Crítica | Game of Thrones 06×10: The Winds of Winter

Finalmente o inverno chegou em Game of Thrones. Em um episódio a altura de uma grande temporada, as mulheres mais uma vez tiveram um papel decisivo e movimentaram as peças, ganhando, perdendo e  protagonizando aquele que foi o ano com maior empoderamento feminino até então, que por sinal apresentou uma quantidade expressiva de excelentes episódios.

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Em uma sequência totalmente diferente de tudo que vimos até então, uma atmosfera de suspense foi criada de maneira magistral, com mais de 20 minutos focados na Fortaleza Vermelha e no Septo de Baelor. Desde o momento em que Cersei, o Alto Pardal e Tommen se vestem, preparando-se para o julgamento, o clima começou  a ser criado e aqui há de destacar duas coisas: a ótima direção de Miguel Sapochnik, que depois de Battle of the Bastards realizou mais um excelente trabalho.

A música de Ramin Djawadi também soube encontrar o tom exato com um piano que cresce na medida da expectativa dos acontecimentos. Além disso, o design de produção fez com que a imponência do grande Septo fosse retratada de forma deslumbrante, soando até mesmo como uma grande despedida.

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Tal qual o episódio anterior, mas com menos e improváveis golpes, uma pilha de corpos foi deixada, através de um ato ardilosamente arquitetado por Cersei Lannister e Qyburn. As dicas já haviam sido dadas em episódios passados, e através das passagens escondidas que o Rei Louco pretendia utilizar no passado, o plano foi colocado em prática. Uma nova faceta dos passarinhos foi apresentada, e o Grande Meistre Pycelle pagou o preço por ter escolhido Tommen. Ele, que sempre serviu a coroa com bajulação e conveniência, escolheu o lado errado e em uma cena brutal, foi assassinado pelas crianças (revejam o episódio e ouçam a música que toca), assim como Lancel Lannister, que caiu em uma armadilha até certo ponto tola, mas que no entanto ignitou a explosão daquele que era o símbolo de maior imponência da Fé: O Grande Septo de Baelor.

Loras Tyrell já havia confessado seus pecados, e com a marca dos pardais na testa, totalmente quebrado, queria apenas que a dor parasse. E de certa forma terminou ali o seu sofrimento em Porto Real, assim como se encerrou a ascensão do Alto Pardal, no alto de uma arrogância e hipocrisia notáveis, por não ter humildade que tanto prega, suficiente para abortar a missão. Margaery, foi quem percebeu tardiamente que a presença de Cersei, Tommen e a interrupção do julgamento não era auspiciosa. Todos os inimigos de Cersei na capital, incluindo o Pequeno Conselho e os Pardais também sucumbiram a reboque numa tacada certeira.

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A rainha mãe só não conseguiu salvar o filho, a quem tentou poupar utilizando-se da sua maior arma, o Montanha. O suicídio do Rei fez com que o núcleo extenso fosse bastante enxugado e abriu caminho para seu lugar no trono de ferro. A cena da morte do garoto foi ótima. O enquadramento utilizado, com o grande Septo ao fundo queimando e ele saindo para tirar a coroa e voltando pra a janela é sensacional. É interessante notar que, desde o início a personalidade frágil do garoto fez com que este ato fosse o mais ambíguo possível: covarde e o mais corajoso de todos ao mesmo tempo.

A nova rainha, loucamente possuída pela vingança, além de apertar o botão vermelho e dizimar todos os obstáculos possíveis de uma vez, ainda encontrou espaço para torturar a Septã Onella, a qual confessou seus pecados e aqui um ponto interessante: quem não sentiu uma ponta de satisfação? Confesse! Vergonha!! Curioso isso acontecer mas não tão surpreendente, pois Cersei Lannister é uma personagem complexa e nada simples de se analisar. A sua indiferença em relação ao corpo do filho corrobora essa afirmação.

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A celebração da retomada de Correrrio também trouxe um momento interessante. Foi nítido o constrangimento de Jaime ao sentar-se com Walder Frey, e a constatação da inutilidade do mesmo foi feita a partir de um diálogo muito bom entre os dois. Mais tarde, quando retorna a Porto Real, Jaime encontra um cenário inesperado: a coroação de Cersei. Note que é um ambiente totalmente sombrio, soturno e condizente com a situação local.

De volta as Gemeas, Inesperadamente, Arya surge e faz com que novamente o público entre em êxtase com uma morte aguardada desde o casamento vermelho. Em que pese a passagem de tempo, que se supõe que tenha ocorrido para que a menina chegasse até Westeros, o maior mistério fica por conta da utilização de uma face visto que abandonou a Casa do Preto e Branco. Mesmo com toda furtividade dela, tomara que isso possa ser explicado. No mais, outra mulher, uma nova vingança e um nome a menos na lista de Arya Stark de Winterfell.

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Em Dorne, de volta após o início da temporada, somente Olenna Tyrell para dar alguma empatia pelo núcleo mais mal desenvolvido da série. A cena em que ela caçoa das Serpentes de Areia é engraçada e uma das melhores dessa ótima atriz que é Diana Rigg. A aliança entre Dorne e os Tyrell, costurada pelo engenhoso Varys foi uma surpresa e oportunidade surgindo em prol de uma conveniência: destruir os Lannister. Olenna quer vingar sua família enquanto Ellaria Sand não esquece o que aconteceu a Oberyn, no julgamento por combate de Tyrion. Fogo e Sangue disse o eunuco, que surgiria mais tarde de forma inexplicável em outro lugar!

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A chegada de Sam em Vilavelha nos entregou um momento visualmente deslumbrante. Após um problema burocrático e até um pouco cômico na Cidadela, ele vai conhecer a biblioteca e fica admirado, assim como nós, com a imponência e beleza do local. Mais um ponto para a série que conseguiu retratar com magnitude um cenário que até então não havia sido mostrado. Foi interessante ver os corvos brancos e também notar a falta de organização dos registros que ainda constavam como Senhor Comandante da Patrulha Jeor Mormont, que já sabemos ter morrido na distante segunda temporada.

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Quase na Muralha, Bran Stark se despede de tio Benjen que não pode passar por conta dos encantamentos da imensa parede de gelo. Agora ele é uma espécie meio híbrida e isso faz todo sentido. Certamente foi um pouco conveniente que a visão, especificamente falando, tenha sido a da Torre da Alegria, mas o que nos é entregue compensa a grande expectativa, que na verdade era maior por parte dos fãs dos livros do que os da série propriamente ditos. No entanto, ver a cena onde Ned Stark e Lyanna Stark se reencontram no leito de morte da mãe de Jon foi de uma simplicidade e ao mesmo tempo retratou a angústia do momento, onde Eddard nada pode fazer a não ser ajudar a irmã e carregar consigo o sobrinho sob a alcunha de filho bastardo.

A confirmação da teoria R+L=J só não foi completa por não haver menção direta a Rhaegar, mas será preciso? Mais do que isso, um fato interessante para nos atentarmos é que mesmo que essa visão de Bran aponte para uma mudança drástica nas casas Stark e Targaryen, surge um novo questionamento: será que isso vai ser levado em consideração pelos demais? Afinal de contas, ninguém além de Bran e Meera conhecem as habilidades do Corvo de 3 Olhos.

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Em Winterfell já fomos direto ao ponto, com os desdobramentos pós batalha dos Bastardos. O banimento de Melisandre pode ter frustrado Davos, que queria sua execução. O argumento da Mulher de Vermelho foi um trunfo importante. Sim, ela matou Renly Baratheon, Shireen, levou Stannis a derrocada, mas todos ali só estavam discutindo seu destino pelo fato da própria ter ressuscitado Jon Snow. E o mais interessante: a partir de uma crença que nem o Cavaleiro das Cebolas tinha, que era a fé no Deus R’hllor, quando Mel estava fraca na sua crença. Esses paradoxos adicionam complexidade as decisões em Game of Thrones e essa foi realmente difícil para Jon.

Outro posicionamento importante foi o de Sansa Stark, que mostrou amadurecimento e personalidade, recusando a oferta de Mindinho e não dando (literalmente) o que ele queria. Segundo ela mesmo disse, Baelish não é uma pessoa em que se possa confiar e para quem esperava uma garota tola, esqueçam: a Stark agora é uma mulher segura de si. Com isso, estabeleceu-se uma rima, com dois personagens que possibilitaram a retomada de Winterfell sendo descartados dos planos.

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Um dos momentos mais bonitos do episódio é quando Jon e Sansa conversam, constatando a chegada do Inverno. Quem esperava uma tensão crescente entre os dois, certamente se sentiu aliviado em ver os meio-irmãos  demonstrando carinho um pelo outro, com Sansa apoiando Jon, cedendo o maior quarto e se desculpando por não ter falado sobre os Cavaleiros do Vale. Mais tarde, Lady Lyanna Mormont (melhor personagem) com um efusivo discurso, envergonhou aqueles que não apoiaram Jon e derrepente os Lordes o declaram Rei do Norte. A aprovação de Sansa e o desprezo de Mindinho dão ao público mais um momento de satisfação mas isso poderá implicar em um desdobramento, pois sabemos que ele serve somente a si mesmo.

Outro ponto interessante é que o honrado Jon nunca aspirou ser o Lorde de Winterfell e parece se espantar com o que acontecendo. Não somente por ser bastardo, mas quando Stannis ofertou legitimação, recusou devido aos seus votos na patrulha. Agora que sabemos que por direito, os Sete Reinos podem ser seus, ficamos com uma sensação diferente ao vê-lo proclamado o protetor do Norte.

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Em Meereen, o desfecho apoteótico. Daenerys e Tyrion firmam de vez a promissora parceria, com a Mãe dos Dragões designando Daario a ficar na cidade com os Segundos Filhos. A habilidade do anão pode ser observada nesses detalhes e vemos o quanto ele fará a diferença em seu reinado. Em seguida, após um diálogo muito bom, ela nomeia Tyrion como sua Mão e este momento é muito bacana. Agora notem duas coisas: primeiro, o negro volta a estar presente em sua vestimenta, algo que já havia acontecido em seu retorno e é o mesmo que ocorreu com Cersei. Duas rainhas e uma nova rima interessante no episódio. O outro ponto é que a Mãe dos Dragões deixa sua marca na Baía dos Escravos, alterando o nome do local para Baía dos Dragões. É dessa forma que nascem as lendas e certamente ela será uma delas, em Essos.

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A partida para Westeros é apoteótica e Daenerys sabe como ninguém proporcionar esses momentos. A Filha da Tormenta agora tem tudo o que sempre quis: Barcos, exércitos, seus três dragões e servos fiéis. Mas assim que o episódio termina, muitas perguntas começam a encher a cabeça de todos nós, como o papel da Irmandade sem Bandeiras e o Cão de Caça na próxima temporada, para onde Melisandre irá, o retorno de Brienne, os destinos de Arya e Bran e o mais importante de todos: o mal que ainda esta por vir. Agora sem um vilão como Ramsay e uma guerra no Sul, a grande ameaça está espreitando a Muralha e mais do que nunca, o Rei da Noite é o grande mal que poucos estão enxergando, em grande escala. Desde já, aguardamos.

Confira mais imagens do episódio:

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Sexta Temporada:

 


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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