Crítica | Mr. Robot 02×11: eps2.9_pyth0n-pt1.p7z

Muitas coisas em Mr. Robot são estranhas, mas definitivamente em eps2.9_pyth0n-pt1.p7z Sam Esmail elevou a imprevisibilidade da série, frustrando expectativas em torno do final do episódio passado e focando em uma estranha melancolia, com aquele toque de abstração ainda maior. Recentemente, o produtor declarou que pretende realizar quatro ou cinco temporadas no máximo. A grande é questão é: aonde ele pretende chegar com esse enigmático acúmulo de perguntas sem resposta? Ele disse que já sabe.

Sem dúvida alguma, a sequência mais intrigante deste episódio foi o interrogatório de Angela, desde sua captura até o momento em que encontra sua advogada. Toda estranheza dos seus captores, que entram mudos e saem calados de cena é adequada ao local o qual se encontram: uma casa com vários retratos cujos rostos estão cobertos, uma sala vazia e escura, iluminada por um aquário, com um computador velho e um telefone vermelho, entre outros itens. Claro, a menina que a interroga também é inusitada. Ela até se parece com a própria Angela, tanto fisicamente quanto no jeito sistemático e no vestuário formal.

O teste chama atenção pelo nome: Terra de Ecodelia. Em linhas gerais, isso remete a algo meio psicodélico, como alucinações induzidas por reações químicas com efeito alucinógeno. Procure no google por ecodelismo. Pode ser que tenha nada a ver com isso mas a julgar pelo rumo que as coisas tomaram neste episódio, não deve ser descartado, embora seja desconexo considerar algo mais transcendental ao passo que o viés da série é tecnológico. Fato mesmo é que o questionário/teste é bem aleatório: vermelho ou roxo? Você já chorou durante o sexo? Tudo meio sem sentido. E Angela passa.

Quando Whiterose entra em cena, a esperança de que algo altamente revelador virá a tona emerge impressiona. Destaque para a fantástica atuação de BD Wong. É a sua melhor cena em toda a série, sem exagero. E apesar de terem sido 28 minutos de seu precioso tempo dedicados a Angela, com uma Portia Doubleday igualmente inspirada, a conversa não diz muito em termos de respostas mas colocam uma série de questionamentos como o porquê dele ter dito que ela e Elliot fazem parte de algo importante e que seus pais morreram por um bem maior. Experimento científico? Tem a ver com a contaminação que matou os seus pais? Não sabemos é claro.

O controle ilusório, tema central da série, tem muito a ver com a nossa condição de espectador. Estamos tão perdidos quanto o protagonista, Angela ou qualquer um. O que fica claro é que ela irá cooperar com o Dark Army, ao visitar sua advogada em outra estranha cena.

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Quem não iria gostar muito disso é Philip Price, que neste episódio mais uma vez articula uma jogada de bastidores, tentando convencer o secretário do tesouro nacional sobre a criação de uma nova moeda: o E-Coin. De onde vem a grana? Daquele financiamento astronômico do governo chinês, sem juros, intermediado por Whiterose após uma conversa que ambos tiveram alguns episódios atrás. Com isso, o controle da economia fortalecerá a empresa e parece que a intenção do CEO da E Corp é mover as peças sob o pretexto de reconstruir a economia, com o governo sob suas asas. Apenas um motivo para um plano maior que se desenha aparentemente. Isso também pode explicar o pedido que ele fez no episódio passado a Terry Colby, para que forçasse o uso de sua influência em um processo de soberania no Congo, favorecendo os chineses.

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Em mais uma das questões que ficaram pendentes, numa única  e curta cena Joanna Wellick revela a Mr. Sutherland que o endereço que Elliot havia descoberto, seria o melhor dos presentes que ela poderia ter ganho. E é somente isso. Somente aguardando mesmo para saber algo mais, sinto dizer. Assim como nos resta esperar até o próximo episódio para confirmarmos o que aconteceu com Darlene. Ao que tudo indica, como os peritos da maravilhosa internet já constataram, aparentemente Cisco está morto. O interrogatório que Dom se referia a Santiago provavelmente seria o da irmã de Elliot, porém o roteiro nos colocou para fora do desenrolar das ações após o tiroteio.

Da mesma forma como ocorreu na China, DiPierro é afastada da investigação, e este é um tormento para ela. Ligando todos os pontos em relação ao Dark Army e até uma possível relação com o governo, toda sua frustração chega ao ápice em sua casa, sozinha, sem sono e com a compania de um comando de voz. A atriz Grace Gummer entregou um bom momento dramático e é a coisa menos irreal que você assistiu no episódio, em que pese sua conversa com Alexa, uma máquina com respostas pré-programadas.

Com a mente desperta e o corpo adormecido, Elliot iniciou uma jornada inversa ao fazer com que Mr. Robot (Christian Slater) tomasse conta das ações. Como já suspeitávamos, ele estava agindo por conta própria e o que tanto buscava no apartamento era uma endereço, devidamente codificado. A cena em que ele desvenda o código tem uma montagem bem dinâmica, com cortes rápidos para os números, os programas na tela e os rostos dos personagens.

Tudo fez com que a tensão aumentasse até o momento revelador, quando surge o endereço. Note uma coisa: é curioso este conceito de que Elliot observa Mr. Robot, quando na verdade ele não se vê, apenas age. É quase que um transe, embora seja algo estritamente psicológico pelo que sabemos. Não é a primeira vez que vemos isso. Claro, é um recurso visual onde visualizamos o alter-ego agir mas não deixa de ser curioso o quanto isso vem se intensificando.

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O momento que todos esperavam  na temporada e que encerra o episódio também não poderia deixar de se estranho. O reaparecimento de Tyrell indica três possibilidades: realidade, outra personalidade e até mesmo um sonho. Nada deve ser descartado. Se estiver vivo, o que não parece provável pelos rumos que a série tem tomado, será difícil explicar como este homem tão procurado caminha tão tranquilo por ai. Caso seja fruto de mais um transtorno de identidade, será igualmente complicado conectar todas as ações dessa personalidade, desde o momento de sua suposta morte. Se tiver sido um sonho, o menos provável, não vai ter como aturar.

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Restando apenas um episódio para fechar a temporada, sabemos que certamente haverá um gancho para a próxima mas,como estabelecer um plot twist com tantas questões em aberto? O que é a Fase 2 do Dark Army? Tyrell é real? Onde estão Mobley e Trenton? O chefe de Dom está desencorajando a agende de propósito? Como Leon soube que deveria proteger Elliot? Qual o endereço que Joanna descobriu? Quem matou Romero? Darlene sobreviveu? A fsociety acabou? Por que tantas referências no episódio ao filme De Volta Para o Futuro II (repararam as músicas)? A pegada da série irá ganhar outros contornos? Estes e outros questionamentos serão difíceis de serem desvendados em pouco mais de 40 minutos. Que tenhamos pelo menos alguma direção até o próximo ano.

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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...