Crítica | Outcast 01×01: A Darkness Surrounds Him

Com Spoilers do Episódio Piloto. Se você ainda não conhece a série Outcast, clique aqui para saber mais.

Causou uma boa impressão. Assim pode ser definida a estreia de Outcast, produzida por Robert Kirkman, também criador da história em quadrinhos na qual a obra se baseia, assim como The Walking Dead, que originou uma das séries de maior sucesso da atualidade. Como é inevitável a comparação, neste piloto já é possível distinguir uma da outra, em termos de ambientação e narrativa, embora a abertura lembre bastante a série em questão.

O foco em  Outcast é o sobrenatural. Possessões demoníacas e principalmente, as implicações que elas trazem para as pessoas são estabelecidas como o mote central da trama. Logo no começo vemos uma cena forte, com o menino Joshua (Gabriel Bateman ), que possuído, esmaga uma barata com a cabeça. Ali já se começa a sentir o tom que a série, ao longo de todo o episódio pretende transmitir. A situação do garoto é mostrada várias vezes, até que no fim, outra cena chocante mostra que a intenção é impactar, pelo menos nesse inicio. Sendo esmurrado para conter uma possessão, Joshua fica ensanguentado e este é o ápice de toda a sequência no episódio piloto.

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O protagonista Kyle Barnes (Patrick Fugit) é retratado como um personagem que constantemente se mostra pouco a vontade com tudo o que acontece ao seu redor, sendo uma pessoa apática e desinteressada. Todos os acontecimentos passados (ainda iremos presenciar mais) refletem em suas atitudes e personalidade. Em um rápido flashback com sua mãe já fica entendido todo o trauma que ele carrega.

Pouco a pouco, camadas vão sendo descobertas e conhecemos mais sobre ele, desde os já expostos abusos que sofria, até a conturbada relação que se estabeleceu com sua ex-mulher Allison (Kate Lyn Sheil). Em uma cena, quando ele está no mercado com sua irmã, observamos um Kyle desconfortável no convívio social, fruto evidente de seu passado. E isso é ainda mais acentuado pelo fato de ser uma cidade pequena, onde fatalmente ele irá encontrar conhecidos em vários lugares.

Outcast-mãe-Joshua

Não é de se admirar que a  estranheza do rapaz, a maneira desleixada como vive e sua forma de agir em relação a sua família cause um mal estar para todos. Sua meia-irmã  Megan (Wrenn Schmidt) parece ser a pessoa que mais se preocupa com ele, e tenta traze-lo para o convívio social, contra a vontade do marido David (Mark Holter). Uma tensão absurda entre os dois é sentida e o medo de que ele possa vir a ter algum tipo de atitude ruim é angustiante.

Curiosamente, no fim do episódio pudemos observar que Kyle salvou a filha da ex-mulher, então fica ainda no ar a dúvida se ele também comete tais atitudes ou somente atrai, para todos ao seu redor, as possessões. Ainda com relação aos irmãos, um cliché do gênero: Megan não acredita ou não demonstra sua crença nas possessões, e isso fica evidente quando vão até a cidade fazer compras, e ela se refere a história de Joshua  como uma “babaquice”.

Outcast Joshua Quarta Parede

Outro personagem interessante que foi apresentado é  o Reverendo Anderson (Philip Glenister). Em um primeiro momento ele se mostra controverso, participando de uma jogatina com o Chefe de Polícia Giles (Reg E. Cathey), e até mesmo um pouco desleixado, como por exemplo no momento em que demonstra má vontade em falar com a mãe de Joshua durante o jogo. Na parte do exorcismo, ele se compromete mais com a causa e em outras atitudes dele ao longo do episódio fica a sensação de que é uma pessoa falível e até cansada pelo ofício, mas com boas atitudes e intenções, tendo mais a apresentar ao longo da temporada. Ele ainda é, ao que tudo indica, o único que acredita em Kyle, não atribuindo as atitudes da mãe do rapaz a loucura, e sim ao sobrenatural.

As cenas envolvendo as possessões são bem feitas e não geram incomodo por parte dos efeitos visuais, que pelo fato de ser uma obra televisiva poderia representar uma temerosidade. A fotografia e os tons utilizados dão um clima bem soturno e casam de forma bem adequada com todo o clima criado. Por vezes, temos a sensação que o ritmo irá cair, mas os acontecimentos que se sucedem deixam essa impressão de lado. A construção da atmosfera que se estabelece, desde a primeira aparição do menino até o clímax, é bem gradual mas acerta em não cansar o espectador. A única crítica aqui é com relação a adesão de Kyle ao exorcismo do garoto, que não pareceu tão bem estruturada. Mas toda a dinâmica que se passa, desde o momento em que a entidade o reconhece é bem elaborada, assusta e não é gratuita, levando-o de volta para o seu atormentado passado.

Outcast estreia Quarta Parede

O que o episódio procura deixar claro é que, tudo ao redor de Kyle é caótico. Sua família é quem sofre mais com esse panorama apesar de sua condição nada agradável, mas neste primeiro episódio, nada que esteja relacionado diretamente ao personagem, em termos de possessão é mostrado. Não da para dizer se Outcast vem para ficar, mas o início agradou e veremos como a temporada irá se sustentar daqui para frente ao desenvolver a história. Com boas interpretações e um clima de suspense, que introduz o terror no momento certo, pode-se dizer que foi um começo promissor.


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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...