Crítica | Game of Thrones 06×08: No One

Durante quase seis temporadas, nunca houve um momento que fosse tão propício aos Starks em Game of Thrones. Em que pese a situação de Rickon, preso em Winterfell, temos Jon e Sansa marchando para a guerra, Bran e Benjen juntos além da Muralha e Arya, voltando a ser a quem ela nunca deixou de ser, mais madura e decidida. Em contrapartida, No One mostrou uma série de planos e expectativas que foram subvertidos, encaminhando vários núcleos por caminhos que não esperávamos.

Não há como negar que a jornada de Arya em Braavos ficou, durante muito tempo estagnada. Em alguns momentos chegou a ser um pouco repetitivo acompanhar a saga da menina que queria se tornar ninguém mas nunca abandonou sua essência. Nesse sexto ano, sua história passou a evoluir com mais agilidade e vimos só agora o crescimento da personagem na cidade livre, brilhantemente interpretada por Maise Williams. Neste episódio também pudemos ver a trupe de teatro mais uma vez, e a participação da personagem Lady Crane, com uma boa atuação da atriz Essie Davis, funcionou mais uma vez. A atriz foi fundamental na recuperação de Arya durante sua fuga, conhecemos um pouco de sua história e ela, é bom que se diga foi o principal ponto para o despertar da menina, a partir do momento em que a ex-aspirante a ninguém preferiu poupar sua vida e não matá-la.

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A sequencia que envolve a perseguição e a luta final entre Arya e Waif, bem dirigida por Mike Mylod, desde o assassinato de Crane até a casa do Preto e Branco, levou mais de cinco minutos e conseguiu unificar ação e tensão, tendo sido revelada inclusive uma cena do trailer da temporada que muitos não imaginavam ser desse momento específico. É verdade que a Stark esteve apanhando demais ultimamente, mas sua furtividade e destreza foram postas a prova de maneira decisiva, em uma fuga que incluiu de tudo: saltos de média e grande altura (essa doeu), passagem por dentro de uma sauna, rolamentos (desastrosos e bem sucedidos) e o ferimento antes costurado, aberto novamente. Uma observação: impossível não questionar a sua rápida recuperação.

E aqui cabe outro detalhe: quando Arya rola as escadas, em cima de várias laranjas, seria uma referência a Poderoso Chefão? Intencional ou não, a temerosidade pela morte da menina foi substituída por um alívio, quando ela questiona Jaqen H’ghar sobre sua intenção em mandar assassiná-la. E assim, ela se despede dizendo algo que já sabíamos, mas que estávamos loucos para ouvir de uma vez de sua boca.

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“A Menina é Arya Stark de Winterfell…e eu vou para casa”

Diferente do que ocorreu em Braavos, um desfecho anti-climático pode ser observado em Correrrio, por conta expectativa criada e não pela resolução em si. O cerco, que adapta uma subtrama dos livros, aparentava se encaminhar para um final diferente e não para a morte do Peixe Negro, embora não tenha sido vista e apenas informada. Porém, não há como negar que a estratégia de Jaime Lannister diante de Edmure Tully foi ousada e inteligente. O Lorde retomou o castelo e se rendeu, entregando-o em seguida para os Freys, mas esperava-se uma batalha. Brienne, que havia conversado com Jaime, fracassou em convencer o tio de Sansa a lutar no Norte, mas certamente influenciou o Lannister.

A cena da conversa entre os dois foi muito boa e neste episódio, Nikolaj Coster-Waldau e Gwendoline Christie entregaram ótimas atuações. Dá para notar o respeito e a admiração que um tem pelo outro, embora com motivações diferentes. Vimos ainda o Lannister em uma atuação bem mais sombria na conversa que tem com Edmure, e todo o jogo de sombras o ajudou bastante a passar essa impressão, em mais uma cena bem executada. O alívio cômico ficou por contra de Bronn e Pod, que se reencontram e protagonizam uma engraçada cena durante a chegada do escudeiro.

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Em Porto Real, Cersei Lannister escolheu violência. A grande tensão gerada no início, quando a Fé Militante convoca a leoa para o o Septo de Baelor, culmina num momento aterrorizante que muitos aguardavam: Montanha em ação, apavorando os Pardais. Está certo que já tínhamos visto o cavaleiro zumbi esmagando uma cabeça, no começo da temporada, mas dessa vez, foi bem mais impactante embora a cena tenha sido filmada de um ângulo onde não se viu muita coisa. O espanto que toma conta de todos neste momento contrasta com a expressão de satisfação que a atriz Lena Headey faz, de forma magnífica.

Toda a prepotência que se estabeleceu ali foi desmontada num surpreendente anúncio de Tommen: a proibição de julgamentos por combate e dessa forma sua mãe será julgada, assim como Loras Tyrell, sem essa prerrogativa. O Rei está cada vez mais alinhado com a Fé e se as coisas não se resolverem pela força, vai ficar complicado para Cersei. Um fato interessante é que voltamos a ter aparições de Qyburn, agora fazendo uso dos seus passarinhos.

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Em Meereen, Varys parte para uma jornada solitária, e tão logo a parceria se desfaz, Tyrion não demora a se ver em apuros. Em um primeiro momento, eles desfrutam de uma aparente sensação de vitória através de sua política, com as sacerdotisas trazidas por Kinvara pregando e anunciando Daenerys como a escolhida. Mas a ameaça que vem do mar, investindo contra a cidade, deixam o duende, Missandei e Verme Cinzento com um enorme problema para resolver. Tyrion estava de certa forma prepotente e em uma zona de conforto, bebendo e contando histórias, e não fosse a chegada de Daenerys e Drogon, certamente as coisas iriam ficar complicadas. A aparição da Filha da Tormenta foi um recurso bem deus ex machina, pois não haveria melhor momento. Ali, faltou uma construção melhor do que a simples conveniência. Agora é aguardar pela resolução do ataque e se a chegada dos Greyjoy ocorrerá até o fim da temporada.

Outro personagem de destaque foi Sandor Clegane. Enfurecido, com um machado ele acaba com quatro integrantes da Irmandade Sem Bandeiras de forma feroz e brutal, e para sua surpresa (e nossa também) quando encontra o restante do grupo, os três assassinos já estão para serem enforcados. Nesse momento, Beric Dondarrion, aquele mesmo que já foi revivido sete vezes por Thoros de Myr (tal qual Melisandre fez com Jon Snow) reaparece e foi engraçado ver o Cão de Caça tripudiando dele. Para quem não se lembra, uma das mortes dele foi pelas mãos de Clegane. Houveram alguns diálogos interessantes e é importante destacar que Thoros, em determinado momento, parece ter noção da real ameaça que está por vir, quando diz que o inverno está chegando no Norte. Agora, com o Cão se juntando à Irmandade, seu arco começa a ficar mais interessante e veremos qual propósito darão a ele.

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É fato que tivemos mais um bom episódio, mesmo com uma montagem confusa em alguns momentos e a trama de Meereen que destoou um pouco das demais. Dessa vez ficamos novamente sem ver os núcleos de Bran e Winterfell , além dos Greyjoy, Jon e Sansa não terem aparecido também. Entretanto, a tão aguardada Batalha dos Bastardos ficará para a próxima semana, e a julgar pelo trailer, deve ser o clímax da temporada. O contraste entre a psicopatia de Ramsay  e a frieza de Jon Snow pode ser sentida e o pouco que foi mostrado elevou as expectativas para Battle of the Bastards. Se Game of Thrones mantiver a tradição do episódio 9, o próximo Domingo tem tudo para ser inesquecível.


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Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

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