajosas em atingir dois personagens importantes: Abraham (Michael Cudlitz) e Glenn (Steven Yeun). Sim, o sargento era um membro que embora não tivesse o protagonismo do coreano (há tempos esquecido diga-se), era capaz de impor presença física e oferecer resistência em uma investida inimiga. Tanto é que mesmo atingido, teve a capacidade de mandar Negan lhe chupar, sendo sarcástico até o fim. Glenn era a aposta certa para a série manter-se fiel ao material de origem, principalmente após uma sexta temporada com fan-service acentuado. Porém, muitos duvidaram e chegaram apostar em nomes menos expressivos como Aaron e Eugene. Certo mesmo é que ambos os momentos foram viscerais e incômodos de assistir.

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Graficamente, há muito tempo não se viam mortes tão impactantes na televisão, levando em consideração o carisma dos personagens e o modo  como aconteceram. Desde as pancadas desferidas por Negan, até o olho de Glenn idêntico as HQs de Robert Kirkman, todas a cenas que explicitaram o horror em forma de gore causaram desconforto, angústia e principalmente reforçaram a condição de ameaça que Negan impõe ao grupo. Desde o Governador, passando pelos canibais de Terminus e os Lobos, nada se parece com o perigo que se apresenta agora. Não é só mais uma questão de antagonismo: não há mais controle, propriedade sobre si mesmo e o mundo caiu diante dos olhos de Rick, Carl, Maggie, Sasha, Aaron, Rosita, Michonne e Daryl.

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Desta forma, The Walking Dead fez o que há muito tempo não conseguia: um episódio impactante, mobilizando as redes sociais de maneira absurda e toda a base de fãs, de uma forma somente vista recentemente em episódios de Game of Thrones, como a Batalha dos Bastardos e o Casamento Vermelho. Com um novo fôlego, mesmo que na base de violência extrema, que possamos ter episódios focados em mover a trama para frente, sem as habituais barrigas de roteiro. Não faltarão elementos para tal neste sétimo ano: o aguardado Reino, Hilltop e a nova ordem mundial, que atende pelo nome de Negan e sua sedenta Lucille.

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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

6 thoughts on “Crítica | The Walking Dead 7×01: The Day Will Come When You Won’t Be

  1. Conseguiram mesmo me enganar. Eu não esperar, depois de escolherem o Abraham, que teria aquela virada! Achei que depois da frustração com o último episódio da temporada passada, eu não voltaria a ficar tão tensa com TWD. Me enganei. Que bom!

    1. Já imaginou que perfeito seria se este episódio fosse o season finale da temporada anterior? Se o cliffhanger fosse de um episódio para o outro, acho que a turma ia se invocar menos. De qualquer forma, to empolgado!

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