Crítica | Mr. Robot 02×09: eps2.7_init_5.fve

Definitivamente, confiança não é algo que devemos considerar em Mr. Robot. Neste ótimo e mais calmo eps2.7_init_5.fve, as coisas não só ficaram conturbadas nesse sentido, como também reforçaram a ideia de que o controle está ruindo, e desta vez para todos.

Tratando  de contextualizar a vida de Elliot dentro da prisão, que tínhamos visto de forma emulada nos 7 primeiros episódios, uma sequência tomada pelo laranja nos mostrou os seus 86 dias de detenção, através de uma ótima  montagem, intercalando realidade e o imaginário, mostrando as coisas que já desconfiávamos: Ray era carcereiro e seu capanga, um dos guardas; Leon já estava preso por lá e Hot Carla é na verdade um piromaníaco travestido. Também soubemos, finalmente, quem bateu na porta do apartamento de Elliot no final da primeira temporada, o motivo de sua prisão, o seu estranho julgamento e o surgimento deste mundo analógico que tanto estranhamos.

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Curiosamente, o 9/5 o salvou da cadeia, pois deveriam ser 18 meses por causa dos crimes denunciados pelo namorado de Krista. Assim, quase todas as pontas foram amarradas, mas se você se perguntou sobre as cenas de Ray em sua casa e no furgão com seu capanga, não se preocupe: era só mais uma mentira de Elliot. Quanto a ligação de Leon com os chineses, esperamos ainda ter noção do que se trata.

Fora da cadeia, a confiança e a paz que estava restabelecida com Mr. Robot parece não ser bem o que Elliot imaginava. Em alguns momentos ele está no controle, mas em outras situações, se vê fora de si, observando seu alter-ego atuar. São cenas estranhas, nervosas e quase remetendo a um transe. Na casa de Cisco, quando ele “apaga” é possível notar a expressão de Darlene como quem estivesse vendo algo acontecer novamente. No metrô, a cena é ainda mais perturbadora: ele se vê num outro vagão enquanto um doente mental toca um mini teclado, de forma descontrolada e bizarra, em uma cena que vai dando pavor pela cara de assustado de Elliot e a música sintetizada que vai subindo até chegar ao clímax: ele calado e a pessoa, neste caso Cisco, olhando.

Mr. Robot - Season 2

Assim que se vê livre, Elliot visita sua mãe e duas coisas chamam a atenção: seu estado psicológico e o quarto, remetendo ao próprio filho em seus dias encarcerado. Pronto para voltar a ativa, sua jornada agora não se trata apenas de assumir o controle ou não. Assim como Mr. Robot bloqueou os 3 dias de Elliot e o que aconteceu com Tyrell, a chamada fase 2 do Dark Army também está sendo escondida e guardada em algum lugar de sua mente insana. Não seria exagero considerarmos que haja uma terceira personalidade.

Outro ponto interessante neste episódio é que passamos a enxergar visualmente Mr. Robot como Crhistian Slater, interagindo com os outros personagens como se fosse Elliot, e em outros momentos, o protagonista agindo como seu alter-ego, como na cena em que ele grita com Xun, quando vai falar com o exército das sombras. Confiança e controle parecem não estar alinhados e esse é o novo tormento para ele. Não podemos esquecer de Joanna, que na última cena aparece no SUV de Tyrell, para confundir ainda mais as coisas. Olá Ollie! A julgar pelo nome dito, mais perguntas virão, pois ela ainda deve achar que esse é o nome dele.

Mr. Robot - Season 2

Com Elliot de volta, os coadjuvantes voltaram a uma posição secundária, com Darlene estando limitada ao apartamento e a soltura do irmão, em uma cena que incluiu batata frita e um abraço desajeitado. Não que ela tenha ficado de lado, pois é através de suas escutas do celular grampeado de Xun que vem a grande revelação do episódio. No entanto, depois de tanta tensão por parte da personagem no episódio anterior, aqui a calmaria deu lugar e isso foi até bom para aliviar a carga. Por outro lado, constatou-se que Mobley e Trenton realmente fugiram, e a menina inclusive foi dada como desaparecida. Também vimos que entre o taco de beisebol na cabeça de Cisco e a saída de Elliot da cadeia, se passaram 3 semanas, o que mostra que a linhas temporais das tramas não estavam caminhando de forma tão sincronizada.

Mr. Robot - Season 2

Militando em outra frente, Angela novamente nos trouxe cenas tensas e muito bem executadas. Logo no início, quando ela hackeia um computador ao estilo fsociety (está ficando boa nisso), a cena é filmada bem devagar, quase que num plano sequência que só é interrompida quando é chamada pelo patrão da secretária pela qual se passava. No entanto, tudo vinha dando muito certo para ela, como a denúncia para a Comissão Reguladora Nuclear, o hackeamento do FBI e o jogo duplo na E Corp.

Se tem algo com o que ela não contava era a revelação em seu apartamento. DiPierro, sempre no encalço, aparece com sanduíches e uma indigesta revelação: está na cola dela há dois meses. Com isso, mais uma vez aquela sensação de controle e sucesso de suas operações caem por terra. Ainda há coisas a serem descobertas mas a cada episódio, Dom (que já sabia do cd na Allsafe) se mostra no caminho certo e com este mote, cada vez mais confiante.

Mr. Robot - Season 2

Whiterose

Voltando a aparecer, e dessa vez em solo americano, Whiterose vai da sua estranha personalidade feminina, que urina na lápide do antecessor de Philip Price, até seu diálogo com o CEO da E Corp. O enquadramento da cena, onde caminham por um jardim é extremamente harmonioso, assim como seus guarda chuvas alinhados, o que contrasta com a atual relação dos dois. Michael Cristofer e BD Wong arrebentam em cena. Entre promessas de apoio, conspiração governamental e ameaças de morte, o diálogo entre os dois foi extremamente feroz e agora estamos menos no escuro, embora muita coisa precise ser revelada sobre os dois. Whiterose tem interesse em Washington e Price precisa que o governo chinês invista na recuperação do empreendimento, que está sendo perdido devido ao caos pós 9/5. Aonde isso irá chegar e aonde podemos encaixar o interesse em Angela no meio disso tudo?

Mr.Robot-02x09-Whiterose-Philip-Price

Em termos visuais, este episódio foi um dos mais simétricos da série. Claro que todos os enquadramentos “diferentões” de Sam Esmail estão presentes, mas cenas como a de Elliot e Mr. Robot, em perfeito alinhamento ao sair da cadeia, mostram como o diretor subverte a si mesmo em determinados momentos. Também chamou a atenção a forma como a luz é trabalhada, seja nas cenas de Angela ou no apartamento de Cisco. Tudo isso torna a narrativa densa e quando não mostra por mostrar, Esmail é certeiro.

Com a inserção de Elliot na trama principal e as conexões se estreitando, Mr. Robot caminha para o final da segunda temporada em meio ao caos e descontrole de seus personagens. Muito ainda precisa ser revelado e o controle definitivamente não é algo que devemos esperar.

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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...