Crítica | Game of Thrones 06×09: Battle of the Bastards

Poucas vezes na história da televisão, um episódio foi construído de forma tão cinematográfica quanto em Battle of the Bastards. Todo cuidado dos produtores, desde os momentos que antecederam o conflito até o seu desfecho, fizeram dessa exibição o ápice da temporada e sem exagero algum, um dos maiores eventos de Game of Thrones.

Jon-Snow

Impossível não destacar todo o cuidado e empenho que foram empregados na realização deste capítulo, que manteve em grande estilo a tradição do nono episódio. Estiveram envolvidos ao todo 600 pessoas ligadas a produção, 500 figurantes e 70 cavalos, durante 25 dias de filmagens. A direção de Miguel Sapochnik, que também dirigiu o marcante Hardhome (05×08) foi certeira, com ótimas lutas, tomadas aéreas sensacionais e planos abertos extremamente cinematográficos. É bom que se diga que essa batalha foi toda mostrada a luz do dia, e muitos desses eventos são apresentados a noite na série, o que representa um recurso muitas vezes utilizado para esconder certas limitações. Aqui o que se viu foi memorável. Todos as cenas tornaram épica a disputa entre os Bastardos no Norte. Entretanto, e para o deleite dos fãs, não foi o único grande acontecimento mostrado.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Meereen

O episódio começa com urgência e ela já é sentida com a trilha lá em cima durante o cerco a Meereen, com Tyrion Lannister e Daenerys Targaryen tendo um ótimo diálogo sobre o modo de administração da cidade, na ausência da rainha. Emilia Clarke e Peter Dinklage estiveram ótimos em suas interpretações, diga-se de passagem. Ainda sobre o momento entre os dois, Tyrion adverte a Mãe dos Dragões sobre os feitos condenáveis de seu pai e a explanação sobre o fogo vivo, na Fortaleza Vermelha em Porto Real, é uma forma de alertá-la para que a loucura de Aerys não seja sua loucura também. Mas uma coisa também é certa: este aviso serve para nós, pois a situação anda muito tensa por lá e quem sabe os planos de Cersei e Qyburn não incluem a utilização deste botão vermelho?

game-of-Thrones-Batalha-dos-Bastardos-Daenerys

Durante a negociação com os Mestres é possível notar a mudança de postura de Daenerys, mais imponente, agora com vestes mais escuras e absurdamente confiante. Toda a audácia demonstrada por eles realmente remeteram a uma descrença de que poderia haver uma resistência e pulso firme por parte dela. Quando eles disseram que os dragões seriam abatidos, será que pensaram ser o que? Lagartixas? Quando ela anuncia que a rendição negociada seria a deles, evidenciou-se que nunca houve um domínio tão grande dela sobre suas ações e sobretudo com relação a Drogon. Vê-lo surgindo ao fundo com resquícios de chamas foi sensacional. “Meu reinado apenas começou” disse ela. E assim que Viserion e Rhaegal saíram da prisão, a tríade ficou completa.

O ataque ao navio é espetacular, o tema tocado ao fundo e o tomada que mostra o vôo e em seguida desce, encontrando os Filhos da Harpia é de arrepiar. Dracarys! A chegada dos Dothraki liderados por Daario Naharis e o desfecho da situação com os Mestres também é empolgante e a batidinha que Tyrion da no ombro do único que sobrevive é impagável.  Caberá a ele dizer ao seu povo o que aconteceu quando Daenerys Targagyen e seus dragões vieram a Meereren. Os efeitos retratados em em todas as cenas foram impecáveis, mérito da produção dessa vez já que e isso nem sempre pode ser elevado a esse nível, é bom que se lembre.

game-of-Thrones-Batalha-dos-Bastardos-Daenerys-Drogon

Ainda na Baía dos Escravos, a chegada dos irmãos Greygoy mostra o reencontro de Tyrion e Theon e o anão fala sobre as piadas que eram contadas em Winterfell  sobre sua estatura. Também é bom mencionar que a fama de traidor foi a que ficou para o ex-Fedor, quando é falado sobre a suposta morte dos irmãos Stark, que tinham sido forjadas por ele em Winterfell.

A melhor parte do encontro foi sem dúvida o diálogo entre Yara Greyjoy e Daenerys. A Mulher de Ferro diz que topa tudo e só quer apoio para a sua legitimidade da sucessão do Trono de Sal e em troca reconhecerá a Filha da Tormenta como a rainha dos Sete Reinos. Um pedido e não uma exigência. Foi bom ver a admiração e o respeito que uma passou a ter com a outra, e ao que parece serão duas aliadas no retorno a Westeros. Duas mulheres fortes, há que se destacar. No entanto, somente um ponto ficou um pouco desconexo que foi a chegada da frota logo após os eventos ocorridos na cidade. Não fica claro, de acordo com a montagem do episódio, se houve alguma passagem de tempo ou se foi somente uma conveniência do roteiro.

game-of-Thrones-Batalha-dos-Bastardos-Yara-Daenerys

Winterfell

A Batalha dos Bastardos começou um dia antes, no âmbito psicológico, quando um pequeno grupo com os líderes de cada lado se encontraram. Enquanto Ramsay Bolton usa de sua arrogância, Jon Snow o desconcerta, quando categoricamente o desafia para um combate sem a necessidade de envolver os exércitos. Sansa Stark também o encara e com um olhar frio e cheio de ódio sentencia: “Amanha você estará morto, Lorde Bolton”. Destaque ainda para Lyanna Mormont que faz uma ponta somente, mas com aquele olhar.

Durante a noite, uma tensão se estabeleceu entre os irmãos e mais uma vez a agora Lady de Winterfell mostrou que está tendo a leitura mais equilibrada da situação, quando falou das mínimas chances de vencer Ramsay, sobre a sobrevivência de Rickon e o modo de agir do ex-bastardo. Sua frieza e calculismo pareceu contrastar com a impulsividade de Jon.

Jon-Snow-Batalha-dos-bastardos

A providencial ajuda solicitada por ela em nenhum momento foi revelada e poderia ajudar na estratégia, mesmo que vindo de uma fonte não muito confiável, ainda mais com Jon tendo estado na Muralha durante praticamente toda a série e não estando muito a par do jogo político em si. Por outro lado, pode ter sido parte de um plano que envolveria o exército de seu aliado somente em um momento extremamente crucial. Sansa mudou muito e talvez o tempo que passou com Petyr Baelish e todo seu drama com Ramsay, tenham forjado uma nova forma de pensar e a personagem é certamente uma das que tiveram maior desenvolvimento em toda a série.

A conversa entre Snow e Melisandre também rendeu um bom momento assim como a descoberta de Davos. Mesmo sendo uma feliz coincidência, o veado de madeira que pertencia a Shireen, junto aos restos daquilo que teria sido a fogueira que a menina morreu queimada, confirmou sua desconfiança e veremos no season finale o desenrolar dessa situação, que poderá se complicar para a Mulher de Vermelho.

Sansa-Stark_Batalha-dos-Bastardos

A chegada ao campo de batalha foi extremamente tensa e com os nervos a flor da pela. Ela ganhou contornos dramáticos quando Ramsay assassinou brutalmente Rickon Stark, com um jogo sádico bem à sua maneira. Pode ter sido questionável a forma como ele correu em linha reta em direção a Jon, porém de um jeito ou de outro, com uma infinidade de arqueiros, o destino do caçula já estava traçado. Foi até previsível em certo ponto mas o grande mérito da cena, foi fazer com que mesmo assim, todos se importassem e sentissem a perda. A reação de Jon, que parte ensandecido para cima do exército, mostrou um certo descontrole e estava tudo pronto para dar errado.

game-of-Thrones-Batalha-dos-Bastardos-Rickon-Ramsay

Quando ele se vê em meio aos exércitos inimigo e aliado, numa confusão de espadas, cavalos e sangue para todo lado, ficamos com a sensação de estarmos tão perdidos quando o bastardo. Uma luta interminável e por mais que os golpes sejam certeiros, um sem número de inimigos e flechas vindas do outro lado dizimavam as já pequenas chances. Ali todo o horror da guerra pode ser sentido e fomos levados para o meio dela. As cenas foram espetaculares, cada luta parecia real e a imersão dentro da batalha foi inevitável.

O momento em que Jon é pisoteado rendeu uma das melhores cenas do episódio e também uma das mais claustrofóbicas e perturbadoras já filmadas. Perdemos o ar pouco a pouco e retomamos o fôlego somente quando ele emerge em meio a uma pilha de corpos e selvagens e soldados encurralados, numa carnificina sem precedentes no Norte. As tomadas aéreas foram espetaculares, em especial as que mostram o cerco dos Bolton e as flechas, incontáveis vezes sendo atiradas. O cerco dos soldados com os escudos também foi de arrepiar.

game-of-Thrones-Batalha-dos-Bastardos-exército-Bolton

A ajuda que veio do Vale, embora pudesse ter chegado mais cedo foi o momento de redenção e catarse que todos esperavam, como uma luz no fim do túnel que se acendeu de forma providencial. Não fossem as evidências com a carta de Sansa, teria sido forçado, mas foi algo que já estava nos planos. Quando Jon, Tormund e Wun Wun (esses dois tiveram participações memoráveis na luta) partem em direção a Ramsay, uma nova perspectiva se abre e de longe, Sansa e Mindinho observam a empreitada.

Em que pese a questionável aliança, a lealdade foi posta a prova e vai exigir uma contrapartida. Baelish foi o grande catalisador dos eventos iniciais da série e não nos faltam motivos para achar que mesmo com a sua ajuda, seja alguém em que se possa confiar. O socorro terá seu preço e ser o protetor do Norte já esteve em seus planos. Pode ser que ele enxergue Jon como uma ameaça e sua capacidade de fazer intrigas é um grande perigo em relação a isso.

game-of-Thrones-Batalha-dos-Bastardos-Mindinho-Sansa

Já na fortaleza, Wun Wun foi decisivo mais uma vez , morreu como herói e o gigante nunca brilhou tanto quanto dessa vez. Mérito total para a produção que fez parecer algo que poderia soar como artificial demais em um personagem crível. E quem esperava que Ramsay fosse acabar morto pelas lâminas da Garralonga, não deve ter se importado com os murros viscerais e o devorar sedento dos cães, que não comiam há sete dias. Ali bem que poderia ser o Fantasma, que aliás não deu as caras mas não foi algo ruim. Com isso se despediu da série o ator Iwan Rheon, que atuou de forma brilhante vivendo um dos maiores vilões da história recente das televisão.

Sansa, interpretada de forma magnífica por Sophie Turner, teve sua redenção. Quando ela diz ao seu algoz que seu nome desapareçerá e ninguém se lembrará, vem a catarse definitiva. Conforme foi dito sobre o episódio anterior, nunca o momento foi tão favorável aos Starks, que agora tem seu estandarte de volta ao lugar que é de direito. É a primeira vez na série que uma conquista grandiosa é vencida por eles. Sansa agora será a protetora do Norte e veremos como irão se comportar as Casas que apoiaram Ramsay. Com relação aos aliados de Jon, grande parte foi dizimada e ele ficará como coadjuvante a princípio, pois ainda é um bastardo. Entretanto, a ameaça maior ainda está por vir e mais do que nunca eles precisarão se proteger, pois mais difícil que uma conquista será mantê-la. O Inverno está chegando…

game-of-Thrones-Batalha-dos-Bastardos-Jon-Snow-escudo

A Batalha dos Bastardos foi um marco na história da Televisão. Em tempos que o streaming e as maratonas mudaram a forma de se assistir séries, o formato tradicional ainda sobrevive com força e produções como Game of Thrones provocam debates e expectativas, que só são possíveis nesse formato. O último episódio da temporada, Winds of Winter, que também terá a mesma direção, será o maior de toda a série com 69 minutos e terá a difícil missão de manter o elevado nível do que presenciamos neste Domingo. Que venha o desfecho dessa, que já é a melhor temporada da série até aqui.


Se você gostou dessa publicação, deixe sua opinião, comente e participe. Para acompanhar as publicações do Quarta Parede, siga as redes sociais do blog e receba notificações de novos posts!

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

12 thoughts on “Crítica | Game of Thrones 06×09: Battle of the Bastards

Deixe seu comentário: