Crítica | The Night Of 01×03: A Dark Crate

Depois de uma longa noite e um dia seguinte apreensivo, The Night Of decidiu desenvolver personagens já apresentados e introduzir novas peças nas duas frentes de batalha que o protagonista irá enfrentar: o tribunal e a prisão.

O episódio A Dark Crate evidenciou não somente as entranhas corruptas do sistema carcerário, com regalias e todo um poder paralelo, mas a negligência conveniente que existe em muitas situações envolvendo assuntos criminais. Naz, cidadão americano mas com raízes paquistanesas, já entra nesse jogo perdendo e o que se vê é que, em um universo de minorias, uma tensão e raiva crescente serão exploradas. Tanto na cena do crime com detalhes passando despercebidos, quanto na cadeia, onde a sua não favorável sentença já foi aplicada extra-oficialmente.

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Fora da delegacia e lançado ao purgatório, Naz terá que sobreviver e isso terá um preço. Visivelmente assustado em um mundo completamente diferente de tudo que já havia visto, o  garoto é uma celebridade, mas não das boas segundo Freddy (Michael Kenneth Williams), um ex-boxeador que é uma espécie de Rei da Cadeia. O enigmático personagem possui todas as regalias possíveis com direito a comunicação externa, sexo e influência com os guardas. Sua proteção será de fundamental importância para Nazir mas qual será o preço? Entretanto é algo com o qual ele terá que contar em um local onde os sapatos (e a tração) fazem diferença em um banho. E a julgar pela sua cama incendiada e a premissa de que ele estuprou e matou Andrea, o menos pior será o melhor dos mundos para ele.

Com mais tempo de tela, Helen Weiss (Jeannie Berlin) é uma veterana nos tribunais e que está disposta a acabar logo com o caso, devido ao grande potencial midiático. Sua conversa com Jack Stone é um dos melhores momentos do episódio, que culminou em uma recomendação para um bom alfaiate. Pobre John. Esse sim é um personagem que, por mais que nos irrite em algumas ocasiões, como quando dá o orçamento surreal aos pais de Naz, tem o desejo de abraçar uma causa rara em sua carreira. A garoto é a sua tábua de salvação, cabe ressaltar. Entretanto, o personagem é falível, humano e o mais desenvolvido até aqui. Seu pé, sempre lhe trazendo problemas, reflete muito de sua personalidade, que por mais que se esforce, sempre permanece em uma condição mal vista  e desconfiada por parte de todos.

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Sua ida a prisão também evidenciou que o sistema o conhece bem e todas as peças nesse jogo na verdade estão em constante contato, como quando ele falar com Helen e o guarda carcerário, ou quando  Salim Khan tenta resgatar o carro com seus sócios e o cartão do advogado é apresentado. O mais fascinante no personagem de John Turturro é que apesar de um ter um interesse pessoal na causa, ele também demonstra também querer algo mais, e isso pode ser visto em sua ida a casa de Andrea e a já citada visita ao rapaz com roupas e conselhos. A cena é a melhor do episódio e o desapontamento de ambos e a amargura de Jack rende um momento bastante significante em termos de atuação de Turturro.

Algumas rimas puderam ser notadas referente ao protagonistas, o que reforça que nada que está sendo contado por Steven Zaillian  é por acaso. Uma delas é quando Freddy mostra a Naz o pedaço de vitela e toda a conversa pode ser uma analogia ao próprio garoto na condição de encarcerado, e a outra é quando Jack visita o local do assassinato e descobre uma porta aberta, por onde o gato de Andrea queria entrar. Um detalhe aparentemente não explorado do crime. Ainda sobre isso, outro detalhe importante do episódio é o fato de Jack não tomar anti-histamínicos por conta do sono pois pode interferir em seu trabalho. Pelo mesmo motivo ele não leva o gato para casa e entrega para a adoção, com certo pessimismo pois preso, talvez o bichano encontre um destino nada agradável. É o mesmo que ocorre com Naz e agora da mesma maneira, Jack não poderá fazer mais nada.

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Duas personagens foram introduzidas, devido a essa dinâmica advogado-cliente: Allison Crowe (Glenne Headly) e Chandra (Amara Karan). Advogada experiente e com grande predileção com casos de apelo popular, Allison se colocou em uma posição oportuna, persuadindo Salim e Safar com o canto da sereia, com direito a assistente etnicamente selecionada. Ela não somente deu a família de Naz uma perspectiva mas também alívio por haver alguém mais experiente e filantropicamente comprometida. Mais uma vez a pergunta é: qual o preço?

Mais uma rima narrativa que merece destaque foi quando Allison diz que casos como esse a faz lembrar do porquê ser advogada. Mais tarde, quando Jack a procura e tem uma breve conversa com Chandra, a questiona de forma desconcertante sobre o mesmo assunto e se foi para isso que ela se formou. Ainda sobre a família de Naz, a situação anda difícil para eles, em uma situação que provoca raiva na cena já citada anteriormente, no depósito de carros. Esse é um momento em que toda a burocracia do sistema contrasta com a indiferença do guarda e o oferecimento do cartão de John também reforça a fama do mesmo. Não se espante se os sócios de Salim processarem seu filho, conforme a orientação.

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Quem teve menos tempo em cena mas não com menos destaque foi Dennis Box, continuando seu minucioso trabalho de obtenção de pistas e reconstituição dos fatos da noite do crime. A primeira cena com os guardas é ótima, assim como quando ele mexe nas fotografias de Naz. Box sabe de todos os possíveis desdobramentos do caso e sempre está tentando se antecipar. Durante a coletiva de imprensa sobre o crime também pode ser visto de relance o padastro de Andrea, Don.

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Até agora em termos de investigação não houve nenhum avanço significativo, e o cenário permanece totalmente desfavorável para Naz em um ambiente predominantemente hostil, com a perspectiva de um tribunal implacável. Contudo, a narrativa da série continua fluindo e nos faz aguardar com expectativa pelos desdobramentos deste caso.


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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...