Crítica | Mr. Robot 02×07: eps2.5_h4ndshake.sme

Com um cínico pedido de desculpas através de seu protagonista, Sam Esmail trouxe a tona em eps2.5_h4ndshake.sme a revelação do que muitos já suspeitavam, após sete episódios. Se por um lado o fim do mistério soa como um alívio para a audiência de Mr. Robot, por outro, a sensação que fica é que o recurso poderia ter causado muito mais impacto se tivesse sido utilizado um pouco antes.

A descoberta de que Elliot estava emulando uma realidade imaginária nos leva para o quão insano tem sido o comportamento dele nesta temporada. Ao analisarmos o episódio passado, onde seu alter-ego o projetou em uma siticom, chegamos a ver dois locais imaginários além da realidade. Logo no início ele afirma que não tem sido muito verdadeiro conosco e de fato, muito do que vimos foi uma realidade distorcida. Entretanto, algumas pontas não foram amarradas como as cenas de Ray sozinho em casa e no furgão com o seu capanga. Ainda não é possível afirmar também se o negócio do gângster da Deep Web realmente era online ou somente mais uma projeção da mente alucinada de Elliot.

Entretanto, alguém que muitos acreditavam ser mais um amigo imaginário mostrou que além de ser um grande entusiasta de Seinfeild, também possui habilidades com faca e laços com Whiterose: Leon não só o livrou de uma agressão (e estupro) como nos revelou que o Dark Army tem braços muito mais influentes do que se imaginava.

Outro grande mistério que fica somente revelado nas entrelinhas é o sumiço de Tyrell Wellick. Embora Elliot tenha prometido ser verdadeiro no início do episódio, não pode ser considerado seguro ainda afirmar que ele esteja morto, embora Mr. Robot tenha deixado isso evidenciado. Ele pode sim ter atirado mas será que o matou? Uma coisa também é duvidosa: não haveria tempo suficiente para que Elliot fosse colocado em um regime prisional como o que ele está pela acusação de assassinato, se formos considerar que há um julgamento no meio disso. É mais plausível que possa ser algo ligado ao ex-namorado de Krista, por exemplo, mas ai cairemos no mesmo argumento, então é melhor aguardar por maiores explicações sobre o que de fato acontece.


No outro foco do episódio, Angela tem movido as peças por dentro da E Corp e após recusar com um sublime “não” um jantar com o aniversariante Philip Price, conseguiu uma vaga no setor de Gestão de Riscos da empresa. Conseguiu não, forçou a barra. O mais notável na personagem é que mesmo pedindo uma atuação na maioria das vezes inexpressiva e beirando o poker face, Portia Doubleday tem estado muito bem no papel, e dessa vez não foi diferente. Sua postura fria diante de seu pai foi impactante e sua cena com Dom, outra ótima personagem sempre bem interpretada por Grace Gummer, foi tensa como no final do episódio anterior. A tentativa frustrada de recuperar os arquivos de vídeo é impagável e DiPierro mostra que considera Angela como suspeita realmente de ter feito algo.

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Em paralelo, descobrimos que uma das coisas que estavam sendo planejadas pela Fsociety era jogar os testículos, que foram cortados de uma estátua no início da temporada, em uma votação da câmara. Outro momento interessante foi quando Darlene e Angela conversaram sobre as intenções do grupo e elas falam sobre o quanto eles (Darlene e Elliot) a subestimavam quando criança. Darlene não nega. De fato muito se tratava disso e agora as coisas estão às claras.

Uma das melhores cenas do episódio foi Angela no táxi, em mais uma constatação de que o hackeamento continua trazendo consequências ruins para aqueles que não eram alvo da revolução, como os serviços de coleta de lixo interrompidos por falta de pagamento. No episódio passado isso já havia sido mencionado através do iminente fechamento da loja que Dom costuma frequentar e isso tem sido colocado de maneira sutil e acertada.

Mr. Robot - Season 2

É sabido que Mr. Robot tem trazido nesta temporada subtramas desconexas afim de juntá-las (ou não) em algum momento. Mas é notório que nenhuma delas tem sido tão desconectada quanto a de Joanna Wellick. Entre presentes esquisitos, telefonemas mudos e sadomasoquismos, agora ela presenteou Derek com uma carta de divórcio e levou um banho de tinta vermelha. Ao mesmo tempo, não parece se desapegar tão facilmente. Das duas uma: ou sua personalidade assassina vem sido desenvolvida para nos mostrar o quanto ela poderá ser má com Elliot, ou Sam Esmail tem algo grandioso para a futura ex-senhora Wellick.

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A discussão sobre a realidade apresentada em tela e o que realmente existe vem acontecendo há algumas semanas e de fato, muitas pessoas acabam confundindo o isso com o andamento da série. Mr. Robot nunca teve um ritmo acelerado, e isso não siginifca que o que esteja sendo contado não é bom, e este é um ponto importante de se observar. A série se trata de um thriller psicológico, é bom lembrar. Quanto ao mundo paralelo de Elliot, este sim pode ser questionado pelo ponto de vista da trama. Mesmo com alguns encontros com pessoas de fora, como Darlene, Angela e Gideon, o personagem prinicpal não tem movimentado a história e também está preso em uma subtrama. Não é como o caso de Joanna, que não sabemos onde pode ir, e justamente por isso ocorre a ansiedade para que o protagonismo dele volte a ocorrer de fato.

Se considerarmos que o desenvolvimento do personagem e sua desconstrução precisou ser feita para que pudesse ficar de fato em paz consigo mesmo, talvez possamos enxergar as coisas de uma outra forma. Por hora Sam Esmail ainda tem crédito, o pedido de desculpas foi aceito e as mãos podem ser apertadas.

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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...