Crítica | Mr. Robot 02×10: eps2.8_h1dden-pr0cess.axx

Com a tensão a flor da pele e um thriller psicológico enervante, o excelente episódio eps2.8_h1dden-pr0cess.axx não foi somente um dos melhores da segunda temporada de Mr. Robot até aqui, como também de toda a série. Por quase uma hora, foi impossível desgrudar os olhos da televisão, em meio a tantos acontecimentos.

Como já é de costume, toda aparição de Philip Price costuma ser boa, com a peculiar arrogância do CEO da E Corp, interpretado de forma impecável por Michael Cristofer. Certa vez, ele se declarou o mestre do universo. Ele reafirma seu status quo quanto diz a Terry Colby (aquele mesmo que indicou Angela na empresa) que é o homem mais poderoso do mundo, menos dentro de uma ou duas salas. Quais serão?

Afirmações a parte, ele planeja influenciar, através de Colby, o governo americano a se abster em um processo de soberania política no Congo, para beneficiar a China. A conexão e os interesses entre o país asiático e Price existem e nós já sabemos através de quem isso ocorre. O que é mais interessante nisso tudo é que as coisas estão se ampliando a um nível cada vez maior, dando cada vez mais um ar conspiratório na série. A conversa termina com aqueles enquadramentos já peculiares que Sam Esmail tanto gosta, mas o que chama atenção mesmo é o título do livro que Colby irá lançar: “O Último Homem Honesto”.

Mr. Robot - Season 2

Voltando ao final do episódio anterior, sob a perspectiva de Joanna, continuamos a ver que ela insiste em associar o desaparecimento de Tyrell a Elliot, ou melhor, Ollie. A cena em que ele tenta sair da casa e é barrado pelo Mr. Sutherland não só remete a seriedade do convite, como também é reforçada por um monólogo intrigante, onde Joanna diz que ao desejar as jóias de uma mulher (ela estava usando os brincos), pediu para que Tyreell fizesse sexo com ela e os trouxesse no dia seguinte. Mas o que isso tem haver? Na verdade, só demonstra e reforça o fato de que os dois, movidos pela determinação em suas intenções, são capazes de qualquer coisa. Inclusive matar, e já conhecemos este lado da Sra. Wellick.

Fato é que Elliot teve que ajudá-la, com direito a um sussurro (irresistível) no ouvido, que conseguiu ser, ao mesmo tempo, sexual e assustador. Mesmo sabendo da suposta morte de Tyrell através de Mr. Robot, que aqui se faz presente até um certo ponto, e depois se ausenta. Melhor tentar localizá-lo afinal, pois a mulher não está para brincadeiras. É preciso dizer que, nesta temporada, foi a melhor cena da bela Stephanie Corneliussen.

Mr. Robot - Season 2

Antes de ir ao antigo apartamento, que não via desde sua prisão, Elliot precisou ir a uma loja comprar alguns itens para que fizesse a localização do número de Tyrell, isso porque, todo seu aparato já estava comprometido pela apreensão da polícia. Lá, quando ele recebe uma ligação no celular que Joanna pensa ser um presente do marido, sentimos uma respiração e derrepente Mr. Robot desaparece. Agora ele está por conta própria. No apartamento, tecnicamente falando, não sei se é viável fazer o que ele fez ou mais uma licença poética, que foi construir uma engenhoca com direito a uma lata de batatas Pringles. Fica até meio over para aceitar mas ele consegue rastrear o número.

Antes disso, uma das melhores cenas do episódio. Enquanto Mr. Sutherland conversa com Elliot, ele se abstrai completamente da situação e passa a interagir conosco, enquanto a câmera passeia pelo seu apartamento, sempre mostrado na penumbra. Que cena! O protagonista parece ter reforçado o elo conosco, e somos agora parte do show novamente, procurando alguma pista. Voltando ao rastreamento, quando o número é localizado, e aparentemente em um endereço conhecido pelo guarda costas, ele afirma que não era possível que as ligações viessem de lá e vai embora. Mais um mistério a se considerar, entre tantos outros.

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Durante todo esse processo de hackeamento da polícia, Elliot havia recebido inquietantes mensagens de texto, que depois ficamos sabendo ser de Angela. O encontro no metrô, é cheio de suspense, com uma trilha eletronicamente pensada para aumentar a tensão que se intensificaria no ato final. Mac Quayle brilhou mais uma vez com sua música e isso fez parte da narrativa de forma substancial. O diálogo entre os dois traz um tom de derrota e questionamento. “Por que você criou a fsociety?” Uma pergunta mais do que suspeita, devemos admitir.

Angela admite que não há possibilidade de vencer e que irá se entregar ao FBI, admitindo que plantou a femtocell, mas sem envolver Elliot. A relação entre os dois sempre foi bastante intensa, com uma forte conexão afetiva, mas que pela primeira vez se manifesta através de algo mais íntimo como um beijo. Algo afetuoso demais para Elliot, e pode-se dizer por isso, genuíno. Com isso, mais um ponto fica em aberto, pois quando eles se despedem, duas pessoas se aproximam dela e a cena é cortada.

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As atitudes da fsociety trouxeram consequências ruins, e em vários episódios temos constatado isso. Mais uma vez, situações como a falta de energia e a limitação de saque de dinheiro são colocadas em questão. A quem essa revolução serviu? Cada vez mais fica a impressão que, ao querer libertar, o grupo se viu aprisionado por uma organização sombria e com interesses mais obscuros: o Dark Army. Cada vez mais o cerco vem se fechando e dessa vez, Darlene quase tem uma nova recaída quando Cisco lhe mostra o que havia na casa de Susan Jacobs. Vincent, que havia sido designado para um ato do grupo em Washington, fugiu, apanhou e voltou para onde seria a base deles. Todas essas ações começaram a desencadear um dos eventos mais intensos da série até agora.

Mr. Robot - Season 2

O simples fato de Cisco ter voltado à casa já fez com que ele pudesse ter sido reconhecido, a partir do momento em que Dom, seguindo o rastro dos dois, invadiu sua casa com o FBI e encontrou um crachá com seu verdadeiro nome. Uma decisão certa porém arriscada, pois levar o rapaz ao hospital e ficar por lá era o melhor para ele mas não para os hackers. Não demorou muito e o rosto de Cisco já estava na televisão como procurado, e isso chamou atenção dos perseguidores da fsociety. A partir do momento em que os dois saem para comer, uma das melhores sequências de Mr. Robot aconteceu.

Enquanto falava acerca de um sequestro que sofreu na infância, e da frustração que tinha em saber que Elliot sempre foi especial, Carly Chaikin deu a Darlene uma profundidade antes não vista e foi um monólogo muito bom. Enfim ela admitiu que não tinha como suportar as consequências do que havia feito. A cena alternou com Dom indo até o hospital e tentando localizá-los, com a intensa trilha já citada e no fim, a catarse: Uma câmera de longe, mostrando DiPierro entrando no restaurante e abordando os dois e os motoqueiros chegando para realizar o assassinato, com o reforço policial chegando alguns segundos depois.

Note que, como na China, o atirador se mata ao ser ferido. A agente escapou, mais uma vez, mas provavelmente pelo sangue em seu rosto e a proximidade dos tiros, Darlene, Cisco, ou os dois podem ter tido um fim naquele local. Certo mesmo é que também iremos morrer, mas de curiosidade até a revelação, muito por conta da forma como foi executada a filmagem. De fato, aquilo foi mostrado, o evento todo foi visualmente contemplado, mas não é possível saber quem morreu. A perspectiva da câmera gerou toda e tensão e o suspense que irá durar uma semana. Elogios também não devem faltar para Grace Gummer que faz de sua personagem uma das melhores deste segundo ano da série.

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Faltando muito pouco para o final da segunda temporada, Mr. Robot cresceu consistentemente nesses três últimos episódios e tem tudo para elevar ainda mais o status da série, agora que foca somente nos eventos principais. Entretanto, com tantas pontas soltas, será inevitavelmente impossível resolve-las de uma vez ainda neste ano. A conferir o que Sam Esmail tem reservado para a sua audiência.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...