Crítica | Demolidor: 2° Temporada

Com Spoilers da 1º e 2º Temporada

A primeira temporada de Demolidor, série da Netflix em parceria com a Marvel, trouxe para o público em geral e os fãs do gênero de quadrinhos uma nova abordagem em termos estéticos e narrativos. O sucesso obtido nessa pegada urbana trouxe a este universo um tom mais sombrio e investigativo, diferente dos filmes que estamos acostumados a assistir.

Embora se passe após os eventos de Vingadores (2012), a ambientação da série é totalmente diferente dos filmes. Se no primeiro ano, a história girava em torno de desenvolver Matt Murdock (Charlie Cox) iniciando sua vida dupla como advogado e vigilante de Hell´s Kitchen e a ascensão e queda do seu antagonista, Wilson Fisk (Vincent D´onofrio), agora tivemos uma série de tramas acontecendo em paralelo.

daredevil_season_2

Com Fisk na cadeia, o início da segunda temporada foca na introdução do Justiceiro. Interpretado por John Bernthal, o anti-herói é tudo que se esperava para a adaptação mais fiel já feita do Punisher: insano, desmedido e furioso. Todo o arco que envolve o início da temporada em seus quatro primeiros episódios, que vai do seu aparecimento até a prisão é eletrizante. Os diálogos na cobertura do prédio em que ele prende Matt são tão intensos quanto os socos trocados. As lutas entre ele e o Demolidor (em especial a primeira) são muito boas. Não fosse o capacete projetado por Melvin para o Devil, este pereceria logo no primeiro episódio. Bang!

Frank Castle é o oposto de Matt Murdock. Enquanto Castle, dono de uma psicopatia impar, puxa o gatilho sem pestanejar, Matt sempre exita em atravessar a linha, que é bem tênue em se tratando da soturna Hells Kitchen. Para ele a lei é soberana, mesmo que muitas das vezes acabe lhe proporcionando um “retrabalho” com os bandidos. Há de se enaltecer o trabalho de Bernthal, pois o ator parece que nasceu para este papel. Se há um grande destaque na temporada, sem dúvidas é ele. O Demolidor também evolui em termos de combate. Continua apanhando, mas parece que agora sente um pouco menos as surras, muito por conta de seu novo traje. Há uma cena em que ele luta com uma gangue de motoqueiros (Cães do Inferno) que é sensacional. As lutas com os ninjas também são bem coreografadas e boas de assistir.

demolid

No quinto episódio, conhecemos Elektra Natchios (Elodie Yung) e o seu passado com Matt vai sendo apresentado no desenrolar dos demais capítulos. Além disso, descobrimos sua personalidade , seu gosto pelo combate e por matar (mais um contraponto para Matt). Porém, neste momento parece que a série quebra o ritmo, se alternando entre o julgamento de Castle e a ajuda que o Demolidor acaba dando à Elektra, para conter uma ameaça maior. Em um primeiro momento, a personagem não parece funcionar tão bem, algo que depois acaba melhorando. Stick (Scott Glenn) também volta a trama e dessa vez com uma participação maior e mais efetiva, tanto neste segundo ato quanto no final da temporada. Além disso, Nobu (Peter Shinkoda), que havia sido morto na primeira temporada reaparece, mas a maior ameaça passa ser uma organização misteriosa: A Mão.

Outras personagens femininas ganharam um destaque nesta temporada. Karen Page (Deborah Ann Woll) vai da breve relação com Matt, passando pelo fracasso na firma Nelson e Murdock  e pelo jornalismo investigativo, quando assume a cadeira de Ben Urich, embora tenha sido uma situação um tanto quanto forçada. São delas as descobertas sobre o passado de Frank e o assassinato de sua família. Claire (Rosario Dawson) também reaparece, com mais tempo de tela e uma participação importante no hospital.

elektra-mini

Foggy Nelson (Elden Henson) nesta temporada tem um desenvolvimento melhor como advogado e fazendo o papel de amigo chato, que sempre tenta trazer Matt de volta ao trabalho. Tal atitude é compreensível, pois os negócios na firma vão de mal a pior, mas é inegável que dessa vez ele está mais objetivo e isso se reflete na decisão de dar um fim a parceria com o inevitável fim do escritório. Este é o dilema que sempre coloca Murdock angustiado: a incapacidade e conciliar seus dois trabalhos. Um interfere no outro, e quando ele precisa optar por algo, abraça a vida noturna em detrimento do tribunal e a lei que tanto preza. Quando Foggy recebe uma proposta de emprego, um ester-egg: a  advogada da série Jessica Jones, Jeri Hogaht (Carrie-Anne-Moss) é quem o entrevista.

O reaparecimento de Wilson Fisk na cadeia mostra que, mesmo preso ele continua cercado de privilégios e tal qual fora dela, controla muita coisa nas ruas. O encontro dele com Castle é tenso e culmina em uma das sequencias mais brutais da temporada: a emboscada na prisão, no nono episódio. É na cadeia também que há outra cena memorável, quando Murdock vai até Fisk para confrontá-lo em um diálogo cheio de confiança. O inusitado momento em que ela agride o advogado e o deixa desnorteado, de uma forma ainda não vista, foi espetacular. O Rei do Crime sem dúvidas está bem mais ameaçador agora.

punisher-wilson-fisk

No desfecho da temporada, a série pisa fundo no acelerador novamente e os três últimos episódios são muito bons. Com o Justiceiro de volta as ruas, a matança continua e dentro de sua lógica, a justiça é feita com ajuda indireta de Karen. Ao mesmo tempo, Demolidor e Elektra vão para o submundo lutar a guerra de Stick, após salvá-lo e terem a revelação de que ela é o Céu Negro, retornam para finalizar o serviço.

Algumas coisas ai soaram um  pouco estranhas, como o aparecimento de milhares de ninjas no último episódio e o confronto com apenas meia dúzia no telhado. O Nobu dessa temporada ofereceu resistência muito menor também, e em que pese ter matado Elektra, na primeira temporada ele era um adversário muito mais temível. Desta vez ele morre umas tantas vezes, mas a definitiva é a melhor graças a Stick. Boa velho!

O aparecimento do Justiceiro no fim também foi o grande “Deus Ex Machina” da temporada, uma grande conveniência de roteiro apesar de ter sido uma ótima cena. Mas às vezes, com tanta coisa mística sendo introduzida (máquinas drenando sangue, ressurreição e um buraco de 40 metros), a suspensão de descrença nos leva a achar esse é o menor dos problemas. O gancho com a Elektra no fim e a caça de Fisk a Murdok trarão a próxima temporada (que não se sabe ainda quando sairá) novas perspectivas, sem contar o desfecho com a revelação de Matt para Karen.

os 3

Menos introspectiva e com mais ação, não fosse o miolo e algumas situações pouco explicadas, a temporada seria excelente. Ainda assim, Demolidor é uma das grandes produções feitas pela Netflix e um dos méritos deste universo integrado de séries é se distanciar dos cinema, sem se desprender por completo, fazendo apenas referências pontuais, e construir as conexões entre as séries de maneira bem sutil e gradual. Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro formarão com o Demolidor o grupo Os Defensores em uma nova série e pelo menos até agora, estão fazendo o trabalho de maneira correta.

4 estrelas


      Para acompanhar as publicações do Quarta Parede, siga as nossas redes sociais ou inscreva-se por e-mail para receber notificações de novos posts, logo abaixo da área de comentários ou no menu à direita!

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...

9 thoughts on “Crítica | Demolidor: 2° Temporada

Deixe seu comentário: